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Correio da Manhã

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“A minha filha é a minha paixão”

Helena Laureano, Carolina em ‘Flor do Mar’, faz jus ao nome da novela. “Gosto de nadar e adoro o mar”, diz à Correio TV a actriz de 41 anos, que já foi Miss e que tem na filha, Beatriz, de dez anos, a “grande paixão”.
8 de Maio de 2009 às 00:00
Helena Laureano
Helena Laureano FOTO: Pedro Catarino

As audiências de ‘Flor do Mar’ mantêm-se no primeiro ou segundo lugar desde a estreia da novela. Como se sente, interpretando uma das personagens cruciais da história?

Ainda bem que temos tão boas audiências. É sinal de que estamos a fazer um bom trabalho, quer a nível dos actores, da parte técnica e da escrita dos autores – Maria João Mira, António Barreira e André Ramalho.

Que idade tem a sua filha? Ela gosta de ver a mãe na televisão?

A Beatriz tem dez anos. E tem muito orgulho de ver o trabalho da mãe, tal como o do pai, João Cabral, também actor. A minha filha é a minha grande paixão! Acho-me uma privilegiada.

A Beatriz revela algum talento para a representação?

Não especialmente. E diz que quer ser veterinária, o que acho óptimo. Mas é muito ‘teatreira’.

A Helena contracena com Almeno Gonçalves em ‘Flor do Mar’. Funcionam bem como dupla?

Nunca contracenara antes com o Almeno. E dou-me lindamente com ele.

Que rumo toma o casamento entre as vossas personagens, Carolina e André?

A relação entre a Carolina e o André vai dar água pelas barbas! E esta Carolina vai dar uma grande volta...

O que podemos esperar da Carolina?

Espero que as pessoas não me comecem a detestar... (risos). A Carolina não é má. Mas é uma mulher a quem mentiram durante 20 e tal anos. Tinha um casamento que achava extraordinário. Eles adoravam-se, até que ela descobriu que foi o marido quem trocou os bebés à nascença. De repente, ela sabe que o Pedro (Pedro Teixeira) não é o seu filho. Com isso, qualquer pessoa ficava passada da cabeça!

O que acontece daqui para a frente?

Ela começa a juntar as peças e descobre que o marido é um crápula. Eu e o Almeno até brincamos com isso, cada um a defender a sua personagem. Um diz: ‘Tu é que és um crápula!’ e o outro: ‘Não, tu és que és’.

Faz autocrítica?

Sim. Sou muito autocrítica com o trabalho. Quero sempre melhorar.

Há uma mudança radical?

A Carolina passa por grandes mudanças, sim. Por exemplo, na cadeia, para lidar com a amnésia, ela acreditava com tanta veemência na sua amiga imaginária que é como se a pessoa existisse mesmo. Há uma patologia nela. E vai dar uma volta, o que me está a dar dores de cabeça . E as pessoas não estão à espera!

São cenas muito intensas?

Sim. E complexas.

E implicam o filho verdadeiro de Carolina, Alex (Pedro Caeiro)?

Também. A volta que ela dá tem a ver com o Alex.

Como reage o público à emoção que a Helena dá à sua personagem?

Já me têm dito que faço as cenas parecerem verdadeiras. Eu explico que tem de ser assim e ainda dizem: ‘Mas está mesmo a viver aquilo. Não parece estar a representar!’ Isso também é porque eu sou muito emotiva.

É o seu cunho pessoal?

Claro que esta Carolina podia ser completamente diferente. Isso foi o que me disse a Maria João Mira. Os autores vão vendo como é que vou moldando a personagem que me é dada no papel, como se constrói e se transforma num ser humano. Isso tem a ver com o método de trabalho de cada um.

Esta novela tem gravações muito frequentes na Madeira. É cansativo para si?

Não me posso queixar. Houve uma semana em que fui duas vezes à Madeira. Esta semana, por exemplo, não fui vez nenhuma. Depende dos exteriores que gravamos. Há dias em que vou lá gravar uma única cena, portanto, o resto do dia usufruo daquele clima maravilhoso, vou para a piscina e estudo os textos. O que pode cansar mais são os voos.

Já conhecia a Madeira?

Sim, há imenso tempo. E acho a temperatura superagradável.

Na Madeira e em Lisboa, como é abordada pelo público?

Regra geral, de forma simpática. Dizem que gostam do meu trabalho e fico muito reconhecida por isso. Quando as miúdas vêm pedir-me autógrafos, falo com elas e dou-lhes beijinhos.

Lida bem com a fama?

