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Correio da Manhã

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'Big Brother' não deixa saudades

Dez anos após a estreia do ‘Big Brother’ em Portugal, a visibilidade e os cem mil euros que o formato rendeu aos vencedores das quatro edições – Zé Maria, Henrique, Catarina e Nando – pouco alterou o rumo das suas vidas. A popularidade foi fugaz e, em alguns casos, nefasta. Não admira, pois, que a TVI, interessada em assinalar a data, tenha encontrado resistência em juntar os antigos concorrentes. A estação diz: "não estão previstas celebrações, pois não se encaixam na grelha".
27 de Agosto de 2010 às 00:00
Zé Maria
Zé Maria FOTO: Bruno Colaço

É o mais conhecido habitante de Barrancos e provavelmente o único capaz de colocar a pacata terra do Baixo Alentejo no mapa – além da forte tradição taurina que permite um regime de excepção no que toca às lides de morte e que acontecem este fim-de-semana. Zé Maria, depois da ascensão mediática que teve após vencer a 1.ª edição do ‘Big Brother’, atravessou nos últimos dez anos períodos conturbados, que conduziram a uma tentativa de suicídio.

Depois de viver em Lisboa, onde trabalhou como pasteleiro e teve uma rubrica de culinária no programa ‘Fátima’ (SIC), aquele que ficou conhecido como ‘o amigo das galinhas’ da casa mais famosa do País, está de volta à terra natal, onde trabalha agora num cabeleireiro. Em Barrancos há já alguns meses, vive com familiares para se refugiar da pressão mediática e da falta de perspectivas de vida. Percorrendo as ruas da vila é difícil encontrar quem nos fale do ‘moço’. Todas as pessoas contactadas pela Correio TV se escusaram a entrar em pormenores da vida que Zé vive agora, adoptando até uma postura de protecção ao filho da terra. Raros foram os que quiseram falar. "Ele agora está bem, muito melhor até. Quer estar longe dos jornais, das revistas e da televisão. Precisa, sobretudo, de paz", disse um amigo, que não se quer identificar. Zé Maria está a maior parte do tempo com a irmã e faz uma vida normal.

Em 2001, Henrique Torres entrava para a casa mais famosa do País, na 2.ª edição do ‘BB’. Católico, catequista e missionário em África, o jovem estudante de História depressa cativou os telespectadores com a sua postura e percurso de vida. E, em Maio, sagrava-se vencedor do reality show. Confessou, na altura, que o prémio "lhe ia dar muito jeito". Uma parte dos cem mil euros que ganhou ofereceu à Fundação dos Missionários Leigos, outra parte aos pais. Hoje, Icas, como o tratam os amigos, é professor de História e sócio de uma loja de produtos de beleza no Centro Comercial do Campo Pequeno. Continua com alma de missionário e, em breve, há-de rumar novamente a Moçambique, em missão. Por estar em retiro espiritual, Henrique não pôde falar à Correio TV.

Catarina Cabral tinha 21 anos e sonhava singrar como cantora quando venceu a terceira edição de ‘Big Brother’, em 2001. Nove anos depois, a açoriana conseguiu concretizar o desejo de viver em Lisboa, onde trabalha como higienista oral. "O ‘BB’ não mudou nada na minha vida", diz Catarina à Correio TV. "Foi um caso isolado, que não vou repetir", acrescenta. A jovem explica ainda que "na altura tinha uns 20 anos, estava numa fase de reflexão da minha vida, num curso que não gostava..." A experiência permitiu-lhe, ao menos, conhecer-se melhor. "Aprendemos muito sobre nós próprios quando os nossos limites são testados", adianta Catarina, que ainda é reconhecida na rua. "Deixamos de ser anónimos, mas a vida continua e temos de seguir em frente com os nossos projectos". Após vencer o concurso, Catarina ainda tentou a sorte como cantora, já que um dos motivos porque concorreu à terceira edição de ‘Big Brother’ foi, precisamente, o sonho de gravar um disco. Hoje, contudo, classifica a sua curta passagem pela música como "uma experiência pontual". A jovem preferiu não se deixar fotografar para este trabalho.

Aos 35 anos, Fernando Geraldes, vencedor do ‘BB 4’, é o único que recorda a passagem pelo reality show como uma "experiência inesquecível". "Faço o que fazia antes do programa: trabalho com o meu pai na oficina de automóveis da família. Nada mudou", assegura. Mas logo acrescenta: "sou um bocadinho mais conhecido. Há sempre alguém que, aqui ou ali, se lembra de mim e me aborda". Hoje, o mecânico não hesitaria em participar noutro formato do género. "E não foi apenas por ter ganho, mas pelo contacto com as pessoas, pelo convívio". Nando, como é conhecido, avança com outra justificação para a opinião positiva que ainda hoje tem do ‘BB’: "se calhar, ao contrário de quase todos os concorrentes, que criaram muitas expectativas, fui para lá só para me divertir. Nunca me deslumbrei". Com o dinheiro do prémio, Fernando comprou uma casa em Albufeira, que partilha com a namorada, Filipa, que conheceu no reality show. E continua a tirar algum partido da popularidade. "Raramente saio à noite, mas quando o faço, e me reconhecem, tenho facilidade em entrar nos estabelecimentos nocturnos. O mesmo acontece quando estou a tratar de algum assunto numa instituição ou seguradora. Facilitam-me a vida", conta.

DE TROLHA A APRENDIZ DE CABELEIREIRO

Em Dezembro de 2000, Zé Maria, trolha em Barrancos, sagrava-se o vencedor de ‘Big Brother’. Com cem mil euros e um carro novo, regressou de helicóptero à vila natal. Seguiu-se a participação em ‘Mulheres de A a Zé’, TVI. Abriu depois um restaurante que logo fechou. Em 2004 sofreu um colapso nervoso e foi internado. Recuperou e foi trabalhar para uma pastelaria na Amadora. Por falta de dinheiro vendeu a casa em Lisboa e regressou a Barrancos, onde é aprendiz de cabeleireiro.

PROFESSOR E EMPRESÁRIO

Henrique Torres (Icas), vencedor do ‘BB 2’, em 2001, é professor de História, numa escola de Cascais, e co-proprietário de uma loja de produtos de beleza. Ainda este ano deverá viajar para Moçambique em missão humanitária.

HIGIENISTA ORAL

Catarina Cabral, 30 anos, é natural de Ponta Delgada, Açores. Quando participou no ‘BB 3’ estava no primeiro ano de Físico-Química e queria ser cantora. Hoje trabalha como higienista oral em Lisboa. Não quis revelar o destino que deu ao prémio.

MECÂNICO DE AUTOMÓVEIS

Em 2003, Fernando Geraldes, mecânico de automóveis, conquistou o ‘BB 4’. Hoje, com 35 anos, continua a trabalhar na oficina do pai, em Almada. Vive com Filipa, outra concorrente. Gostou ter participado no ‘BB’ e , hoje, "voltaria a fazê-lo".

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