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Correio da Manhã

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AMOR E CORAGEM EM APOSTA DE QUALIDADE

Um texto sólido, uma interpretação de luxo capaz de comover a equipa de montagem, realização esmerada e iluminação minuciosa caracterizam os 13 episódios da série de Moita Flores que a RTP estreia a 13 de Setembro.
28 de Agosto de 2004 às 00:00
Ver Catarina Furtado com mais de 60 anos e Filomena Gonçalves acamada com 80 é uma das principais curiosidades de ‘Ferreirinha – A Rainha do Douro’, a nova série portuguesa de Francisco Moita Flores que a RTP 1 estreia no próximo dia 13.
Uma grande produção em que a televisão pública aposta fortemente, assente num texto e realização bem cuidados, em magníficas interpretações e num notável trabalho de caracterização, que a Correio TV já pôde comprovar, com o visionamento de parte significativa da obra. Baseada na história de Antónia Ferreira, a empreendedora empresária do Vinho do Porto, que enviuvou aos 33 anos e foi capaz de lutar a pulso pelos seus sonhos, a série será exibida semanalmente em horário nobre.
Depois de ‘Os Távoras’, o trabalho mais premiado da produtora Antinomia, Moita Flores, não tem dúvidas: ‘Ferreirinha’ “vai ser uma referência da televisão, porque é claramente superior”. Em fase final de produção, o trabalho foi realizado por Jorge Paixão da Costa e protagonizado por Filomena Gonçalves e Catarina Furtado, demorou três meses a ser gravado na zona do Porto e reproduz com fidelidade uma época histórica notável. O resultado final, garante Moita Flores, é “excelente”. “A equipa de montagem, ‘calejada’ nestas andanças, até “chorou comovida” com o vigor interpretativo do elenco que compõe a série.
De regresso aos trabalhos de época está Filomena Gonçalves. A actriz, que envelhece 40 anos, sublinha que “para qualquer actor, equipa de caracterização e iluminação, esta situação é um grande desafio”.
“Deu-me um prazer especial fazer esta série porque tive um grande texto para representar, que me exigiu uma enorme entrega enquanto actriz. Conhecia a história de D. Antónia e achava que valia a pena falar da sua vida, porque é exemplar e ainda hoje pode ser citada com orgulho por qualquer mulher que trabalhe e lute pelos seus objectivos”, afirma entusiasmada.
A APOSTA NA QUALIDADE
A narrativa de ‘Ferreirinha’, que conta a história de labor de Antónia Ferreira e a de amor de Camilo Castelo Branco, tem um elenco de luxo, onde pontificam nomes como Catarina Furtado, João Reis, Henrique Viana, Filipe Duarte, António Capelo, Rui David e Vítor Rocha. Reparando, a dada altura, que os destinos do escritor Camilo Castelo Branco e de Ana Plácido se cruzavam com a vida da família de Antónia Ferreira, Moita Flores decidiu incluir na narrativa esta grande história de amor que termina de forma trágica. Apesar da enorme paixão que ligava Camilo a Ana Plácido, o escritor acabaria por suicidar-se depois de saber pelos médicos que iria perder a visão.
João Reis foi o actor escolhido para interpretar o papel de Camilo e, graças ao trabalho de caracterização, ficou irreconhecível. Agradado com o resultado final, João Reis disse à Correio TV que “a caracterização deve ajudar o actor a fazer o processo de transfiguração”. “Se aquela personalidade existiu na realidade, é preciso que a personagem se aproxime dela o mais possível”, explica.
Trabalhar com Jorge Paixão da Costa e Moita Flores foi, para o actor, “uma valiosa experiência que gostaria de voltar a repetir”. João Reis, porém, não esconde as suas críticas quanto à falta de apoios à produção de séries de qualidade. “Todas as estações de televisão querem fazer séries à BBC, mas esquecem-se de disponibilizar os meios necessários. Neste sentido, é meritório o esforço da RTP, que tenta fugir à regra dos insuportáveis seriados e novelas”, sublinhou.
As majestosas paisagens do Douro, alguns edifícios históricos do Porto e a Quinta do Sanguinhal, no Bombarral, são alguns dos deslumbrantes cenários que o público vai poder apreciar na série ‘Ferreirinha’, que levou três meses a ser gravada.
A iluminação é uma das vertentes mais cuidadas nesta série, esclarece Moita Flores, adiantando que as várias quintas que serviram de cenário a ‘Ferreirinha’ “podem ser distinguidas apenas pela luz.” Por essa razão, o guionista não tem dúvidas: esta série “vai confirmar a RTP como estação de serviço público”, já que junta ficção com realidade histórica, uma das marcas de Moita Flores.
BIGODE INCÓMODO
Um dos pormenores que torna João Reis irreconhecível é o bigode que Camilo Castelo Branco usava. Mas o postiço não deixou boas recordações ao actor. “Era uma maçada ter de pôr o bigode todos os dias, ter de o tirar para ir almoçar e jantar e voltar a colocá-lo depois, sempre com muita minúcia. E nas cenas românticas com Catarina Furtado, que interpreta o papel de Ana Plácido, era uma chatice dar um beijo!”…
“A QUALIDADE ARRASTA AUDIÊNCIAS” - CATARINA FURTADO
Catarina Furtado acredita no sucesso de ‘Ferreirinha’. A actriz, em declarações à Correio TV, considera que “a qualidade nunca é demais”. “Eu não acredito em séries com qualidade a mais. Continuo uma romântica e todos temos de lutar pela qualidade, porque é ela que atrai audiências”. Na série de Moita Flores, ela interpreta Ana Plácido, o grande amor de Camilo Castelo Branco. “Foi muito entusiasmante, porque aquela mulher existe mesmo, não é ficção. Aquela coragem, aquela determinação são verdadeiras”, explica Catarina Furtado, que revela ter lido “muito sobre a vida daquela mulher e do próprio Camilo”.
A actriz não poupa elogios igualmente a João Reis, o actor com quem mais contracenou. “Ele é fantástico, ajudou-me muito e correu tudo muito bem”, referiu.Vestindo a camisola da RTP a 100 por cento, Catarina Furtado sublinha que é “muito importante que uma televisão pública aposte em obras históricas desta grandiosidade”.
“O que se vê actualmente na ficção portuguesa é muito mau, é dramático mesmo. Há coisas tão más, que podem até deseducar uma geração inteira. Portanto, é bom que a RTP desempenhe este papel”, concluiu à Correio TV.
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