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Correio da Manhã

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AUDIÊNCIAS A SUBIR COM EUFORIA DO EURO

Portugal está na final. E podem contar-se pelos dedos os portugueses que não viram os últimos jogos da selecção nacional no Euro’2004. A onda de apoio à selecção portuguesa de futebol fez com que os portugueses colocassem bandeiras nas janelas, se vestissem com as cores nacionais e... se sentassem em frente do televisor para ver os jogos. Quem esfrega as mãos de contentamento são os responsáveis dos três canais nacionais de televisão, RTP, SIC e TVI, com as audiências a subir em flecha.
3 de Julho de 2004 às 00:00
O primeiro jogo de Portugal no campeonato europeu, em que a equipa de todos nós sofreu uma malograda derrota frente à Grécia, teve uma audiência fraca em relação aos outros quatro desafios já disputados. Mesmo assim, segundo dados da Marktest, empresa que mede as audiências, terão visto a partida perto de quatro milhões de portugueses. No jogo em que Portugal venceu a Espanha, a audiência medida ultrapassou os cinco milhões e nunca mais parou de subir.
Os números podem impressionar, mas a verdade é que há quem defenda que os valores apresentados pela Marktest estão muito abaixo da realidade. Hugo Correia Pires, director de marketing da RTP, é peremptório: “Não acredito que quase cinco milhões de portugueses não viram o jogo entre Portugal e Inglaterra.”
Segundo os dados da Marktest terão visto pelo menos uma parte daquele jogo um total de 5 791 200 pessoas residentes em Portugal. No entanto e segundo a mesma fonte o desafio teve uma audiência média de 3 607 000 espectadores, com um share de 83,4 por cento. Este resultado foi histórico para a RTP, já que a melhor marca conseguida até então tinha sido registada no dia 10 de Maio de 1994, com a transmissão do 31º Festival da Canção, programa que obteve 67,9 por cento de share.
Hugo Correia Pires reconhece que os dados da Marktest são fiáveis, mas defende que as audiências medidas nem sempre correspondem às audiências reais, principalmente quando se trata de jogos de futebol, em que as pessoas se juntam em grupo em frente ao televisor, factor ainda reforçado pelo impacte que o Euro 2004 está a ter junto dos portugueses.
“Estimamos que existe uma audiência superior aos valores apresentados pela Marktest. Além disso, a audiência não é medida nos locais de trabalho, restaurantes, bares, hospitais e outros locais. Na RTP fizemos um estudo e chegámos à conclusão que as pessoas que vêem este tipo de jogos são entre 25 e 30 por cento superior à audiência medida”, salienta. Assim e segundo as contas do director de marketing da RTP terão visto o Portugal - Inglaterra mais de sete milhões e meio de portugueses.
VALORES ACIMA DA MÉDIA
A SIC também atingiu audiências altíssimas. O jogo em que Portugal venceu a Rússia, por duas bolas a zero, obteve um share de 81,4 por cento, com uma audiência média de 3 358 100 espectadores, segundo os dados da Marktest. No entanto Rita Sobral, coordenadora do gabinete de audiências da SIC, diz que estes valores não foram suficientes para bater o recorde da estação em termos de audiência média, detido pelo último episódio da telenovela ‘A Próxima Vítima’, transmitido no dia 19 Janeiro de 1996, ficando-se pelo segundo lugar.
Apesar de ter cativado menos espectadores, o jogo transmitido pela TVI em que a nossa selecção obteve uma vitória frente aos espanhóis, com apenas um golo marcado em toda a partida, atingiu um share de 83,2 por cento, com uma audiência média de 3 303 100 espectadores.
Mesmo assim, o jogo esteve longe de bater o recorde de audiências da TVI. O director de relações exteriores da estação, Monteiro Coelho, diz que a TVI já apresentou alguns programas que “fizeram parar o País”, recordando o dia 31 de Dezembro de 2000, quando Zé Maria abandonou vitorioso a casa do ‘Big Brother’, tendo o programa atingido um share na ordem dos 90 por cento.
