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Cândida Pinto mobiliza espectadores

Reportagem ‘Eu e os Meus Irmãos’ conduziu à formação de uma ONG para ajudar órfãos de sida em Moçambique.

26 de março de 2010 às 00:00

Quando, em Outubro de 2009, a SIC emitiu a reportagem ‘Eu e os Meus Irmãos’, sobre crianças moçambicanas órfãs de sida, a jornalista e autora estava longe de imaginar que três telespectadoras, sensibilizadas com o tema, iriam formar uma associação para ajudar esses meninos e meninas de Inhambane, a 440 quilómetros de Maputo, Moçambique.

“A reportagem suscitou um enorme feedback. Recebemos e-mails, cartas, telefonemas de pessoas que queriam arranjar uma forma de ajudar aquelas crianças que formam famílias só de irmãos, vivem nas aldeias, vão à escola e lutam todos os dias para sobreviver. De todas essas pessoas, três mulheres vieram ter comigo para saber detalhes da situação”, conta à Correio TV Cândida Pinto, coordenadora de ‘Grande Reportagem’.

Essas três mulheres foram Carolina Alves, de 47 anos, profissional de marketing, Isabel Bento, 54, professora de Matemática, e Raquel Marques, 37, engenheira civil. “Trataram de todos os assuntos burocráticos, nunca desistiram, e há dias telefonaram-me, todas contentes, à saída do registo da associação, cujo nome ficou com o título da reportagem. Foi uma honra e um orgulho para nós”, explica a jornalista.

Carolina Alves, uma das fundadoras da associação ‘Eu e os Meus Irmãos’, entende que “o papel dos ‘media’ não é só despejar mensagens para casa das pessoas”. E acrescenta: “A reportagem tocou-nos muito. Era muito verídica e objectiva! Cândida Pinto não se limitou a fazer a reportagem, colaborou nas dinâmicas de mobilização, facilitou a troca de contactos e pôs à disposição as instalações da SIC, onde nos reunimos a primeira vez e onde conheci a Isabel e a Raquel.”

A Associação para o Desenvolvimento da Criança ‘Eu e os Meus Irmãos’ já traçou planos a cumprir: apadrinhar as crianças mais pequenas, construir dois centros de formação vocacional, subsidiar a abertura de um furo de água e fomentar actividades geradoras de renda para a comunidade como a criação e abate de aves.

Com esta reportagem, Cândida Pinto está agora em França, no Festival Internacional de Grandes-Reportagens. “É bom saber que os trabalhos que fazemos estão ao nível de uma competição internacional e que estes temas ainda tocam os seus organizadores”, diz a jornalista. sobre o evento para o qual a sua reportagem está nomeada.

AS TRÊS FUNDADORAS: ASSOCIAÇÃO TEM SEDE EM CARCAVELOS

Quando a ‘Grande Reportagem’ exibiu ‘Eu e os Meus Irmãos’, Carolina Alves ainda não conhecia as suas companheiras com quem viria a fundar a associação. “Foi de Moçambique que me disseram que havia outras duas portuguesas interessadas no caso. Foi a primeira vez que ouvi falar da Isabel e da Raquel”, conta. A associação (eueosmeusirmaos@hotmail.com) tem sede em Carcavelos, tem um blogue e está no Facebook.

PRÉMIOS: LISONJEADA

Cândida Pinto, que acompanhou a catástrofe no Haiti (na foto) e recebeu mais de uma dezena de prémios pelas suas reportagens e percorreu alguns dos cenários de guerra mais complexos do Mundo, considera que “é um estímulo quer para os jornalistas, quer para a própria estação de TV ver os seus trabalhos distinguidos. Qualquer pessoa se sente lisonjeada.” Num momento em que as televisões generalistas dão maior importância a formatos como ‘Grande Reportagem’, a coordenadora do programa afirma: “Existe  uma aposta dos canais em colocar este tipo de programas em horário nobre, até porque há uma grande aceitação por parte do público.”

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