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ANEDOTAS COM BARBAS EM COMÉDIA À PORTUGUESA

Polícias e ladrões, mexericos de cabeleireiro e trocas de galhardetes entre genro e sogra são algumas das peripécias que animam a série da TVI. Todas as segundas-feiras, durante doze semanas, depois dos portugueses terem apreciado o episódio piloto...

17 de abril de 2004 às 00:00

No Samouco, a escassos quilómetros de Alcochete, a hora é de gravações, alguma acção e muito aparato. No jardim e na sua periferia reina o silêncio. O trânsito está cortado e os poucos transeuntes que passam na rua param para assistir à cena.

O protagonista é o agente Peixoto Batanete, que, de apito na boca e cacete em punho, espera atrás de uma árvore a passagem do larápio em fuga. Obsessivamente guiado pelo lema ‘missão impossível, missão cumprida’, o agente estica a perna e o apressado ladrão, encapuzado e entontecido pela pressa, espalha-se ao comprido no chão. “Quieto! Não mexe! Apanhei-te”, vocifera vitorioso o agente Batanete.

Vítor de Sousa no papel do agente José Peixoto Batanete, e Pedro Alpiarça, o ladrão, trocam impressões sobre a cena enquanto os técnicos desmontam o aparato de cabos e microfones e debandam para o minimercado do Samouco, o cenário da próxima cena.

No papel de agente Batanete, Vítor de Sousa é um homem pouco dado a ternuras: “Não gosto de ser apaparicado e sou um pouco severo na relação com a minha Filipa. Ela educa a filha e eu o filho, que também sonha ser polícia”, conta à Correio TV.

Depois de vestir a pele do ladrão, Pedro Alpiarça muda de indumentária e é agora um pescador maluco, sentado num banco de jardim, onde repousa a cana de pesca e o cesto do isco. “Pegando em anedotas e alterando o seu registo, elas deixam de ser anedotas para se tornarem ‘gags’ de uma história mais alargada”, explica o actor, satisfeito com a reacção do público à série.

Na Escola Preparatória do Samouco, transformada em quartel-general da Endemol, a produtora da série, está instalada a maquilhagem e o guarda-roupa. Sentada em frente ao espelho, Leonor Alcácer retoca o visual à Maria João, a vistosa assistente de cabeleireira da Dona Fifi.

“Faço mises, permanentes e tudo mais o que a patroa mandar… Até ir à farmácia comprar comprimidos. Sou coscuvilheira, solteira e muito namoradeira…Pelo menos em imaginação… Ainda há pouco, ao fazer as unhas a um cliente, logo aproveitei para me insinuar a ele”, conta Leonor Alcácer, que na série ‘Os Batanetes’ interpreta também a Dona Alice, a “professora mazinha”.

“HUMOR BREJEIRO”

Para Rita Ribeiro, a Dona Fifi da nova série semanal da TVI, um dos segredos do sucesso da série prende-se com a harmonia do elenco. “Estes actores conseguiram humanizar as personagens”, revela. Mas a actriz tem outra explicação: “Os portugueses não têm razões para andar alegres e as novelas, que estão a colocar os actores no lugar que merecem, ainda puxam muito à lágrima. Ora, ‘Os Batanetes’ vêm preencher esse espaço com humor brejeiro, mas sem ser ordinário.”

Rita Ribeiro não tem dúvidas. “A Fifi é a mulher que todas gostariam de ser, mas não têm coragem. Vive intensamente o lado cor-de-rosa da vida e não há desgraça que a abata. Eu própria sou assim, por isso não me custa nada interpretar esta personagem.”

Com ar feliz e despreocupado, porque apesar das gravações, o tempo é de férias escolares, anda Pedro Martins, o Toninho Batanete. Cabelo em crista, fixada pelo gel, Pedro, de 10 anos, é um estreante nas lides televisivas e foi o sonho de conhecer “pessoas famosas como o Vítor de Sousa e a Inês Castel-Branco” que o levou aos ‘castings’.

“Na minha família são quase todos malucos. Só dizem disparates”, explica Toninho Batanete. Feito o visionamento do primeiro episódio da série, Pedro, que interpreta o papel de um rapaz “porquinho” achou que podia e devia melhorar a sua performance: “Eu palito os dentes com a língua e meto o dedo no nariz, mas acho que posso ser um pouco mais traquina e porquinho. Até já tenho umas dicas para melhorar o meu papel…”, diz com um sorriso.

“BURRA E ALHEADA”

No pátio da escola, Inês Castel-Branco bronzeia-se ao sol enquanto estuda as falas da Lucinda Batanete, uma jovem “burra e um pouco alheada do que se passa à sua volta”. Estreante no registo de comédia, a actriz faz um balanço positivo da experiência. “É uma honra trabalhar com estes actores. Cresci a vê-los representar e acompanhar as gravações está a ser uma mais-valia para mim.”

Anita Guerreiro está de volta aos ecrãs no papel de Zulmira, a sogra Batanete, e nem sonha o que diz o genro em conversas de pé de orelha: “É um anjo…Só é pena não estar no céu”! No Bairro Alto, onde mora, Anita Guerreiro é já a “vizinha Batanete”, para quem ali vive. Para a actriz, esta é a melhor prova de que a série caiu no goto dos telespectadores, apesar de a maior parte das anedotas não ser já surpresa para ninguém.

Outro membro desta irrequieta família é o tio Aníbal, “um galã e um homem brincalhão”, papel interpretado por Octávio Matos, e a tia Tânia, uma solteirona, ressabiada com a vida e dona de um minimercado. Carla Andrino, a actriz que veste a pele de Tânia, continua no registo de comédia depois de oito anos ao serviço dos ‘Malucos do Riso’.

Depois de ‘Coração Malandro’, ainda em exibição na TVI, José Pedro Vasconcelos interpreta várias personagens nos ‘Batanetes’. Uma delas é Manuel, “o assistente da Dona Tânia, que coxeia da perna direita e tem um corte de cabelo polaco-islandês”… “Estou a divertir-me bastante e tenho a felicidade de poder variar os meus bonecos”, diz o actor.

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