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A moda que sai das séries de TV

Roupas, acessórios e adereços diversos utilizados nas séries juvenis podem ser adquiridos pelos telespectadores.

12 de setembro de 2008 às 00:00

Por dez euros é possível comprar uma camisola parecida com a que Mariana (Mariza Perez) vestiu em ‘Morangos com Açúcar de Verão’, da TVI, e muito em breve vão estar disponíveis na loja de uma conhecida cadeia de supermercados ‘t-shirts’ que a Lisa (Joana Alvarenga) usa para actuar com a banda de ‘Rebelde Way’, SIC. Os figurinistas propõem ou criam um estilo, os actores fazem dele moda, o público-alvo adere e as empresas que detêm o guarda-roupa fazem negócio. O fenómeno está a começar mas o merchandising de ‘Morangos’ já rendeu mais de 2,5 milhões de euros e o de ‘Floribella’ 4,5 milhões de euros.

O estilo irreverente de ‘Dr House’, de calça de ganga, ténis e blazer, há muito que cativou uma legião de fãs, provando que atitude e bons figurinos são garantia de sucesso das séries de TV. Por cá o conceito repete-se mas, em especial, com as séries juvenis. É entre os jovens que impera a vontade de vestir como os seus actores favoritos. Para responder ao desejo, há uma empresa, a Camarins, que faculta o acesso à indumentária que se vê em ‘Morangos com Açúcar’.

'O espólio de produções da SIC ainda é pequeno, por isso ainda não temos um guarda-roupa significativo', justifica Marta Iria, designer e figurinista da série juvenil ‘Rebelde Way’. 'Quando acaba uma temporada de ‘Morangos’, o corrupio é muito. As pessoas telefonam para saber onde podem encontrar a roupa que vestia o actor X ou Y. As fatiotas das Just Girls também foram um sucesso. É na Camarins, armazém onde fica o guarda-roupa de sobra e que pode ser reutilizado noutras produções, que se pode comprar estas peças. Abre ao público às quartas-feiras', revela a figurinista de ‘Morangos’, Catarina Pedro.

Porque o impacto visual em televisão é superior ao dos desfiles, a maioria das marcas nacionais, que trabalham com os figurinistas, 'fornecem a roupa a custo zero, e depois a produtora dá o retorno em cartões [publicidade]', conta Rui Castro, da Firma de Ideias, empresa que faz a comunicação e imagem de seis marcas nacionais a operar com as televisões. Certo é que o negócio é vantajoso para ambas as partes. 'Compensa sempre para as marcas. Por exemplo, quando enviamos para uma novela com cem peças, no valor de dois ou três mil euros, normalmente, o retorno em publicidade é muito superior. E não se trata apenas de roupa mas também de acessórios', explica o empresário.

No referido armazém encontram-se também peças de design criadas pelos figurinistas para algumas personagens e adereços diversos, desde sofás, quadros, candeeiros. Mas o que tem mais saída é, sem dúvida, o guarda-roupa. E vender o que sobra ou que não é reaproveitado revela-se então um negócio para a empresa da produtora da série, que desta forma tenta recuperar algum do investimento em figurinos. 'Para vestir cerca de 40 personagens por série, o ideal seria ter entre 30 a 60 mil euros, isto tendo em conta que no Inverno as colecções são maiores e a roupa mais cara', explica a figurinista Catarina Pedro.

Não restam dúvidas: a chamada ‘morangomania’ foi pioneira na influência da maneira de vestir e até em comportamento. Secundada pelo estilo ‘Floribella’e ‘Chiquititas’, ambas da SIC. Mas a estação pública não fica de fora neste fenómeno. Também as roupas dos actores mais jovens de ‘Vila Faia’ (RTP1) deram projecção a algumas marcas nacionais. E, ainda neste mês, uma conhecida marca vai patrocinar a nova telenovela da TVI, ‘Feitiço de Amor’, e a série 6.ª de ‘Morangos’. Mas este universo da moda que sai das séries para a rua pertence agora às produções juvenis dos dois principais canais concorrentes: ‘Morangos com Açúcar’, TVI, e ‘Rebelde’, SIC. '‘Morangos’ é, sem dúvida, uma série que faz moda, onde os miúdos se revêem, por isso faço por apresentar novas propostas. Nunca descurando o trabalho de figurinista, que é criar propostas consoante o perfil das personagens', revela Catarina Pedro. Opinião partilhada por Marta Iria: 'Os figurinos têm sempre de ser pensados em função do ADN das personagens e cabe-nos, depois, ser criativos quando de-senvolvemos uma colecção para cada uma.' Mas o toque pessoal dos figurinistas vai mais longe. Para a próxima temporada de ‘Morangos’, Catarina Pedro desenhou o guarda-roupa da professora Eunice (Maria Emília Correia). A TVI começa assim a chegar ao público sénior. A concorrente SIC investe, para já, nas camadas mais jovens: a figurinista Marta Iria quer arrasar com a marca de roupa que concebeu especialmente para a banda de ‘Rebelde Way’. 'É uma inovação em televisão mas ainda estamos a começar. Vamos ter uma pequena colecção à venda na Modalfa', revela.

FIGURINISTAS E CENÁRIOS

TRABALHO DE RESPONSABILIDADE

Para as figurinistas Catarina Pedro, 41 anos, e Marta Iria, 29, é ponto obrigatório seguir as novas tendências de moda e assumem que a 'responsabilidade é ainda maior' quando as séries têm grande sucesso. Elas criam o guarda-roupa com base no perfil das personagens, mas fazem questão de acrescentar pormenores que fazem a diferença. Uma diferença que brilha, depois, no décor. José Costa Reis, 60 anos, figurinista, é director de arte e responsável pelo décor de ‘Rebelde Way’ e disse à Correio TV que adorou criar os cenários. Mas, a menina dos seus olhos, é a estante da biblioteca do colégio. 'É um trabalho feito de raiz. É um móvel de características clássicas adaptado ao ambiente moderno do colégio de ‘Rebelde’'.

VESTIDOS DE IGUAL

SOCIEDADE FORMATADA

A influência das séries juvenis e infanto-juvenis é notória. Para os figurinistas significa maior responsabilidade nas escolhas, para os psicólogos a preocupação vai para a perda de individualidade. 'Temos tendência a imitar quem tem sucesso. Se o Cristiano Ronaldo aparecer de calças às bolinhas, tornar-se-à moda. Mas não tenho uma opinião negativa sobre o tema', refere o psicólogo Américo Baptista. Mas a ‘imitação’ é sempre 'redutora' e pouco criativa. 'Há, de facto, um conformismo do ponto de vista da moda social. A sociedade formata-nos com determinados modelos', continua o psicólogo. E a juventude é mais permeável. 'A adolescência e a infância são períodos fundamentais em termos de de-senvolvimento pessoal. É o período em que é importante fazer o apelo à individualidade', refere, concluindo: 'A sociedade faz o apelo à mediania.'

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