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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

CATARINA TALLON: AMIGAS CONFIRMAM AGRESSÕES

Catarina Fortunato de Almeida foi a principal convidada do Herman SIC. A ex-mulher de José Maria Tallon foi falar do livro que lança segunda-feira e que já vai na 3.ª edição, apesar da providência cautelar que proíbe a sua distribuição e divulgação.

30 de setembro de 2002 às 00:27

Durante o programa televisivo, Catarina viu vizinhas e amigas confirmar, além do seu irmão, em directo e em lágrimas, que tinham conhecimento das agressões de que se diz vítima por parte do seu ex-marido ao longo de 13 anos de casamento e das quais deu conta em entrevista à revista Domingo Magazine do Correio de Manhã.

Alice Casais, a vizinha que morava no 10.ª andar central (ao lado de Catarina, que morava no esquerdo), no prédio do Campo Grande, é uma das suas testemunhas. Já foi notificada e até já prestou depoimento em finais do ano passado. Ontem repetiu o que já dissera ao Ministério Público.

“Por vezes, a Catarina entrava na minha casa com equimoses e a cara cheia de sangue”, uma delas ”grávida do seu primeiro filho, o Eduardo”. Alice diz que ouvia as discussões entre o casal desde que este foi morar para o seu prédio. “Às vezes ia perguntar o que se passava, mas o Tallon não me abria a porta”.

As horas dos “espancamentos” variavam: “Às vezes às 16h00, às 18h00, às 22h00 ou às 23h00”. À noite, ela chegou a aparecer em camisa de dormir. “Nunca me lembrei de a levar ao hospital, porque pensava que estava a tratá-la bem, punha-lhe gelo e desinfectava-lhe as feridas. Mais tarde ela ia para casa e eu não via como Tallon a recebia porque fechava logo a porta. Perguntei-lhe muitas vezes porque não se separava, mas ela dizia que gostava muito dele”.

Alice Casais conta ainda que quando ele lhe batia pedia-lhe para ter cuidado e proteger a cabeça. “Nunca falei com Tallon sobre este assunto, a princípio porque não o conhecia bem e porque tinha medo da reacção dele”. Mas os pormenores vão ainda mais longe: “Ela chegou a entrar na minha casa com equimoses, agredida por ele, quando eu tinha lá visitas: uma comadre e um compadre”.

E também se apercebeu da reacção dos filhos. “Os filhos choravam, principalmente o Eduardo, que era o que se mostrava mais perturbado. Ele chorava e gritava, chamava pela mãe. E muitas vezes vi a empregada a passear com ele na rua, para o animar e apaziguar.”

A amiga Alexandra Leite

Também a conhecida Alexandra Leite diz ser testemunha das agressões de José Maria Tallon à sua mulher. Em lágrimas na plateia, enquanto Catarina também não resistia ao choro antes as perguntas de Herman José, Alexandra nem se quis alongar.

“Vi a Catarina várias vezes num péssimo estado, com equimoses e cortes no rosto. Sei que as agressões foram do seu marido, mas não posso dizer mais nada, porque o processo está em segredo de Justiça”.

A actriz diz mesmo que se baseou na vida de Catarina para fazer a personagem de "Becas" na novela da TVI "Nunca Digas Adeus" em que também ela era vítima de violência doméstica. "A Catarina viveu no Afeganistão e só agora chegou a Portugal. Teve coragem de denunciar a situação de 'guerra civil' que se vive em Portugal. Não há pior violência para os filhos que verem o pai bater na mãe."

Helena Sacadura Cabral, mãe de Paulo Portas e outra das convidadas do Herman SIC (ver notícia na última página), também falou do problema da violência doméstica. “É algo muito complicado, que geralmente tem a ver com uma educação difícil.

Convém dizer que não é só do marido para a mulher, mas também da mulher para o marido”. Segundo a economista, trata-se de um “crime público” daí que defenda que nestes casos ”se meta a colher entre marido e mulher”, ainda que perceba o “pudor” que existe em tratar estes casos por se tratar “do foro intímo das pessoas”.

Parabéns ao filho Eduardo

O ponto mais alto do programa foi mesmo para o momento em que Catarina resolveu dar os parabéns, em directo, ao seu filho mais velho, Eduardo, que ontem completava dez anos, e ao qual apenas pode felicitar num curto espaço de tempo, já que o pai – com quem tem custódia repartida – não lhe permitiu mais.

Recorde-se que Catarina Fortunato de Almeida regressou ontem dos EUA e passou o dia a tentar resolver o problema da notificação judicial que a proibirá de divulgar e publicitar o seu livro: “Ferida de Amor, um casamento de sonho, uma vida de Pesadelo”.

A entrevista que fez ontem capa da revista Domingo Magazine do Correio da Manhã surgia por entre as mãos dos muitos espectadores presentes na platéia do HermanSIC, ainda a digerirem o relato dramático pelo qual diz ter passado ao lado do pai dos seus três filhos.

Apresentação oficial esta tarde

“Com ou sem notificação, vai haver lançamento do livro”. Foi desta forma que Catarina Tallon confirmou ontem a apresentação oficial do seu livro, “Ferida de Amor, um casamento de sonho, uma vida de pesadelo”. A cerimónia de lançamento continua assim marcada para esta tarde, às 18h00, no palácio Foz, em Lisboa.

“Nem eu nem a Bertrand fomos ainda notificados, mas mesmo se o formos ao longo do dia de amanhã (hoje), haverá lançamento”, garantiu Catarina.

Recorde-se que a Bertrand, consciente da hipótese de providência cautelar por parte de José Maria Tallon – este alega que lhe são imputadas na obra acusações falsas, que estão ainda a ser averiguadas em processo crime, pelo que viu o juiz deferir-lhe o pedido de “congelamento” do livro até conclusão do processo – colocou no mercado, por todo o País, dez mil exemplares, distribuídos em três edições.

A primeira edição, de cinco mil exemplares, não contém ainda o prefácio de Maria Barroso (que publicamos na íntegra nas páginas centrais). Seguem-se mais duas edições, ambas de dois mil e 500 exemplares.

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