Três anos depois de ‘Masterplan’, Herman José regressa à condução de um ‘reality-show’. É de ‘Senhora Dona Lady’, mas também do ‘Herman SIC’, que Herman José fala à Correio TV. Os programas humorísticos parecem já fazer parte do passado de um artista que se sente realizado enquanto apresentador do seu ‘talk-show’.
- Há mês e meio, o Herman disse à Correio TV que se sentia como “peixe na água” no projecto ‘Senhora Dona Lady’. Quais são as características do programa que o levam a fazer essa afirmação?
- Adoro tudo o que mexa com pessoas, sentimentos, imprevistos, surpresas. A lógica dos ‘reality shows’ permite explorar todos esses ingredientes e viver a sensação de se trabalhar no arame. Acho também que são um tipo de programas que combatem a endémica tristeza que se vive neste Portugal recessivo, pessimista e sem horizontes.
- Que diferenças encontra entre o ‘Senhora Dona Lady’ e o ‘Masterplan’?
- Muitas. O ‘Senhora Dona Lady’ tem uma componente infantil e lúdica, o que torna um produto mais visível e divertido que o ‘Masterplan’. Em comum terá o factor risco, já que em ambos os casos há uma vertente experimental e pioneira.
- Hoje em dia, sente-se melhor preparado para enfrentar um ‘reality show’ do que naquela altura?
- Hoje em dia estou melhor preparado para tudo, menos para a morte, o único problema que não tem nem solução, nem ‘glamour’, nem reverso.
- Ainda acredita que os ‘reality shows’ são a melhor forma para desenjoar da programação convencional?
- Há dias passava eu pela capa da revista ‘Stern’, cujo título dizia mais ou menos isto: “Saiba as razões porque a televisão se está a tornar tão chata”. Passei o artigo na vertical, e a principal razão apontada, era sobretudo a previsibilidade e monotonia que se instalaram na maior parte das programações. São justamente atrevimentos como os da ‘Senhora Dona Lady’ que vêm apimentar a grelha.
- Entre a SIC e a TVI, vão ser emitidos três ‘reality shows’. Não enfrentamos o risco de saturar as grelhas com esse tipo de formato?
- É a lei das modas. Nascem, são exploradas até à exaustão e morrem por si. No caso dos ‘reality shows’, e a ver pelas últimas feiras do audiovisual, a moda ‘reality show’ está longe de se esgotar. Mais do que parar para analizar e criticar o fenómeno, a lei do mercado aconselha a velha máxima “se não os podes vencer, junta-te a eles”.
- Vai acompanhar de perto as gravações de ‘Senhora Dona Lady’?
- Nunca aceito qualquer desafio sem me entregar de corpo e alma. Seja programas de televisão, livros de culinária, bares de ‘stand-up’, artigos de jornal... É claro que vou estar o mais atento possível, e sempre disponível para ajudar a tornar a coisa mais interessante e divertida.
- A SIC escolheu a Sílvia Alberto para apresentar os magazines diários. Que importância poderá ter ela nas galas?
- A Sílvia é definitivamente uma cara maior da estação por mérito próprio. É bonita, trabalhadora, fiável e muito civilizada. Já fez a sua prova de fogo na apresentação de duas edições dos Globos de Ouro, e é com certeza a companhia para dar consistência e ‘glamour’ às nossas galas.
- Que opinião tem sobre as personalidades que vão ocupar os lugares de consultores?
- Ainda não conheço a lista.
- E sobre os comentadores?
- O Oceano é um gentleman, e com alguma autoridade para falar de fêmeas, ou não fosse ele companheiro de uma das mais fogosas mulheres do panorama audiovisual português [Marina Mota]. A Ana Marques é frágil só de aspecto. É robusta de carácter e riquíssima de cultura. Tem as ideias muito arrumadas e será uma excelente referência. A Xana [Guerra] é a nitroglicerina do grupo. Inofensiva quando deixada em paz, explosiva quando abanada. Parece-me um bom grupo.
- Contrariando a tendência da TVI nos últimos anos, a SIC aposta em concorrentes anónimos. Porquê?
- Um bom ‘reality show’, a ter êxito, fabrica em pouco tempo as suas vedetas, não precisa de as herdar. foi assim com o Zé Maria, o Marco, a Gisela Serrano, o Nelson, e tantos outros.
- A sua ‘relação’ com João Kléber foi inicialmente marcada por uma troca de palavras algo dura. Como estão as coisas neste momento?
- Ouvi dizer que o Kléber me tem algum pó. Ao que me garantem, mesmo muito pó. A mim nada me move contra ele.
- Já foram apresentados?
- Não. E confesso que não anseio por esse momento. (risos)
- O ‘Herman SIC’ regressou no fim-de-semana passado. A nova série de programas vai incluir alterações significativas no seu formato?
- Vamos como até aqui, “evoluindo na continuidade”. Com muito trabalho, muita variedade, muito profissionalismo, e sobretudo uma imensa alegria de fazermos o programa que gostamos num canal que nos estima e apoia.
