Cavaco Silva destaca acção de Vítor Direito

Mesmo em momentos difíceis e adversos vividos na sociedade portuguesa, foi sempre um profissional rigoroso e um homem que revelou grande coragem", destaca o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, na mensagem de condolências que ontem dirigiu à família de Vítor Direito e à direcção do Correio da Manhã, jornal de que foi fundador e primeiro director.

04.04.09
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Cavaco Silva destaca acção de Vítor Direito
Vítor Direito foi distinguido por Jorge Sampaio em Junho de 2000

Ao apresentar condolências "em nome do povo português" e em seu nome pessoal, o Presidente Cavaco Silva considera Vítor Direito "figura muito respeitada e grande nome do jornalismo português, que ajudou a fundar diversos órgãos de imprensa e marcou várias gerações de jornalistas". E prossegue: "Nutrindo um grande amor pelo jornalismo, foi um homem íntegro, frontal e irreverente, com apurado sentido de independência."

Vítor Norberto Lopes Direito, que faleceu anteontem, com 78 anos, mereceu pela sua vida profissional as referências que lhe são feitas. Trabalhou antes do 25 de Abril de 1974 no jornal ‘República’, baluarte das tradições da liberdade contra a ditadura do Estado Novo, onde chefiou jovens jornalistas como Jaime Gama, actual presidente da Assembleia da República. E depois da Revolução dos Cravos resistiu no mesmo vespertino ao ataque de grupos extremistas que também não respeitavam a liberdade democrática.

Foi como resistente que acompanhou depois a equipa saída do ‘República’ no vespertino ‘A Luta’, cujo projecto se esgotou após o estabelecimento da normalidade constitucional.

O seu papel de destaque na imprensa portuguesa, que teve o ponto mais alto na fundação e afirmação do Correio da Manhã como maior jornal nacional, foi-lhe reconhecido em Junho de 2000, quando o Presidente da República Jorge Sampaio lhe atribuiu e entregou o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

FUNERAL HOJE EM RIO DE MOURO

A Igreja de Santo António do Estoril encheu-se ontem no velório de Vítor Direito, fundador do Correio da Manhã, de amigos e antigos colaboradores, para prestarem condolências à família enlutada.

A missa de corpo presente tem hoje lugar às 10h30 na mesma Igreja, seguindo depois o funeral para o Cemitério de Rio de Mouro, onde Vítor Direito será cremado.

APONTAMENTO

18 de Janeiro de 2001 foi o último dia em que o nome de Vítor Direito apareceu no cabeçalho do jornal que fundou e lançou a 19 de Março de 1979. Foi director até 1991 e PDG desde então.

BILHETE POSTAL

Bem prega frei Tomás ... e cada um é livre de falar sobre o que entender. Na passada quinta-feira (era de paixão) foi o general Eanes quem falou acerca da actividade dos jornalistas. Hoje, sou eu quem fala acerca da actividade dos presidentes da República.

Com a devida vénia, faço-o usando as mesmas palavras de Sua Excelência: se os presidentes da República portugueses souberem afirmar uma permanente vigilância crítica em relação aos acontecimentos, se souberem manter a distância e a independência em relação aos partidos políticos, se souberem reflectir a corrente maioritária da opinião pública de modo a que esta se sinta acompanhada na evolução, se souberem resistir a todas as formas subtis de pressão, exercidas pela ilimitada ambição de uns e pelo tolo pretensiosismo de outros, será rápido e curto o caminho que nos conduzirá a um País digno dos portugueses.

Toma lá ... que é democrático.

Correio da Manhã, 12-4-1982

Ouvi o dr. Soares e gostei. Aquilo ultrapassou os limites de uma simples mensagem de Ano Novo para se transformar numa lição de política internacional. Depois de o ouvir... só é inculto quem quer. Mesmo sem ter lido o livrinho do eucalipto. Mas, do que ainda gostei mais, foi do esconjuro ao ‘pessimismo nacional’. Assim mesmo é que é. Não temos estradas, não temos comboios modernos, não temos Saúde, não temos habitação, não temos Previdência, não temos Educação, não temos, não temos, não temos. Mas, com seiscentas pipas, tenhamos, ao menos, optimismo. Vá lá, façam o favor.

Correio da Manhã, 03-01-90

Pronto. Tinha de ser. O Governo já está remodelado. Agora só falta remodelar a governação.

Correio da Manhã, 04-01-90

 

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