Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
8

Cobertura conjunta impede inovação

O facto de as três estações de televisão generalistas terem andado praticamente de braço dado na cobertura da campanha eleitoral foi o grande adversário da inovação. Mas, apesar deste pecado, pode considerar-se positivo o trabalho dos canais, segundo a avaliação do crítico Fernando Sobral, o qual vai, inclusive, mais longe, sublinhando que a televisão acaba por sair vencedora desta corrida iniciada, oficialmente, no dia 8.
20 de Janeiro de 2006 às 00:00
'As melhores frases dos candidatos, os momentos mais caricatos ou os discursos mais formais têm estado sempre no pequeno ecrã', defende o crítico de TV
'As melhores frases dos candidatos, os momentos mais caricatos ou os discursos mais formais têm estado sempre no pequeno ecrã', defende o crítico de TV FOTO: DR
“É difícil colocar medalhas no peito de qualquer canal televisivo relativamente à cobertura das presidenciais”, diz Fernando Sobral. Mas “independentemente do candidato que vier a ganhar as eleições”, o crítico considera que a televisão, pela “cobertura sã e equilibrada”, sai como grande vencedora da campanha. “As melhores frases dos candidatos, os momentos mais caricatos ou os discursos mais formais têm estado sempre no pequeno ecrã”, diz o crítico.
Durante o período de campanha ocorreram alguns momentos de tensão entre os candidatos e os órgãos de Comunicação Social. E a televisão foi, quase sempre, o alvo preferido. Mário Soares, primeiro, Garcia Pereira, durante praticamente toda a campanha, e Jerónimo de Sousa, no rescaldo do seu comício no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, foram os mais incisivos.
Fernando Sobral concorda com as queixas do advogado Garcia Pereira e argumenta que a SIC “perdeu um pouco do seu brilho” ao desprezar a candidatura do líder do PCTP/MRPP. Mas o especialista não encontra fundamento nas restantes queixas. Sobral rejeita mesmo a existência de “um claro apoio dos canais a qualquer candidato” e sublinha: “No essencial, todos os candidatos podem sentir-se felizes com a qualidade média das reportagens.”
Durante as últimas semanas, dezenas de profissionais percorreram milhares de quilómetros atrás das comitivas. E, segundo Sobral, “os repórteres no terreno têm feito de forma profissional o seu trabalho”. O ‘expert’, à semelhança do que fizera relativamente às estações, também não discrimina pela positiva quem quer que seja. “Custa destacar algum”, diz o crítico, que reforça o desempenho de todos os representantes dos diferentes canais. “Ao contrário do que muitos clamam, as televisões seguiram os candidatos e não foram estes que perseguiram as câmaras”, conclui.
BALSEMÃO E RANGEL EM CAMPO
As declarações de Mário Soares à TSF, acusando a Comunicação Social, a SIC em particular, por apoiar a candidatura de Cavaco Silva, foram o momento mais polémico da campanha.
Ricardo Costa, da direcção da SIC e SIC Notícias, considerou a acusação “um absurdo”, lembrando: “A sua repetição constante é um verdadeiro perigo para a democracia.” Por sua vez, Emídio Rangel, apoiante do candidato socialista, disse que “o grupo Balsemão prejudica a candidatura de Mário Soares.” Francisco Pinto Balsemão, presidente do grupo Impresa, disse que a hipótese de os grupos de media favorecerem uma candidatura é “pura fantasia”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)