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Correio da Manhã

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CARLOS CRUZ DEIXA CRIMES

Carlos Cruz já não vai apresentar “O Crime Não Compensa”, um programa produzido por Ediberto Lima que a SIC estreia na próxima terça-feira à noite. A nova cara da produção ainda não é conhecida.
25 de Janeiro de 2003 às 00:03
O popular apresentador deixa assim uma das grandes apostas da estação de Carnaxide para rivalizar com “Eu Confesso” (que a TVI estreia hoje) e que levou José Eduardo Moniz a acusar a SIC de “clonagem”.

“O Crime Não Compensa” faz parte do especial “Terça em Grande” e será exibido de quinze em quinze dias, alternando com “Escândalos e Boatos”. Este último programa estreou-se no passado dia 21 e continuará a ser conduzido por Carlos Cruz.

A próxima aposta da SIC faz a reconstituição de crimes nacionais e que não ficaram bem explicados junto da opinião pública, como crimes de colarinho branco e de sangue.

Dois dos casos que serão lembrados são a história de uma professora do Norte que se apaixonou por um recluso e, ainda, a muito falada prisão do corretor Pedro Caldeira. Casos mais recentes ou ainda em discussão também serão tratados, nomeadamente o caso Moderna.

A saída de Carlos Cruz surge numa altura em que está em discussão a violência em televisão. O próprio Governo já manifestou a sua vontade de definir regras e criar um novo órgão regulador.

E também as ameaças de eventuais multas pesadas e processos a “Bombástico” e, eventualmente, ao seu apresentador, terão levado Carlos Cruz a bater a porta. Recorde-se que o “Sr. Televisão” foi vítima de diversos boatos, o último dos quais relacionava-o com o caso de pedofilia na Casa Pia.

Com este cenário, Carlos Cruz terá preferido manter-se longe de polémicas e preservar a sua imagem, construída ao longo de muitos anos à frente de famosos programas de televisão. Durante a gravação dos primeiros episódios de “Escândalos e Boatos”, o profissional disse aos jornalistas que se recusaria a dar a cara a um programa caso fosse prejudicial à sua imagem profissional.

O CM tentou falar com o apresentador, mas, até ao fecho desta edição, esteve incontactável.
Também o director de programas da SIC, Manuel Fonseca, não quis fazer qualquer comentário.

PRESERVAR IMAGEM PROFISSIONAL

Carlos Cruz havia dito aos jornalistas que a única "margem de manobra para recusar um programa da SIC", visto ter contrato com a estação até Agosto, seria considerá-lo "prejudicial” para a sua “imagem profissional”: “Quando ultrapasso os limites e começo a sentir-me mal confesso as incomodidades a quem me paga e demito-me.” Sobre a agressividade de certos programas afirmou: “A sociedade portuguesa está em mudança profunda e absorve comportamentos e valores importados de outras sociedades. A integração na Europa, globalização e rapidez da comunicação têm uma influência colonizadora sobre países menos preparados culturalmente para aguentar o choque. E Portugal está na fase de choque. Seria bom os responsáveis pela sociedade fazerem uma reflexão e verem como pode o País defender-se dessa importação.

Aquilo que pode ser bom, a importação de conhecimento, cultura e novos valores, pode transformar-se numa agressão à cultura portuguesa”. Sobre a violência dos novos formatos disse: “Com a enorme competição no mercado da informação há um apetite maior pelo que dá audiências, o que pode criar um novo mercado e os próprios profissionais irem atrás e perderem o controlo da situação”.
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