José António Saraiva, ex-director do ‘Expresso’, apresenta hoje ‘Sol’, o novo semanário tablóide que vai lançar a 16 de Setembro. O arquitecto explica o projecto e diz que vai ultrapassar, em três anos, o jornal que dirigiu durante 22.
Correio da Manhã – Apresente-nos o novo semanário. Sempre se chama ‘Sol’?
José António Saraiva – O nome é ‘Sol’, de facto. Não tem nada a ver com o ‘The Sun’ [tablóide britânico]. Queria um nome que rompesse com o habitual. ‘Sol’ é a ideia mais brilhante: é luz, energia, calor. É positivo e memoriza-se bem. O formato é tablóide e quisemos fazer um jornal para a frente, para que os outros pareçam de outra época. Este é um tempo de viragem e o ‘Sol’ tem uma estrutura completamente diferente dos jornais que existem.
– O jornal não tem uma concepção tradicional, com as secções habituais. Cada zona tem várias secções e cores distintas. Dentro do caderno principal, será incluído o suplemento de economia, que tem dentro a revista que, por sua vez, integra o guia, ao estilo caixa de Pandora.
– ‘Sol’ é tablóide e mais popular de forma a conquistar um nicho de mercado?
– Procurámos fazer um jornal que não copie modelos mas que aproveite as experiências para um impacto maior no mercado. E não temos complexos em usar uma paginação tablóide, por exemplo, na zona do País Real, e mais institucional na Política e Cultura.
– Qual é o ‘target’?
– O leitor do semanário, parcialmente o mesmo do ‘Expresso’. Mas vamos à procura de novos leitores, jovens, que querem publicações mais agressivas, novos temas e maior interactividade. E público feminino. Com a independência e ascensão feminina a todos os níveis, os jornais têm de deixar de ser concebidos com modelos masculinos.
– Expectativa para uma média de vendas no primeiro ano?
– Cinquenta mil. Não é um número ambicioso.
– 50 mil roubados ao ‘Expresso’?
– Metade serão novos leitores. Este projecto não é contra o ‘Expresso’.
– Mas a expectativa está a causar muita tensão no jornal. Quantos jornalistas vai lá buscar?
– São vinte e poucos jornalistas e profissionais de outras áreas (gráfica e produção). E vai também a Felícia Cabrita.
– Estava cansado do ‘Expresso’?
– Não. Mas sentia que estava a chegar o momento da sucessão. Estava num lugar de visibilidade há 22 anos e, como nunca fui de arrastar, percebi o ‘timing’. Mas não estava cansado, havia sempre refrescamento no jornal.
– O novo director, Henrique Monteiro, disse que estava a “tabloidizar” o ‘Expresso’...
– Desde há muitos anos, estava empenhado no rejuvenescimento do jornal. Uma das vias é não ignorar o fenómeno dos tablóides, independentemente de se manter a matriz de referência do ‘Expresso’. Não se pode cristalizar.
– Essa matriz mantém-se?
– A tendência do ‘Expresso’ é para involuir, andar para trás. Eu era quem mais protagonizava mudanças e a minha saída terá, naturalmente, essa consequência.
– Quanto tempo demorará a bater o ‘Expresso’?
– Em três anos seremos o maior jornal português. Não só batendo o ‘Expresso’, como qualquer outro semanário que apareça entretanto.
'BALSEMÃO ESCOLHEU'
CM – Quando começou a idealizar este projecto?
Saraiva – Apresentei-o ao dr. Balsemão há dois anos. Mais tarde ou mais cedo, surgiria um concorrente. Se era inevitável, que fosse no grupo Impresa.
– Mas assim haveria o risco da canibalização dos títulos...
– A ideia era essa. As transferências de leitores e anunciantes far-se-iam dentro do grupo. Mas o dr. Balsemão achou uma loucura. Já numa fase final, quando lhe disse que ia sair para fundar o jornal, disse-me que poderia estar interessado.
– Mas a Impresa desmentiu o interesse de Balsemão...
– Sim, que eu desmenti.
– Porque sugeriu Mário Ramires para director se o iria buscar para a direcção do ‘Sol’?
– Se o Ramires tivesse sido nomeado director do ‘Expresso’, não poderia avançar com este projecto. Aí, teria ficado como director editorial do grupo.
– Então porquê a sugestão?
– Por lealdade. Mas Balsemão escolheu o Henrique Monteiro.
– E como ficaram as suas relações com Pinto Balsemão?
– Muito bem, embora não falemos desde que saí. Foi uma relação quase exemplar. Só acho que ele falhou no momento da sucessão da direcção do ‘Expresso’.
- Semanário com 64 páginas a cor Suplemento de Economia ‘Confidencial’ (16 páginas); Guia de espectáculos ‘Essencial’ (40 pág.) e Revista ‘Tabu’ (100 pág.)
- Logótipo do pintor Pedro Proença. Cores distintas do logótipo consoante estações do ano (verde, azul, dourado e cinzento)
- Áreas editoriais: ‘Política e Sociedade’, letra clássica, tons azuis e negros. ‘País Real’, ‘lettering’ agressivo, tons vermelhos. Terceiro bloco, em rosas e verdes, “mais feminino”, secções de gente, decoração, lar, inquéritos, moda. ‘Ciência, Tecnologia e Cultura’
- Redacção: 40 jornalistas; metade serão jovens (formação em Junho). Equipa total – 60/70 pessoas
- Opinião/Colunistas – Contratados, mas Saraiva não revela. “São de primeiríssima linha”
- Lançamento: Sábado, 16 de Setembro. Preço – 2 euros
- Sociedade, com cerca de 25% do capital – Saraiva, José António Lima (director adjunto), os subdirectores Mário Ramires e Vítor Rainho, Manuel Botto (consultor) e Frutuoso de Melo (advogado)
- Sede – Rua de São Nicolau, 114, na Baixa de Lisboa
- Gráfica – Por definir.
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