Relativamente. Lido bem quando me falam do trabalho. Fico muito reconhecida quando as pessoas dizem que gostam do meu trabalho. Mas como sempre fui um bocado hippie, há pessoas na Madeira que nem me reconhecem quando estou ‘à civil’ e com o cabelo desgrenhado. No outro dia, numa loja, uma senhora disse-me: ‘Você está muito disfarçada!’ Expliquei-lhe que não era disfarce, que sou mesmo assim. E ela: ‘Mas parece muito mais nova’. Acho que essas comparações acontecem por a Carolina ser muito exuberante e eu toda ‘peace and love’ [‘paz e amor’].

Depois do ‘Miss Portugal’, não seguiu a moda?

Comecei a ser modelo fotográfico muito nova, ainda antes do concurso. E fiz várias fotos e anúncios para TV, como o da Sprite, com o Paulo Pires, quando éramos novíssimos! Mas não segui a moda, até por não ser muito alta. Depois, o Tozé Martinho telefonou-me para fazer ‘Caixa Alta’ [RTP 1, 1989] e, a partir daí, construí uma carreira em televisão, teatro e cinema.

Tanto em ‘Ilha dos Amores’ como em ‘Fascínios’ [TVI] calharam-lhe mulheres sofridas. Agora, em ‘Flor do Mar’, repete-se o cenário?

Sim. A Carolina também passa muito. Mas não é submissa como a minha personagem em ‘Ilha dos Amores’, Cecília, que até levava pancada.

Qual foi a sua formação como actriz?

Estudei no Instituto de Formação e Composição Teatral (IFICT) aos 24 ou 25 anos.

Guarda boas recordações dessa fase?

Sim. Tenho muitos colegas que eram do meu ano e que estão todos a trabalhar, como eu. É o caso da Gracinda Nave, da Anabela Teixeira e do Marco Delgado.

Mas já tinha começado a trabalhar como actriz antes do curso?

Já. Nessa altura, tinha feito, pelo menos, ‘Caixa Alta’ e ‘A Grande Mentira’.

Parece-lhe mais fácil, actualmente, um jovem enveredar pela carreira de actor?

Na verdade, sim. Agora há imensos cursos de representação e maiores possibilidades.

Tem muitos cuidados com a dieta e com a beleza?

Nem por isso. Tenho os cuidados essenciais. Uso creme de cara e de corpo. Mas sempre comi de tudo. Agora, que estou a atravessar a fase dos 40, tenho de passar a ter mais alguns cuidados.

Mora em Lisboa e tem ginásio ao pé de casa. Frequenta-o?

Quando era mais nova fiz muita ginástica. Actualmente estou inscrita no ginásio, mas há meses em que quase não vou lá, devido ao ritmo das gravações.

Como descansa desse ritmo de trabalho?

A minha preferência vai para a natação. Gosto muito de nadar e adoro o mar, a praia, o calor. Isso descansa-me. Eu sou do mar, nasci em Sesimbra. É uma paixão! E também gosto de melhorar a minha essência. Valorizo as pequenas coisas, como o dizer ‘olá’. Às vezes deixa-me triste o facto de existirem valores, como o respeito e a boa educação, que se vão extinguindo. Precisamos de olhar para a nossa consciência.

Que fará após ‘Flor do Mar’?

Não sei. Até porque a novela ainda vai a meio. Mas como tenho exclusividade com a produtora Plural, alguma coisa há-de vir. Entretanto, tenho em mãos uma peça que me foi dada para ler, mas que não é para já.

OS TÍTULOS DE BELEZA

PRÉMIO SIMPATIA 'MISS MUNDO'

Em 1988, Helena Laureano conquistou três títulos no concurso ‘Miss Portugal’: 1ª Dama de Honor, Miss Fotogenia e Miss Simpatia. Nesse ano, Isabel Costa foi a vencedora. Presente no ‘Miss Mundo’, Helena Laureano obteve a consagração como Miss Simpatia.

Reservada quando se recorda a fase em que participou no ‘Miss Portugal’, concurso de beleza que na época era organizado pelo ‘Correio da Manhã’, Helena Laureano confessa: 'Isso foi no século passado. E nem gosto muito de falar de mim'. Questionada sobre se a beleza lhe abriu muitas portas na carreira, brinca: 'Abre portas, abre janelas...'

PERFIL

DA TELEVISÃO AO TEATRO E CINEMA

Helena Laureano tem 41 anos e um vasto currículo como actriz. Na TV protagonizou ‘O Olhar da Serpente’ (2002, SIC). Entrou em ‘Caixa Alta’ (1989), ‘Cinzas’ (1992), ‘A Idade da Loba’ (1995) e ‘Vidas de Sal’ (1996), RTP, ‘O Jogo’ (2004, SIC), ‘Alves dos Reis’ (2000, RTP), ‘Ilha dos Amores e ‘Fascínios’ (2007, TVI). No teatro destacou-se em ‘ABC das Mulheres’ (2005) e ‘Vermelho Transparente (2006). Entrou nos filmes ‘Fatal’ e ‘No Dia dos Meus Anos’. É mãe de Beatriz, de dez anos.

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