Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
2

ALMERINDO MARQUES: AVALIAÇÃO NÃO IMPLICA RESCISÃO

Almerindo Marques, presidente do conselho de administração da RTP, reuniu-se ontem com as várias direcções da estação para fazer o balanço do programa de reestruturação - Projecto Fénix. Satisfeito com a actual situação, o responsável falou das avaliações e recusou qualquer polémica com o director de Informação, José Rodrigues dos Santos.
3 de Julho de 2003 às 00:00
Correio da Manhã – Quais as conclusões da reunião?
Almerindo Marques – Estiveram na reunião as direcções e os restantes quadros que participam nos diversos grupos de trabalho que estão a fazer a aplicação do Projecto Fénix. O que se fez foi analisar o seguimento de cada uma das 30 acções que faziam parte do projecto. Algumas já estão terminadas, outras estão a meio, e o que se fez foi um ponto de situação global de evolução de cada uma das acções integradas no projecto.
– Qual o balanço?
– Foi uma reunião bastante rica e participada. Estiveram presentes todos os grupos de trabalho, que estavam bem documentados sobre as acções em curso, e houve uma troca de perguntas e respostas, nomeadamente da parte de quadros que só conheciam lateralmente as acções nas quais não participam directamente. Há uma conclusão muito positiva do que já foi feito, aliás já são conhecidos vários resultados, e torna-se fortemente provável finalizarmos o processo na data prevista, ou seja, até ao fim do ano.
– Qual a situação do Canal Memória?
– O canal está pronto para lançar, já iniciámos as negociações com a TV Cabo e logo que estejamos em fim das negociações será lançado, o que está previsto para Outubro.
– Será a direcção de programas da RTP a escolher a programação do Canal Memória?
– Não, terá um grupo específico que será responsável directo pelos elementos do canal. Mas sem prejuízo de duas ou três coisas que são obviamente de integrar na restante estrutura da RTP, nomeadamente o aproveitamento das sinergias globais da RTP, no que respeita a programas, a arquivos, etc, e também é óbvio que é um canal que tem que se integrar nas regras de funcionamento de uma empresa como esta. Por uma haver uma pequena equipa especificamente afecta a esse projecto, não significa que não esteja completamente integrado e em permanente sinergia com as estruturas da RTP.
– E o Canal do Conhecimento?
– Estamos a chegar ao ponto de iniciar as actividades desse canal, ou seja, há em curso um processo de negociação com várias entidades interessadas na parceria. O canal está devidamente estruturado e o lançamento também está previsto para Outubro.
– O que se passou no processo das avaliações?
– Não houve processo de avaliações. Há um equívoco base, que é considerar isto um processo de avaliação pessoal. O que houve foi um processo de análise da adequação e das condições de integração dos recursos humanos existentes na actual RTP com vista a definir a sua inserção nas futuras estruturas a criar, nomeadamente o novo operador de serviço público. Para fazer esse trabalho é evidente que houve recolha de elementos curriculares, que não coincide com uma análise de desempenho. Houve, sem dúvida nenhuma, uma classificação das pessoas que estão mais ou menos próximas da inserção na nova empresa e em outras novas estruturas que estão a ser criadas. Mas isso continua a ser uma coisa que não coincide com qualquer avaliação de desempenho.
– Mas na avaliação não deveria haver uma distinção entre, por exemplo, jornalistas e administrativos?
– Se tivéssemos a fazer uma avaliação de mérito, sim. A pergunta é muito simples e tecnicamente facílima de responder: quando se está a fazer uma avaliação de mérito, tem que se fazer a avaliação das pessoas por funções homogéneas. Vem nos manuais de qualquer processo de avaliação, mas não era disso de que se tratava. Tratava-se de um processo diferente em que era importante saber se o jornalista A, B ou C ou qualquer técnico ou administrativo estão ou não em condições de integrar nas novas estruturas a criar no grupo. E é isso que está em análise.
– Então, qual o objectivo da avaliação?
– Não está em causa outra coisa que não a adequação e a integração dos recursos humanos nas novas estruturas e, consequentemente, não está em causa a manutenção ou não dos contratos de trabalho. Toda a gente nesta casa sabe que está fixado como objectivo para este ano 1600 trabalhadores para as empresas todas. Neste momento não sei quantos haverá, mas na altura em que circulou esse papel julgo que estávamos em 1800 e pouco. Desses, cerca de 70 têm já devidamente programadas as suas saídas por processo de adesão voluntária. Restam 130. Desses 130, há 60 e poucos que são contratos de trabalho a prazo que não serão todos renovados. Mas em nenhuma circunstância haverá um ajustamento até ao fim do ano superior a cem empregados. É sempre menos do que isso. É do conhecimento público que estamos a equacionar o problema exclusivamente em relação às pessoas que têm disfunção profissional, entenda-se anos que não estão em desempenho activo do trabalho. Estão a ser analisadas essas situações, se as causas são da empresa ou dos próprios ou se são por outras situações. E não há qualquer razão para associar o documento que classificaram de avaliação a uma base a qualquer rescisão contratual.
– O director de Informação, José Rodrigues dos Santos, afirmou no início que não fez avaliações, depois admitiu que sim e mais tarde disse que os resultados não correspondem aos que fez...
– Não há nenhuma contradição nos termos. Não é avaliação, portanto o dr. José Rodrigues dos Santos fala verdade quando diz “não fiz avaliação nenhuma”. Não há um documento de avaliação. É verdadeira a primeira afirmação, porque não fez nenhuma avaliação, e é verdadeira a segunda, porque fez um conjunto de considerações associadas a esta temática, que era o objectivo último do trabalho em causa feito por uma entidade externa. É óbvio que não houve classificações, porque aquilo era um elemento com vários ponderadores feito por um algoritmo técnico que ele próprio não conhecia. Aquilo é um trabalho feito por um consultor externo com base em critérios dos próprios consultores.
– O caso não provocou mal-estar entre a administração e a direcção de Informação?
-- Nenhum. Houve sim alguma perturbação por virtude dos pretensos juízos feitos na comunicação social relativamente ao conteúdo do documento. Isso foi objecto de um esclarecimento entre o José Rodrigues dos Santos e os seus colaboradores.
PERFIL
Almerindo Marques, 63 anos, é economista e dedicou a sua vida à banca. O actual presidente do conselho de administração da RTP passou pelos bancos Fonseca & Burnay, Barclays e Caixa Geral de Depósitos. Almerindo Marques assumiu a direcção da estação pública há um ano, mais precisamente no dia 22 de Julho, e de imediato anunciou uma verdadeira revolução na empresa.
A gestão rigorosa que o Governo pretendia para a RTP tem sido levada à letra pela actual administração, que, recentemente, apresentou as contas do exercício relativo a 2002 e anunciou a redução do prejuízo da empresa pública em 34 milhões de euros.
No entanto, Almerindo Marques tem ainda um longo caminho a percorrer. E tal como o próprio anunciou, a RTP tem uma dívida acumulada de aproximadamente 1 300 milhões de euros.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)