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Correio da Manhã

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AL-JAZEERA CHEGA AO OCIDENTE

A televisão do Qatar al-Jazeera, uma espécie de CNN árabe que ganhou reputação internacional com a divulgação de comunicados de Osama bin Laden e de outros dirigentes da al-Qaeda, vai chegar ao Ocidente em 2003. O primeiro passo vai ser dado através de um ‘site’ em inglês, em Fevereiro, e depois será lançado um canal televisivo também em inglês, com produção própria, no final do próximo ano.
29 de Dezembro de 2002 às 16:49
AL-JAZEERA CHEGA AO OCIDENTE
AL-JAZEERA CHEGA AO OCIDENTE
A al-Jazeera revolucionou a comunicação social no Médio Oriente. Desde que começou a transmitir, em 1996, a televisão introduziu numa região habituada a apertados controlos governamentais um jornalismo livre, directo e sem outra contemplação que o desejo de informar. A sua reputação chegou ao Ocidente no rescaldo dos atentados do 11 de Setembro de 2001, por ser a fonte das imagens e das palavras de Osama bin Laden a respeito do dia que mudou o Mundo.

Sediada no pequeno reino do Qatar, a al-Jazeera foi financiada desde a sua fundação e até 2001 pelo monarca local, xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, com subsídios no valor total de 150 milhões de dólares (sensivelmente o mesmo valor em euros). Durante estes primeiros anos de vida, a emissora conseguiu incomodar os governos de alguns países da região e conquistar 135 mil assinantes nos Estados Unidos da América, através da TV satélite DISH, razão pela qual já introduz actualmente alguns subtítulos em inglês em programas de informação.

Paradoxalmente, o jornalismo frontal da al-Jazeera levou à expulsão da emissora de alguns países árabes aliados dos EUA na região, como Arábia Saudita, Bahrain, Jordânia e Koweit. À margem dos aliados dos EUA, a al-Jazeera foi também expulsa da Síria e motivou um conflito diplomático entre a Líbia e o Qatar. Há quem diga, no entanto, que – talvez por razões económicas – a frontalidade jornalística da al-Jazeera não se aplica às questões domésticas, tratadas com ‘luvas de lã’.

A suspensão do financiamento do monarca do Qatar é, talvez, a principal razão para a estratégia de expansão da al-Jazeera a Ocidente. Os editores da emissora procuram receitas publicitárias e prometem conteúdos em inglês e de produção própria, que não sejam uma tradução da produção central, mas informação especialmente destinada a uma audiência ocidental, onde seja reforçada uma das vantagens estratégicas desta televisão: dar o enquadramento árabe da notícia. Não é uma questão menor. Como refere o director-geral da estação, Mohamed Jasem al-Ali, uma recente sondagem mostrou que 60% dos britânicos não sabem que os territórios palestinianos estão sob ocupação militar israelita e é preciso lembrar aos ocidentais que os seus países apoiaram Saddam Hussein na década de 80.

A alvorada da al-Jazeera em inglês no Ocidente pode acontecer já no próximo mês de Fevereiro, através da Internet. A estação já tem um ‘site’, em www.aljazeera.net, mas todos os conteúdos estão escritos em árabe, à excepção da publicidade ao patrocinador, a transportadora aérea do Qatar. Actualmente, 39% dos leitores do ‘site’ acede da América do Norte e da Europa. Daqui a dois meses, a al-Jazeera já deverá ter on-line um ‘site’ em inglês, que deverá explodir em audiência com segunda Guerra no Golfo, prevista, precisamente, para Fevereiro de 2003.

A meio do próximo ano, a al-Jazeera vai começar a emitir boletins noticiosos em inglês e no final de 2003, mais tardar no começo de 2004, vai lançar um canal próprio de televisão em inglês. Para o público ocidental trata-se de uma importante janela aberta para um local do mundo mais politizado e mediatizado que conhecido e apreciado. É, portanto, um elo fundamental para a tal aldeia global de que tanto se fala mas da qual não sabemos tirar o devido proveito, em termos meramente humanos.
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