Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media

BATANETE PROCESSA TVI

Maria tem o nome Batanete desde que casou com João há 43 anos. Usou-o sempre com orgulho até ao início de Abril passado, quando a TVI começou a apresentar ‘spots’ promocionais da série ‘Os Batanetes’. Foi nessa altura que começou o martírio da família, que se sente ridicularizada pela ‘sitcom’ – da autoria de Fernando Heitor e produzida pela Endemol –, o que a levou a unir-se e a mover um processo à estação de Queluz.
22 de Julho de 2004 às 00:00
“Nós não queremos nenhuma indemnização, queremos apenas que a série deixe de ser emitida ou mude de nome. Devolvam a dignidade ao nosso apelido”, salienta Maria Batanete.
Ainda ontem, Maria foi inscrever os netos, três adolescentes de 12, 14 e 16 anos, numa nova escola, porque os jovens já estavam fartos das piadas dos colegas. “Só que tivemos tanto azar que o processo deles desapareceu e quando uma funcionária perguntou ao colega se sabia do mesmo, ele respondeu a rir que devia estar na TVI. Os meus netos desataram a chorar e disseram à mãe não queriam mais usar o nome Batanete. Por causa disto tudo, eu já ando a tratar-me num psicólogo”, adianta.
É pelos netos e também pelo marido, João, que sempre que vê a personagem interpretada por Vítor de Sousa lhe vem à memória o pai e chora. “O meu sogro também se chamava José Batanete e usava uma farda, a da Guarda Fiscal”, refere.
Mas, as coincidências não se ficam por aqui, já que tem uma sobrinha, de seu nome Lucinda Batanete, igual ao do personagem de Inês Castel-Branco. “Ela já tem vergonha de dizer o nome porque é gozada por todos”, acrescenta.
Maria garante que também está preocupada com os outros jovens, seus familiares, que são a chacota dos colegas nas escolas que frequentam e nos seus locais de trabalho, desde que a série começou.
Esta funcionária pública recua dois séculos para explicar a história da família que está radicada em Portugal desde as Invasões Francesas. “Um francês de nome Batanette decidiu ficar por cá e começar uma família que agora está espalhada por todo o País, com membros de diferentes condições sociais, mas todos pessoas honestas e honradas”, salienta.
“Quando eu vi na televisão que ia dar uma série com o nome Batanete escrevi ao José Eduardo Moniz a pedir para mudar o nome e até lhe sugeri que pusesse o nome de Moniz à série, mas ele nem se dignou a responder. Ao contrário do que fez o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, a quem recorri para ver se me podia ajudar a convencer o Moniz, que teve a gentileza de me escrever embora tivesse dito que nada podia fazer”, acrescenta. No seu desespero, Maria também enviou uma carta para a Alta Autoridade para a Comunicação Social: “Responderam-me que não tinham nada a ver com o assunto”.
O CM contactou a TVI, mas a estação garantiu “não ter conhecimento de nenhum processo instaurado pela família Batanete”.
Ver comentários