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Correio da Manhã

Tv Media
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A telenovela que foge à regra

As belas ilhas dos Açores têm sido o palco de uma das mais bem estruturadas telenovelas da fábrica TVI dos últimos anos. Mas ainda assim algumas das personagens denotam grandes fragilidades.
9 de Novembro de 2007 às 00:00
A telenovela ‘Ilha dos Amores’ aproxima-se vertiginosamente do fim e, mesmo apesar de alguns defeitos, foi uma das mais bem estruturadas da ‘fábrica TVI’ de produção deste tipo de programas.
Hoje as telenovelas estão sujeitas a regras mais ou menos estabelecidas e raramente conseguem fugir a elas. A receita vem nos livros de culinária deste prato do ‘prime time’ e são alguns pormenores de enredo e os actores que as podem diferenciar. O que é importante é a forma como se dá dimensão às personagens e se torna plausível o tema (o amor, a traição...). Nesses aspectos, ‘Ilha dos Amores’ conseguiu, de alguma maneira, criar personagens com um querer próprio e com conflitos psicológicos que não são comuns. Madalena, nesse aspecto, é um bom exemplo.
A maldade sibilina encontrou ali uma actriz que a incarnou na perfeição. O que é difícil. Já Mariana é uma personagem cuja dimensão oscila intermitentemente entre a rebeldia com sentido e a fragilidade inócua. Mas onde se nota talvez a grande oscilação no argumento é no papel das personagens que pareciam ser centrais em toda a história, Clara e Tomé. A primeira vai perdendo ao longo do enredo o seu papel de pólo central que dinamiza a história (tudo já parece acontecer sem a sua intervenção: ela não arrasta os outros, é arrastada). O segundo vai surgindo, cada vez mais, como alguém cujo histerismo não tem sentido e em que as raivas se sucedem como se fossem mudanças de humor consoante está Lua Nova ou Quarto Minguante.
É por isso que, após tantas desconfianças arquitectadas ao longo da telenovela, parece altamente improvável que os dois possam terminar juntos. Há algo que aí definitivamente não cola: tanta desconfiança não pode terminar com um agradecimento. Ao contrário da paixão de Miguel e Mariana, bem mais plausível. As personagens que parecem mais sensatas (Maria, Pedro) têm um papel lateral e pouco trabalhado.
Há, por outro lado, uma grande concentração das personagens ‘más’ nas mulheres: estas surgem na maioria dos casos como manipuladoras sem pudor. Os homens são, quase sempre, bonecos nas suas mãos. É certo que é isto que pode chamar espectadores mas ainda assim deveria ter existido maior equilíbrio. Afinal a beleza natural dos Açores propicia paz de espírito. Algo que muito poucas personagens parecem ter tempo para apreciar...
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