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Correio da Manhã

Tv Media
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A TV num ano desastroso

Às vezes este pareceu um ano a preto e branco na colorida televisão nacional. Passou um ano mas a televisão generalista continua a viver num círculo vicioso, como se ainda não tivesse entendido os desafios que a próxima chegada da TDT e o contínuo crescimento dos canais por cabo representam. As audiências continuam a pulverizar-se e os programadores dos canais generalistas sentem-se sem capacidade para arriscar.
31 de Dezembro de 2009 às 00:00
A TV num ano desastroso
A TV num ano desastroso

Ou pior: quando falam em arriscar, apresentam mais do mesmo. A TVI, em 2009, continuou a dominar através das suas ainda demolidoras telenovelas (embora, em muitos casos, se note já um profundo cansaço dos criadores e, também, de alguns actores, que passam o tempo a interpretar o mesmo papel em novelas diferentes). O desaparecimento do ‘Jornal’ de Manuela Moura Guedes deixou a informação da TVI mais cinzenta e isso é visível na TVI24, apesar de alguns momentos onde existem ideias que deveriam ser melhor exploradas. A TVI continua a vencer, mas começa a precisar de pensar na fase seguinte, porque a chiclete começa a ficar sem gosto. A SIC continua a sua estratégia ziguezagueante, a tentar ver o que dá. ‘Salve-se Quem Puder’ foi uma aposta na área do entretenimento que venceu, apesar da sua fragilidade, mas as propostas seguintes revelaram-se desastres sem sentido. Os Gato Fedorento, durante o período eleitoral, animaram as audiências, mas o que ganharam depressa se perdeu com debilidades mentais como ‘M/F’, onde não se percebia o que Bárbara Guimarães e Eduardo Madeira andavam ali a fazer. Na SIC, o forte continua a ser a informação, sempre a mais móvel e inovadora quando é preciso. A RTP 1 continua a viver como se não fosse um canal de serviço público: futebol, telenovelas brasileiras, concursos e humor (algum desastroso) são a sua espinha dorsal. Sobraram alguns bons documentários e ‘Conta-me como Foi’. É pouco. Falta cultura, educação, séries e tanta coisa mais que, às vezes, dá dó. Em geral os espectadores portugueses mereciam mais diversidade e mais nível nos canais generalistas. Mas o futuro não se antevê melhor.

‘NARUTO’

Naruto foi o nome que deu expressão mundial à manga japonesa. Saltou rapidamente dos livros de banda desenhada para a televisão, através de uma série de animação que tem sido divulgada em todo o Mundo. Se nela se vive no mundo da fantasia, não é menos verdade que há valores sólidos que transmite (a amizade e a solidariedade), especialmente face aos vilões que surgem amiúde na série. O jovem Naruto é, no entanto, solitário e pretende apenas tornar-se num ninja que todos respeitem. O fascínio que o universo das mangas tem desencadeado no Ocidente é perfeitamente compreensível se seguirmos com atenção estas aventuras. Há aqui uma complexidade psicológica que tem tudo a ver com as sociedades urbanas, apesar de Naruto viver numa pequena povoação e longe da tecnologia que hoje está sempre presente no mundo dos mais jovens.

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