Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
5

50 FUNCIONÁRIOS FORA DA NOVA RTP

São entre quarenta a cinquenta os trabalhadores que vão ser excluídos da nova RTP - Rádio e Televisão de Portugal. Mas, o mais grave, de acordo com Margarida Ferreirinha, da Comissão de Trabalhadores (CT) da estação pública, é que estes funcionários "foram impedidos de trabalhar no dia 1 (quinta-feira)" porque foram considerados "desajustados pelas suas chefias", num processo que classifica de "arbitrário, ilegal e incorrecto".
4 de Janeiro de 2004 às 00:00
 A Comissão de Trabalhadores da RTP denunciou uma situação que considera grave
A Comissão de Trabalhadores da RTP denunciou uma situação que considera grave FOTO: Jorge Godinho
"As pessoas foram confrontadas com uma lista, no passado dia 30, com os nomes dos trabalhadores que transitavam para o novo operador de serviço público. E, das pessoas que não pertencem a essa lista, há pessoas que já foram proibidas de trabalhar e receberam ordens verbais das suas chefias nesse sentido", acrescenta.
De acordo com a CT, os trabalhadores que não constavam da referida listas "deviam ter sido avisados previamente pelos seus directores que tinham sido excluídos", o que "não se verificou". Margarida Ferreirinha não tem dúvidas que neste processo "há injustiças e perseguições pessoais" que abrange todas as áreas da empresa "principalmente as direcções de Informação e Programação".
O afastamento destes trabalhadores da RTP dá-se, segundo a CT, na sequência de uma avaliação profissional que, ao que tudo indica terá sido desfavorável, contudo, "muitas pessoas nem sequer tiveram conhecimento que estavam a ser avaliadas e desconheciam o resultado dessa mesma avaliação".
Quem discordasse dessa avaliação "teria oportunidade de se defender junto do presidente (Almerindo Marques) e do vice-presidente (Ponce Leão) da RTP, só que as pessoas não reagiram porque não sabiam que estavam a ser excluídas", acrescenta.
"Os responsáveis pelo canal estatal continuam disponíveis para ouvir a defesa dos trabalhadores, mas será que terão hipótese de ser reintegrados após essa defesa?", questiona.
A CT recorda ainda que, segundo a lista, são 1258 os trabalhadores que passam para o novo operador e não os 1600 que têm sido anunciados.
LUÍS MARQUES CONTESTA CT
Luís Marques, administrador da RTP, contesta as afirmações da Comissão de Trabalhadores da empresa sobre exclusão de funcionários e refere que "as pessoas não estão impedidas de trabalhar". "As que não passaram para o novo operador mantêm--se como funcionários da Rádio e Televisão de Portugal, que é a 'holding' do grupo, e ser-lhes-ão atribuídas funções de acordo com as suas competências e as necessidades da empresa", esclarece.
Quanto ao arquivo da RTP e às verbas que vão ser despendidas, Luís Marques refere: "Não são números da CT, são números que foram produzidos por um grupo de trabalho no âmbito de várias simulações feitas, que estão longe de corresponder à verdade". O administrador acrescenta que "a RTP não tem competência internas, ao contrário do que diz a CT, para produzir todo o processo de digitalização e restauro do arquivo. Basta dizer que só para equipamentos a RTP teria de investir cerca de 2 milhões e 500 mil euros para ter o material necessário a essa recuperação. Nós consideramos que não faz sentido, tendo o estado português mais duas entidades que fazem esse tipo de trabalho, uma delas é a Tóbis e a outra a Anime, estar a investir numa nova unidade de tratamento de filmes. Isto entra pelos olhos adentro de qualquer pessoa", adianta.
"17 MILHÕES EM VEZ DE OITO"
"A primeira e principal riqueza desta casa são exactamente os arquivos, daí toda esta polémica", refere João Mourato, da CT que acrescenta "existir na RTP pessoal especializado no restauro, que fizeram um curso em França, em 1998, a expensas da empresa".
Segundo a CT, os custos de recuperação do arquivo da RTP, atribuídos à Tóbis Portuguesa, custam, numa primeira fase (recuperação de 2 mil horas de filme), 1.3 milhões de euros e, se fossem feitos por trabalhadores da empresa cifravam-se em cerca de metade, ou seja 654 mil euros.
"Temos que nos lembrar que são os contribuintes que vão pagar a recuperação dos arquivos", adianta João Mourado que recorda: "A RTP vai pagar à Tóbis 17 milhões de euros por um total de 25 mil horas de arquivo, quando o mesmo trabalho poderia ser feito por oito milhões".
João Mourato revela ainda que o arquivo da RTP, no seu estado actual, foi avaliado pela Boston Consulting Group, em 185 milhões de euros.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)