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Comprador pagará indemnizações

A Prensa Ibérica, grupo espanhol detentor dos títulos ‘O Comércio do Porto’ e ‘A Capital’ já terá definido um preço para os interessados na compra dos dois jornais. Ao que tudo indica, o valor a ser pago corresponderá, pelo menos, ao total gasto pelo grupo em indemnizações. Com o processo de rescisão de contratos ainda em curso, o valor exacto ainda não está definido.
19 de Agosto de 2005 às 00:00
O montante pedido pelo ‘O Comércio’ e ‘A Capital’ dificulta o regresso dos jornais às bancas
O montante pedido pelo ‘O Comércio’ e ‘A Capital’ dificulta o regresso dos jornais às bancas FOTO: DR
Edite Esteves, porta-voz do projecto de cooperativa que pretende viabilizar os títulos (ver caixa), confirma que o preço a definir pela Prensa Ibérica terá como base o valor das indemnizações: “Caso não existissem, compraríamos os títulos ao custo de um euro. Existindo, o valor a pagar estará directamente relacionado com as indemnizações”.
Segundo publicou o CM, a Prensa Ibérica terá exigido ao Grupo Finanzza Investments cerca de 2,5 milhões de euros, como garantia bancária, para cobrir apenas as indemnizações dos funcionários do ‘Comércio’. Dado o valor em causa, o administrador do grupo, Vítor Fernandes, acabou por recuar nas suas intenções.
Aliás, o montante em causa é de tal forma elevado, que não deverá existir no mercado nacional, nenhum investidor disposto a desembolsar tamanha quantia por dois títulos encerrados a 29 de Julho. Contactado pelo CM, o administrador da Prensa Ibérica, António Matos, escusou-se a fazer qualquer comentário.
Já a questão do passivo dos jornais, que rondava os cerca de dez milhões de euros, Edite Esteves afirma que a cooperativa ‘Alternativa de Produção Jornalistica’ não precisa de se preocupar pois está assegurado pelo grupo espanhol. Sabe o CM que vários membros fundadores de ‘A Capital’ já manifestaram a sua disponibilidade para integrar a cooperativa como cooperantes.
COOPERATIVA EM ASSEMBLEIA
A cooperativa criada para viabilizar os jornais ‘O Comércio do Porto’ e ‘A Capital’ vai reunir na terça-feira em assembleia geral para aprovar os estatutos e a comissão instaladora, disse ontem o presidente do Sindicato dos Jornalistas. Os fundadores da recém-criada Alternativa – Produção Jornalista CRL, um grupo de jornalistas dos dois diários suspensos no dia 29 de Julho pela Prensa Ibérica, irão assim proceder à constituição formal da cooperativa. Alfredo Maia adiantou ainda que a cooperativa já realizou alguns contactos com o grupo espanhol e tem “trabalhos em curso”. Alguns dias após o fecho dos títulos, o sindicato propôs a criação de uma cooperativa para viabilizar os dois títulos, encerrados devido à contínua queda de vendas, tendo promovido encontros entre as equipas dos diários e um especialista do movimento cooperativo para esclarecimento de dúvidas.
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