100 noites de regabofe

Quando, a 6 de Janeiro de 2003, a SIC estreava o 'Levanta-te e Ri', Marco Horácio tinha todos os olhares postos em si. Afinal, era ele quem ocupava o lugar destinado a Camacho Costa. Na altura, o formato fora construído para o malogrado humorista, mas devido à sua debilidade física, que o levou à morte pouco tempo depois, o jovem actor assumiu o lugar . E fê-lo com distinção. Hoje, vai para o ar a 100ª emissão, no Casino da Figueira da Foz, às 23h45 , ou seja, mais uma noite de regabofe.
11.04.05
100 noites de regabofe
Nilton, Bruno Nogueira e Marco Horácio
Quem vê em casa o 'Levanta-te e Ri' não imagina o trabalho que o programa dá. Apesar de ser semanal, todos os dias são... dias de trabalho. Segundo Marco Horácio, as suas piadas começam a ser preparadas no final de cada espectáculo.
Falar de espectáculo é falar do público. Esse chega às salas de espectáculo por volta das 19h00 e só arreda pé às 02h00. É preciso explicar que as pessoas pagam para ver o 'Levanta-te e Ri', pormenor desconhecido da grande maioria. Há ainda a ideia de que quem quer ver o programa, pode fazê-lo gratuitamente. Puro engano: cada entrada custa dez euros.
Para muitos, o programa fez história. Há quem questione onde estariam Marco Horácio, Nilton ou Bruno Nogueira se não fosse o 'Levanta-te e Ri'. Mas a verdade é que a maioria dos humoristas que passam por lá já trabalhavam antes. Veja-se o caso de Nilton, que, em dois anos, viu os seus espectáculos passarem “de uma média de 30 por ano para 100”.
No entanto, por cá, notoriedade não significa riqueza. Marco Horácio não diz quanto embolsa, mas, "se fizesse o programa em Espanha ou Inglaterra já estaria rico”. “Em Portugal, não. Sou é uma pessoa poupada, porque amanhã posso não ter trabalho", afirma, acrescentando que trabalha desde os 13 anos. "O meu primeiro salário foram cinco contos. Vendia, com a minha mãe, pão à porta”, recorda.
NICOLAU E SOLNADO NÃO GOSTAM DE COMÉDIA BARATA
Em dois anos de 'Levanta-te e Ri', surgiu uma série de rostos no humor nacional. Uns têm conseguido tirar dividendos da participação no programa – casos de Nilton, Bruno Nogueira, Fernando Rocha e Marco Horácio – e podem entrar para a história. A velha guarda de humoristas vê com bons olhos o trabalho destes jovens, embora alguns não se identifiquem com o tipo de humor do 'Levanta-te e Ri'. Excepção feita a Herman José, que marca hoje presença na emissão 100.
Não sendo um espectador assíduo, Nicolau Breyner considera que a 'stand up comedy' é "uma forma barata de fazer comédia”. “Não é um humor que pessoalmente goste muito, mas não o rejeito de maneira nenhuma", refere.
A mesma opinião tem Raul Solnado, que rejeita por completo a ideia de participar no 'Levanta-te e Ri', por também ele considerar não fazer o seu "género". No entanto, defende que "o programa revelou pessoas muito boas".
Herman José, por seu turno, frisa que 'Levanta-te e Ri' "é uma bela maneira de dar visibilidade a novos talentos do humor", atribuindo o sucesso do programa à "energia da itinerância, à variedade dos convidados e ao factor LIBERDADE num País confuso, deprimido e ainda com muitos tiques do 'antigamente'".
AUDIÊNCIAS: RECORDE NA 2.ª SEMANA
Tendo em conta a hora em que é emitido – a partir das 00h00 –, podemos considerar que ‘Levanta-te e Ri' tem boas audiências. De contrário, não estaríamos a falar de um programa em exibição há mais de dois anos. Aquando da estreia, foi visto por cerca de 540 mil telespectadores, o que equivale a uma audiência média de 5,7%, tendo ainda registado um 'share' de 34,4%.
Na segunda semana (13 de Janeiro de 2003), perto de 750 mil pessoas – 7,9% de audiência e 36,5% de 'share'– assistiram àquela que era a mais recente aposta da SIC. Os melhores resultados foram conquistados no especial dedicado aos 11 anos do canal de Carnaxide – 7% de audiência e 38,8% de ‘share’, com perto de 670 mil espectadores –, transmitido a 6 de Outubro de 2003, e no especial de Natal – 4,4% de audiência e 38,7% de ‘share’, com mais de 400 mil espectadores –, a 20 de Dezembro de 2004.
O pior resultado registou-se a 1 de Junho de 2004, quando o programa foi visto por cerca de 180 mil espectadores. Mas realce-se o facto de ter sido emitido às 02h30 e a sua duração não ter ultrapassado os 14 minutos.

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