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Aznar nem pediu água

Fátima Campos Ferreira, jornalista, tem um convidado de luxo no quarto aniversário do ‘Prós e Contras’ (RTP 1). A apresentadora explica como conseguiu convencer o ex-governante espanhol, que, agora, cobra 150 mil euros por conferência que dá, a participar no debate de segunda-feira.

22 de setembro de 2006 às 00:00

Correio da Manhã – Como conseguiu convencer José María Aznar a participar no programa?

Fátima Campos Ferreira – A única coisa que posso revelar é que não foi de repente, foi uma coisa conversada de há cerca de dois meses a esta parte: primeiro por intermediários e depois através de uma assessora dele. Ele não conhecia o debate, teve primeiro de ver alguma coisa para perceber que tipo de programa era. E das conversas que fui tendo pareceu-me uma pessoa muito pragmática e informal. Os direitos de imagem dele pertencem a uma empresa norte-americana, do grupo Murdoch, e tanto quanto sei esses direitos são qualquer coisa como 150 mil euros por conferência. Essa questão nunca se pôs, foi sempre tudo numa base de país-irmão e da grande cordialidade nas relações Portugal-Espanha, de maneira que quando ele decidiu vir disse: ‘Vou por cordialidade, amizade e porque gosto de Portugal’. Aliás, a partir do momento em que ele disse que vinha não falámos mais. Não me impôs nenhuma condição, não me pediu nada, nem um copo de água (risos).

– Que significado tem para si receber um convidado como Aznar?

– Nada de especial, pois todos os debates são importantes. É só mais um convidado de relevo, como tantos outros que têm passado pelo programa.

– Vai preparar-se de forma especial?

– A preparação é sempre o fim-de-semana inteiro a estudar. Já estou enfiada nos livros. O que vale é que gosto de estudar, caso contrário, seria impossível fazer este programa.

– O cachet foi sempre um tema fora de questão?

– E ele percebeu isso e nunca foi pedido. Foi mesmo entendido numa base de cordialidade. Mas sei que ele teve que contornar essa situação com a empresa que detém os seus direitos de imagem.

– Quem foram os convidados mais difíceis de levar ao programa?

– Não sei... Quando há um assunto em destaque na actualidade, como a Saúde, Educação ou Justiça, nessas situações não é fácil arrastar as pessoas. Foi muito difícil convencer ministros e sindicatos a estarem frente a frente, talvez mais do que trazer Aznar. Não é fácil convencer as pessoas a irem e a exporem-se desta forma e as que vão reconheço que são corajosas. Às vezes vamos realizando milagres (risos), com algum trabalho e alguma persuasão.

Fátima Campos Ferreira fez toda a carreira de jornalista na RTP, onde está desde 1987. Antes foi professora de História. Na RTP, Fátima – tirou o curso na Escola Superior de Jornalismo do Porto – passou pelo ‘Bom Dia Portugal’, ‘Jornal da Tarde’, ‘Telejornal’, ‘País País’ e ‘Jornal 2’. Hoje, além de apresentar ‘Prós e Contras’, dá aulas de Jornalismo na Universidade Lusófona.

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