Maria João Bastos não escapa à tensão que a sua personagem vive na novela. E levou uma estalada em plenas gravações.
Amor obsessivo, ciúmes doentios, auto-mutilação, depressão pós-parto, alcoolismo, loucura. Maria João Bastos encontra disto tudo na sua personagem da novela ‘Mundo Meu’, em exibição na TVI, e retira daí grande parte do prazer que lhe dá este trabalho. “Tenho pena que o final se esteja a aproximar. Cada vez apetece-me mais ir gravar porque tenho cenas cada vez melhores”, conta a intérprete de Sofia, umas das figuras mais marcantes da ficção portuguesa. Até aos derradeiros episódios a pérfida Sofia ainda promete fazer pior e a actriz, consciente disso, não abranda por um segundo a entrega ao trabalho. Mesmo que isso a obrigue a viver situações inesperadas, e desconfortáveis até.
Tanto empenho em cena já resultou em vários episódios caricatos. Maria João Bastos recorda um deles, quando se encontrava em estúdio com Margarida Vila-Nova (a doce Rita na novela) num momento de grande tensão: “A cena era tão intensa que nem me lembrei que ia levar um estalo naquela marcação. Estava a olhar fixamente para a Margarida e não me mexi. Tivemos que parar a gravação porque a mão dela estava marcada na minha cara! Fomos até ao limite.” Voltar à acção foi difícil, até porque as duas actrizes não conseguiam esquecer a tensão do momento.
Margarida Vila-Nova e Maria João Bastos vivem papéis antagónicos na história em que disputam o mesmo homem, João (interpretado por Carlos Vieira), um arquitecto hesitante em assumir as suas paixões. Mas na vida real são as melhores amigas. Nada que as atrapalhe quando se juntam em cena. “Somos muito parecidas a nível profissional,entregamo-nos da mesma maneira, vamos ao limite. E depois, existe uma grande confiança pessoal entre nós que nos permite viajar um pouco para além do que a cena pede”, defende Maria João Bastos. Margarida Vila-Nova também se envolve em excesso na novela. E, apesar da tradição madar que o casal de protagonistas termine a trocar promessas de amor até à eternidade, reconhece que o desfecho de Rita e João seria outro. “Depois destes meses todos de indecisões por parte do João, acho que a Rita devia regressar definitivamente a Paris. O João ficava em paz com a filha e tirava aquelas duas mulheres malucas da vida dele”, revela à Correio TV.
Verdadeira loucura é um dos estados da personagem que Maria João Bastos tem de encarnar com mestria. A actriz admite que a Sofia é muito absorvente, mas nem por isso deixa de a admirar. “Esta personagem exige muito estudo, muitas leituras, filmes, conversas. Não é só receber os textos. É sempre necessário levar algo mais para as cenas.” Tem sido assim desde o início da novela ‘Mundo Meu’. E Maria João Bastos sorri à possibilidade de figurar na lista das piores vilãs de sempre na ficção nacional. “Se isso acontecer é um reconhecimento do meu trabalho e ficarei feliz. Tenho dado muito de mim à Sofia.” Viajar para o estrangeiro é, de resto, um dos grandes planos da actriz para o período que se segue ao final das gravações da novela. Ela revela que serão umas férias longas, sem telemóvel e de mochila às costas. Depois, voltará ao Brasil para gravar mais programas de ‘No Comando’ (exibido pelo canal GNT) e o filme ‘A Antropóloga’, em que será a protagonista. No regresso a Portugal, logo se vê. Por agora, é tempo de se despedir de Sofia a quem deseja um final à altura de tanta maldade: “Vai terminar como merece, será castigada e vai sofrer. Mas o mais fantástico é que não muda nada. Não vai ficar boa nem redimir-se.”
A verdade é que, até aos episódios finais, exibidos em Março, antes da chegada da novela ‘Intimidades’ à estação de Queluz, Sofia ainda vai revelar muitas maldades e assim acentuar o seu carácter perturbado, apurou a Correio TV. Após uma tentativa falhada de homicídio contra Maria Luísa (interpretada por Alexandra Leite), a personagem interpretada por Maria João Bastos vai chegar a cometer um crime e matar, inadvertidamente, Inês (Sylvie Rocha). A pequena Madalena, filha de Sofia e João, será outra vítima da negligência da mãe. Uma série de contrariedades que adensam a personagem e obrigam a actriz a um trabalho árduo.
A experiência de Maria João Bastos foi conseguida em diferentes áreas da representação. Natural de Benavente, começou a fazer teatro amador ainda adolescente. Mais tarde estudou em Inglaterra e nos Estados Unidos e estreou-se como actriz na novela ‘Cinzas’. Participou em ‘Todo o Tempo do Mundo’, ‘Ganância’, ‘Só Gosto de Ti’ e ‘Alta Fidelidade’. Tornou-se conhecida também no Brasil, graças à sua participação nas novelas ‘O Clone’ e ‘O Sabor da Paixão’. Este ano, estreou-se no palco com a peça ‘O Método de Gronholm’. Além da representação, é presença assídua no mundo da publicidade. Recentemente, deu a cara numa campanha das Páginas Amarelas.
