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Correio da Manhã

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À espera da indemnização

Passados três anos de ter sido ferida, em trabalho, com um tiro, Maria João Ruela ainda está à espera da indemnização do seguro que a protegia de eventuais acidentes na cobertura da Guerra do Iraque. Até à data, a jornalista da SIC apenas recebeu uma indemnização provisória durante os dois anos e meio que esteve de baixa, correspondente ao ordenado normal. Mas, de há três meses a esta parte, esse montante ficou reduzido a uma percentagem não divulgada que recebe da SIC.
22 de Agosto de 2006 às 00:00
A indemnização definitiva pelos ferimentos infligidos pelo tiro de Kalashnikov que levou no Iraque, ainda não foi fixada porque só agora os médicos atribuíram uma incapacidade permanente a Maria João Ruela, que ao que o CM apurou, é superior a 29 por cento. Por este motivo, apenas a partir de agora o Tribunal do Trabalho poderá – tendo em conta a idade da jornalista, os anos de trabalho, a data do acidente, a percentagem de incapacidade e o ordenado – fixar a indemnização definitiva.
Todavia, para lá dos montantes já disponibilizados, o seguro pagou, conforme a jornalista confirmou ao CM, “todas as consultas e cirurgias” necessárias.
Enquanto empregada da SIC, Maria João Ruela possui ainda, como é de lei, um seguro de acidentes de trabalho que, a breve prazo, também a irá indemnizar.
A demora de todo o processo é, porém, desvalorizava pela profissional: “A situação está a ser tratada de acordo com os trâmites legais. Só agora os médicos me atribuíram incapacidade permanente por isso apenas agora pode ser decidida a indemnização”. A jornalista sublinha ainda não ter qualquer razão de queixa “da companhia de seguros e muito menos da SIC”.
Uma vez que o prazo máximo para atribuir indemnizações é de três anos a partir da data do acidente, Maria João Ruela deverá ter o assunto resolvido até Novembro.
Maria João Ruela, recorde-se, não mexe a perna esquerda do joelho para baixo e admite não ter “controlo motor dos músculos, nem sensibilidade”. “Não sinto o pé, não posso correr e ando a coxear”, o que limita o trabalho que desempenha na SIC. “Numa cobertura de fogos, fico limitada, pois exige um esforço físico que não posso fazer, que é carregar tripés e andar de um lado para o outro”, exemplifica.
Apesar de tudo, a jornalista não pensa em abandonar a profissão e refere que, se fosse hoje, voltaria a ir para o Iraque e não se importaria de ter feito a cobertura do conflito entre Israel e o Hezbollah. E sublinha que, mal tenha tudo resolvido, não terá qualquer problema em dizer: “Mandem-me, por favor!”
ARRISCAR PARA INFORMAR
A missão de informar levou Maria João Ruela ao Iraque. Chegou àquele país a 14 de Novembro de 2003 e apenas 15 minutos depois foi ferida a tiro de Kalashnikov num ataque de bandidos armados à coluna de três jipes em que ela e mais oito jornalistas seguiam ao encontro dos militares da GNR.
O local foi a estrada que liga a fronteira Koweit/Iraque à cidade de Bassorá. Assistida no país pelos soldados ingleses, foi depois transportada para o hospital, onde diz ter sido “muito bem tratada e assistida por médicos que estão habituados a lidar com doentes atingidos por tiros”. Ruela veio para Portugal passados dois dias, no avião do INEM pois corria risco de vida.
PERFIL
Maria João Ruela tem 37 anos e é natural de Lisboa, onde reside. Repórter com experiência, está na SIC desde do nascimento da estação. É casada há dez anos com José Ribeiro da Silva, realizador dos jornais de Informação, e licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa, em 1991.
Enquanto estudava, trabalhou como ‘freelancer’ para os jornais ‘Público’ e ‘Independente’ e para uma empresa de turismo. Acabado o curso trabalhou durante um ano para uma empresa de ‘marketing’ e publicidade até que respondeu a um anúncio da SIC.
Começou como estagiária e depois foi contratada. Apresentou ‘Praça Pública’ e ‘Casos de Polícia’, passou para os serviços de administração da SIC e agora é pivô dos noticiários da televisão de Carnaxide e coordenadora do jornal de fim-de-semana.
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