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Correio da Manhã

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COMO PEIXES NA ÁGUA

Sentem-se adaptados ao meio televisivo, mas não deixam de notar as diferenças em relação ao ‘Flashback’ da TSF. Ao contrário de Pacheco Pereira, José Magalhães e Lobo Xavier confessam que tomaram precauções. “É preciso mais compostura”…
14 de Fevereiro de 2004 às 00:00
Foi, durante dez anos, um clássico da rádio portuguesa. Seis meses depois da sua morte, ‘Flashback’ está vivo. Pelo menos, em espírito, já que o nome agora é outro, ‘Quadratura do Círculo’. Todos os domingos, na SIC Notícias, o jornalista Carlos Andrade e os políticos António Lobo Xavier, José Magalhães e José Pacheco Pereira soltam o verbo, mantendo sempre a língua afiada.
E, apesar das diferenças, um mês depois do arranque os participantes da ‘Quadratura do Círculo’ sentem-se como peixe na água no novo meio. O moderador Carlos Andrade, um profissional com pergaminhos firmados na rádio, é radical ao afirmar que o novo programa, transmitido às 15h00 de domingo na SIC Notícias, é um formato de características únicas que valem por si próprias. “Este programa é uma abstracção quase absoluta do meio”, alega o antigo director da rádio informativa.
Nas manhãs de sexta-feira, Pacheco Pereira, José Magalhães e Lobo Xavier chegam aos estúdios da SIC uma hora antes do início das gravações. Sentados a uma mesa rectangular no café da estação, na companhia de Carlos Andrade, trocam algumas impressões sobre a actualidade. Passam à sala de maquilhagem e pouco antes das 11 horas tomam lugar no sóbrio cenário do programa, delimitado por espessas cortinas verde-escuras. O ambiente é descontraído. Um ou outro lança uma piada.
Pacheco Pereira, habituado há muito aos truques da televisão, valoriza a familiaridade entre os quatro intervenientes, como elemento importante para assegurar um bom resultado frente às câmaras. “Conhecemo-nos muito bem, o que é muito importante”, afirma o eurodeputado social-democrata.
As mudanças sofridas pelo programa não se limitam àquelas que o público detecta. José Magalhães, que já viveu uma experiência televisiva anterior (o próprio ‘Flashback’ da TSF, na SIC, em 1992), é de opinião que “o meio televisivo dá mais oportunidades” que o radiofónico. “A imagem capta os gestos e as nossas reacções faciais e, nesse sentido, exige da nossa parte mais atenção”, afirma o deputado socialista. A participação há longo tempo num trabalho comum cria, apesar das naturais contradições políticas, um certo espírito de equipa. “É uma tertúlia que se abstrai de alguma maneira do meio só pelo prazer de cada um estar com os outros”, acentua.
Lobo Xavier revela-se atento às exigências impostas pela presença das câmaras. Confessa que viveu um período de adaptação. “É importante ter consciência disso, para que se seja comedido”, afirma este membro destacado do CDS-PP. A TV é, de facto, diferente da rádio. “É preciso compostura”, sublinha. Mas, segundo nos diz, o pior já passou: “Com o tempo já me sinto mais despreocupado.”
MAIS IMAGENS PARA PACHECO PEREIRA
A intervenção semanal de Pacheco Pereira no ‘Jornal da Noite’ da SIC (sábado) está a ser sujeita a alterações que visam melhorar o resultado. “A utilização mais frequente da imagem e de gravações realizadas fora do estúdio irão aproximar a fórmula do modelo que propus inicialmente”, afirmou o eurodeputado social-democrata ao Correio TV.
A transferência dos
comentários de Pacheco Pereira de sábado para domingo ocorreu aquando da estreia de ‘Quadratura do Círculo’ na grelha da SIC Notícias, em 11 de Janeiro. O comentador sublinha que as suas audiências no sábado são superiores às de domingo.
Na fase anterior, Pacheco Pereira sofria a concorrência de Marcelo Rebelo de Sousa no ‘Jornal Nacional’ da TVI, embora, em rigor, a sua prestação, feita na primeira parte do ‘Jornal da Noite, não coincidisse geralmente com a do comentador da TVI, cuja intervenção era (e é) formulada um pouco mais tarde.
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