- Os primeiros convidados da nova série foram o Zezé Camarinha e a Arlinda Mestre. Por que motivo optaram por essas personalidades? Foi uma escolha pessoal do Herman ou passou por um critério da SIC?
- O critério de cada programa vive do binómio pessoas disponíveis / capacidade de surpreender. Num pequeno País como o nosso, não é tarefa fácil, mesmo contando com o apoio incondicional de uma direcção de programas militante e amiga.
- O facto do ‘Fiel ou Infiel?’ estar a passar num horário similar teve influência nessa escolha?
- O que é isso? Um xarope para a tosse? Um programa da TV shop? Um filme pornográfico? (risos)
- Ainda não se cansou do formato ‘talk-show’?
- Nada. É um formato que permite tudo, e onde está tudo por fazer. Apesar dos muitos anos de rodagem, sentimos que ainda não passamos do primeiro ciclo. O melhor ainda está para vir!
- Em Junho, disse à Correio TV que em Portugal não existe assunto nem público para esse formato. Nesse caso, porque se mantém a aposta no ‘Herman SIC’?
- O que eu disse, é que não havia público nem assunto para que o ‘Herman SIC’ passasse a diário, como acontece nos EUA.
- Sente que o público português tem saudades dos programas exclusivamente humoristas do Herman?
- O público sente saudades de tudo aquilo que não tem. Se eu fosse na edição 12893 do ‘Tal Canal’, pode acreditar que já me deitariam pelos olhos!
PASSADO CONTRA O PRESENTE
O ESPAÇO NA COMÉDIA
“Na arte, ninguém ocupa o espaço de ninguém. O êxito do Robin Williams não acabou com o Sinatra, nem a Mariza com a Amália. Cada acção tem a sua importância, cada êxito o seu momento e a sua razão de ser.”
O APELO DA ESTRADA
“À minha maneira, ainda ando na estrada. Continuo a fazer espectáculos, não em tão grande número como há 20 anos, mas não deixo de aceitar algumas das muitas solicitações que me fazem ao longo do ano.”
CENAS DE UMA CARREIRA
'PARABÉNS' - RTP1
Apresentada originalmente no ‘Parabéns’, a imitação do escritor Baptista Bastos foi um dos bonecos mais conseguidos por Herman José.
HERMAN SIC - SIC
O hilariante Nelo é um expoente do humor sarcástico de Herman. Graças a essa figura, o apresentador devolveu a palavra ‘resmas’ à linguagem comum.
GLOBOS DE OURO - SIC
Herman é o apresentador por excelência da cerimónia de entrega dos prémios de televisão, criados pela SIC. E já levou o Globo de Ouro de apresentador para casa.
HERMAN SIC - SIC
No dia 5, Herman José regressou aos directos do seu ‘talk-show’ dominical ‘Herman SIC’ com mais convidados polémicos: Arlinda Mestre e Zezé Camarinha.
Herman José nasceu a 19 de Março de 1954, filho de pai alemão e mãe portuguesa. Em 1975 estreia-se ao lado de Nicolau Breyner na rábula ‘Sr. Feliz e Sr. Contente’. Em 1981 cria Tony Silva (‘Passeio dos Alegres’, RTP1). ‘O Tal Canal’ marca o arranque em programas de humor. Seguem-se ‘Hermanias’, ‘Humor de Perdição’, ‘Casino Royal’, ‘Parabéns’ e ‘Herman Enciclopédia’. Em 2000 estreia ‘Herman SIC’, na SIC.
OS TRANSFORMISTAS ESTÃO A CHEGAR
Dentro de exactamente uma semana, onze concorrentes vão dar entrada na ‘Casa das Bonecas’ e abandonar a sua condição masculina. Por 50 mil euros, eles vão tentar aguentar dez semanas de depilação, saltos altos, tarefas femininas e provocações. Uma vez por semana dois concorrentes vão suportar a angústia das nomeações.
Um deles será o mais votado pelos colegas. O outro será escolhido pelo próprio nomeado. Mas haverá a hipótese de escapar a essa votação. Para tal, basta que cumpram uma tarefa específica para garantir a imunidade. Sílvia Alberto acompanhará o dia-a-dia dos onze concorrentes e o apresentador Herman José será o mestre de cerimónias nas galas de sexta-feira à noite.
António Borges (35 anos), Ederson Tomasi (21 anos), Filipe Nunes (31 anos), Hélder Alves (24 anos), Jaime Silva (33 anos), José Manuel Simões (48 anos), Nuno Carvalho (32 anos), Paulo Gonçalves (34 anos), Pedro Neves (29 anos), Sérgio Torres (26 anos) e Vítor Sousa (22 anos).
Xana Guerra (especialista em moda), Oceano (ex-futebolista e empresário) e Ana Marques (apresentadora de televisão) são os comentadores de serviço, que na gala semanal vão criticar os concorrentes. O mais votado fica em competição, aquele que tiver menos votos é eliminado.
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