Apesar de mais nova, Margarida Vila-Nova bate-se de igual no que toca a representação. Aos 22 anos, a actriz quase não acusa o desgaste de nove meses de gravações, em que se desdobrou em duas para conseguir gravar a novela (entre Lisboa e Algarve) e subir ao palco com a peça ‘Por Uma Noite’ em várias salas do País. “O meu desejo é que 2006 seja um ano mais regrado em termos de trabalho. Não quero conciliar tantas coisas para poder tirar mais proveito de cada uma delas. Às vezes é difícil porque surge tudo ao mesmo tempo e eu não consigo dizer não”, refere à Correio TV.
Uma coisa parece certa, à falta de um convite verdadeiramente tentador, é certo que Margarida Vila-Nova não voltará tão depressa à televisão. “A TV tem o problema de rotular imenso as pessoas, de desgastar a imagem. Não seria sensato não fazer uma pausa. E depois, com uma personagem tão marcante como a Rita, mesmo que pintasse ou cortasse o cabelo, as pessoas iam logo fazer a associação”. O regresso ao teatro está garantido. Com um convite em mãos, três textos em cima da mesa para escolher qual deles irá produzir este ano e a peça ‘Por Uma Noite’ em digressão pelo País, a actriz prevê um ano quase inteiramente em cima do palco: “Só me apetece é voltar ao teatro, ao ritmo dos ensaios, de criar uma peça devagarinho, de pensar e repensar uma personagem”. Mas antes de mais, sublinha, seguem-se as férias. Dois meses a viajar pela Europa mais um salto a Nova Iorque para ver espectáculos e exposições seria o ideal. Mas a realidade pode ser bem dieferente: “Não sei o dia de amanhã. O telefone pode tocar e acabo por mudar os meus planos todos. A vida dá tantas voltas”.
MAIS UM EXEMPLO DE SUCESSO DA FICÇÃO PORTUGUESA
FÓRMULA RENOVADA
O sucesso da ficção portuguesa é inquestionável, e ‘Mundo Meu’ é disso exemplo. A telenovela estreou a 26 de Junho e logo se impôs como um caso de sucesso. Apesar de ser exibida em horário tardio, cerca das 23h00, tem-se mantido sempre na lista dos cinco programas mais vistos, tendo beneficiado também do sucesso conquistado por ‘Ninguém como Tu’.
Esta história gira em torno de Rita (Margarida Vila-Nova), filha de emigrantes em França, que se vê forçada a voltar a Portugal após a morte dos pais. Chegada ao aeroporto, choca com João, com quem acaba por se envolver.
O facto da trama ser filmada entre Paris, Lisboa e Algarve é outro chamariz para o sucesso desta novela. De há uns anos a esta parte, a produtora NBP, em consonância com a TVI, tem apostado em descentralizar as filmagens da ficção. Coimbra, Figueira da Foz, Porto, Aveiro, Évora e Faro foram alguns dos cenários escolhidos.
1,582 MILHÕES DE ESPECTADORES
É a audiência média de ‘Mundo Meu’, novela da Casa da Criação que se mantém na lista das mais vistas.
A LUTA ENTRE O BEM E O MAL
Rita e Sofia são as figuras centrais desta trama que, inspirada nos grandes clássicos, recupera o mi-to da luta entre o bem e o mal.
LUTA DE TALENTOS NA TELENOVELA
Maria João Bastos começou por ter um papel secundário na novela ‘Mundo Meu’. Sofia era apenas a outra namorada do apaixonado de Rita, mas à medida que a sua personagem cresceu, a actriz de Benavente foi roubando o protagonismo a Margarida Vila-Nova.
Neste momento, as cenas protagonizadas por Maria João Bastos são consideradas das mais fortes da ficção portuguesa. Terminada a exibição de ‘Ninguém como Tu’, em que a vilã Luiza (Alexandra Lencastre) sucumbiu à sua própria maldade, cabe agora a Sofia (Maria João Bastos) ocupar o papel da pior megera da televisão portuguesa. Um rótulo que aceita com satisfação.
MARIA JOÃO BASTOS
Idade: 30 anos
Naturalidade: Benavente
Licenciada em Comunicação Social, foi modelo da Elite. Estreou-se na novela ‘Cinzas’. No Brasil destacou-se em ‘O Sabor da Paixão’.
MARGARIDA VILA-NOVA
Idade: 22 anos
Naturalidade: Lisboa
Filha de uma produtora de espectáculos, estreou-se aos oito anos num musical de La Féria. Integrou ‘Ana e os Sete’, da TVI.
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