GRANDES MOMENTOS
RTP - Transmissão do jogo Portugal - Inglaterra
Um dos momentos mais emocionantes do Euro foi quando Ricardo marcou o penálti que colocou Portugal nas meias-finais. Na altura estavam com os olhos postos no televisor, segundo dados da Marktest, 4 239 900 portugueses.
SIC - Transmissão do jogo Portugal - Rússia
O primeiro golo de Portugal contra a Rússia, marcado por Maniche, foi visto em directo por 2 855 400 pessoas, enquanto que o segundo, consumado por Rui Costa (na foto) já foi visto por 4 048 200 espectadores.
TVI - Transmissão do jogo Espanha - Portugal
O golo de Nuno Gomes, que colocou a selecção portuguesa nos quartos-de-final do Euro, foi visto por 3 585 600 espectadores.
RTP - ‘Pontapé de saída’
Com a transmissão da Cerimónia de Abertura do Euro 2004, a que se seguiu o jogo Portugal - Grécia, a RTP 1 obteve uma audiência média de 1 940 400 espectadores
AS IMAGENS MAIS MARCANTES
A saída de campo de Figo, no desafio entre Portugal e Inglaterra, e a cuspidela de Francesco Totti foram alguns dos casos do Euro’2004 mais debatidos na imprensa. No entanto, para os profissionais responsáveis pela transmissão televisiva das partidas, há momentos mais importantes, dentro e fora das quatro linhas. O festejo do público nos jogos do campeonato europeu é apontada como um dos elementos com maior impacto visual por Carlos Dias, Rogério Borges e Rui Romano, os três realizadores nacionais encarregues das emissões dos jogos do Euro’2004. Os profissionais da RTP que, na primeira fase do campeonato, partilharam com as equipas do britânico John Watts e do holandês Martijn Lindenberg a realização das partidas, falam sobre os momentos do torneio com maior impacto.
FESTA NAS BANCADAS
Para Rogério Borges, realizador da RTP, os melhores momentos de televisão do Euro’2004 tiveram como protagonista o público. “O público nas bancadas é muito colorido, algo que não é hábito em Portugal. Por vezes, na régie, a atracção pela presença do público é tão forte que não nos conseguimos conter e, nas paragens de jogo, mostramos imagens das bancadas”, afirma.
O realizador acrescenta que o Euro’2004 não tem dado azo a grandes polémicas. “Há o caso do Totti, mas isso aconteceu numa altura em que a bola não estava ao pé dele e as câmaras não estavam sobre o jogador. As imagens apareceram numa televisão dinamarquesa porque a equipa do canal andava a fazer um trabalho sobre o Totti”, explica.
A COLORIDA MOLE HUMANA
Carlos Dias, realizador da RTP Porto, salienta que, enquanto espectáculo televisivo, “o que o Euro’2004 tem de melhor são os novos estádios e a colorida mole humana formada pelas diversas claques”. “O público tem sido fantástico. O futebol sem público não é nada. Há um triângulo formando pelo jogo em si, pelo público e pelo banco, onde também se sofre. O equilíbrio entre os três elementos pode ser uma mais-valia para qualquer emissão de um jogo de futebol”, refere Carlos Dias.
O realizador destaca as reacções do rei de Espanha durante o jogo que opôs o país vizinho à Grécia e a emoção de Eusébio no desafio contra a selecção britânica como os momentos mais marcantes do torneio. “Os jogos de Portugal, mesmo para a equipa de realização, são sempre os mais emotivos”, admite Carlos Dias.
VIVACIDADE E ESTÁDIOS CHEIOS
“O mais marcante do Euro’2004 são os estádios completamente cheios, a cor e a vivacidade do público. Isso é o que nos dá mais gozo”, afirma Rui Romano, realizador da RTP que se congratula pela oportunidade de participar num “momento singular, que será, talvez, irrepetível”.
“Os jogos têm sido uma grande festa, os estádios cheios, bonitos, com condições de trabalho. A organização deste campeonato da Europa permitiu mostrar que o produto televisivo é uma coisa muito importante”, defende Rui Romano.
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