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Correio da Manhã

Tv Media
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A recordação de Diana

Chamaram-lhe a princesa do povo. A sua vida pareceu um romance. Não de Diana com Carlos, como o de Romeu e Julieta, mas com os britânicos. A imagem foi a sua flecha de Cupido. Terá sido isso que, na realidade, a matou?
7 de Setembro de 2007 às 00:00
Dez anos depois Diana foi recordada. Os canais portugueses de televisão, especialmente a RTP, recordaram o longo namoro de Diana com a imagem. As câmaras dos fotógrafos e das televisões adoravam-na. E ela sabia.
Por detrás da sua imagem tímida e frágil de quando casou com Carlos (como realçaram os primeiros documentários apresentados pela RTP) à figura complexa (como explicava Tina Brown, autora duma explosiva biografia sobre a princesa e antiga directora de revistas que souberam ler o mundo artificial das estrelas de Hollywood) foi um pequeno passo.
Saber se a sua morte foi conspiração, acidente ou resultado de um batalhão de ‘paparazzi’, é apenas quase folclore. O que interessa às televisões é essa atracção fatídica entre Diana e as câmaras.
O papel que lhe tinha sido atribuído (mulher do herdeiro da Coroa) transformou-se radicalmente: aos olhos da imprensa e dos britânicos ela surgia como a ‘modernizadora’. E isso fazia-se como? Através da imagem. Diana tornou-se um ícone. A imprensa tornou-a um mito e ela acreditou nisso. Conviveu com ela: vejam as imagens que os múltiplos documentários passam dela. Ela queria ter uma vida normal, talvez a partir do momento em que se apaixonou por Dodi.
Seriam, aos olhos de muitos, o casal multicultural que mostraria uma outra ponte, inclusive religiosa. Antes de se tornar uma mártir eterna, a princesa do povo de que falou o antigo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, Diana mostrou as fragilidades da Coroa num mundo dominado pela imagem. Algumas das reportagens que vimos parecem encontrar o culpado perfeito da sua morte, nas ruas de Paris, conduzida a alta velocidade por um condutor embriagado: os ‘paparazzi’ e, em última escala, a imprensa que segue os famosos. Como se o sucesso dos famosos não se fizesse através da obsessiva busca de aparecer nas páginas das revistas e dos jornais.
Diana, parecem todas as reportagens (e a própria Tina Brown) chegou a um ponto em que sofria por ser o alvo de tanta atenção. Mas sigam-se os seus passos e, por momentos, não pensemos na tragédia que foi a sua morte, e sim na sua imagem. Na diva em que se tornou, não porque foi princesa e poderia um dia ter sido rainha. Mas porque a imagem que criou a marcou para sempre. Ofuscando todos os seus sentimentos. E mesmo a sua necessidade de, um dia, ter uma vida feliz.
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