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Correio da Manhã

Tv Media

Barreto põe espelho frente aos portugueses

Há 40 anos havia pessoas descalças na rua. A maioria das mulheres ficava em casa. Série da RTP 1 mostra mudanças.
23 de Março de 2007 às 00:00
Barreto põe espelho frente aos portugueses
Barreto põe espelho frente aos portugueses
O Portugal de hoje tem diferenças abissais em relação ao de há 40 anos. No documentário, em sete episódios, ‘Portugal, um Retrato Social’, a RTP 1 vai mostrar muita coisa que mudou. E evidenciar o que somos hoje. Serão focadas especialmente as pessoas – onde vivem, os hábitos que têm, como ganham o pão, os direitos de que usufruem e a forma como se relacionam e vivem em sociedade.
Baseada em três obras do sociólogo António Barreto, investigador principal do Instituto de Ciências Sociais, a série foi concebida há cerca de dois anos num pressuposto exigente: “Era necessário ‘falar para toda a gente’, tal como a Joana me advertia todos os dias”, afirma à Correio TV António Barreto, que redigiu o respectivo guião, auxiliado pela realizadora Joana Pontes.
Para que o documentário tomasse forma foi “também preciso incluir testemunhos, pessoas reais e não apenas estatísticas”, acrescenta. E, de facto, o telespectador não será massacrado com números, apesar de as obras em que o autor se baseou (‘A Situação Social em Portugal’, Tempo de Mudança’ e ‘Tempo de Incerteza’) “terem dezenas de milhares de estatísticas”, como sublinha o próprio.
A equipa de produção deslocou-se de norte a sul, fazendo filmagens durante quatro meses. A essas imagens juntam-se horas de gravações constantes do arquivo da RTP, pesquisado por Maria João Silva, e outras ainda, de acontecimentos da vida quotidiana, disponibilizadas por vulgares cidadãos.
Rodrigo Leão compôs a música. A preocupação assumida pelo sociólogo e estudioso de 65 anos de idade, que viveu exilado na Suíça, onde estudou e se licenciou, é, de facto, chegar a “toda a gente”. Explica melhor: “Não quero falar só para a ‘tribo’ dos académicos, nem para as classes A e B.”
A parceria com Joana Pontes revelou-se frutuosa. A realizadora considera este trabalho “uma experiência muito interessante” pelo facto de ter pegado numa investigação e tê-la transportado para a TV, “ensaiando uma linguagem que tornasse os assuntos compreensíveis sem lhes tirar complexidade.”
HORÁRIO NOBRE: CIDADANIA EXERCIDA EM LIBERDADE
Para alguns responsáveis da RTP, a série ‘Portugal, um Retrato Social’ reveste uma importância e significado excepcionais. Maria São José, directora adjunta de Programas, referiu-se-lhe como “um projecto grandioso”, nas palavras que proferiu aquando da sua apresentação no passado dia 19.
O administrador Luís Marques, de quem partiu o convite dirigido a António Barreto, usou os termos “profunda alegria” e “comovente” para descrever o que sentia pela obra realizada. Este gestor considera que a série documental constitui “um instrumento muito importante para a actual e futuras gerações, para perceber o País que somos e que fomos”.
Por seu turno, o director de Programas Nuno Santos afirma acreditar que ‘Portugal, um Retrato Social’ “pode marcar a fase audiovisual que a RTP vive em democracia”. António Barreto fez questão de declarar o reconhecimento da “total independência e liberdade de conteúdos” facultada à equipa que com ele trabalhou.
Os sete episódios da série serão exibidos no pico do horário nobre (21h00), exceptuando nos dias de futebol (22h00).
'PORTUGAL, UM RETRATO SOCIAL'
Canal: RTP 1
Estreia: 27-03-2007
Formato: Documentário
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