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Correio da Manhã

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Concurso do ISEG feito ‘à medida’

O Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) lançou um concurso público para a compra de espaços de publicidade na comunicação social cujos critérios apontam para um só candidato: a Impresa de Pinto Balsemão. A escola justifica a opção com o facto de a lei não dar liberdade para escolher o sítio mais adequado à publicitação das licenciaturas, pós- graduações e mestrados.
20 de Outubro de 2012 às 01:00
João Duque, presidente do ISEG, justifica a opção com as imposições da lei. O economista é também comentador pago em órgãos do grupo Impresa
João Duque, presidente do ISEG, justifica a opção com as imposições da lei. O economista é também comentador pago em órgãos do grupo Impresa FOTO: João Miguel Rodrigues

O caderno de encargos, a que o CM teve acesso, resume que "para a publicação dos anúncios pretende-se um grupo de comunicação social que tenha um canal de TV e ainda um jornal semanal com mais de 100 mil exemplares de tiragem, dirigido às classes A, B e C". O ISEG põe ainda como exigência que "o grupo deverá também ter uma revista semanal, que aborde temas de gestão, economia e finanças, com tiragem semanal de pelo menos 100 mil exemplares". Ora, o único no País com tais características é a Impresa.

O concurso, de 160 mil euros, foi publicado no início do mês. Ao CM, fonte oficial diz que "a Impresa concorre diariamente a vários concursos na área de compra de espaço publicitário, tendo concorrido a este em questão". "Relativamente aos termos do concurso , o grupo Impresa é alheio."

Já João Duque, presidente do ISEG, afirma que "é possível que o concurso tenha como objectivo publicitar no ‘Expresso’", uma escolha que "tem que ver com o ‘target’ a atingir". "Se quero fazer uma campanha de largo espectro sobre as licenciaturas, tenho determinado tipo de público e escolho um meio. Se for publicitar pós-graduações, uso outro meio." Aliás, o ISEG "faz regularmente publicidade nos jornais ‘Económico’, ‘Expresso’, ‘Sol’ e CM". Para João Duque, o problema é a lei. "Tenho de fazer contratos em abstracto porque essa é a imposição" do Código dos Contratos Públicos. "A lei é feita sem ter em conta a realidade das instituições, daí a necessidade de afunilar critérios", resume.

DUQUE É PAGO PARA COMENTAR ECONOMIA DA SIC 

João Duque, como economista, é comentador remunerado da Sic Notícias. E faz ainda opinião para o ‘Expresso’, dois meios de comunicação da Impresa.

Sobre a ligação ao grupo enquanto comentador e os parâmetros do concurso "são mera coincidência", diz. Já a Impresa explicou ao CM que João Duque "não tem qualquer tipo de contrato com a Sic Notícias; mas como comentador, recebe um valor acordado". "Juntar as duas coisas [o comentário ao concurso]" não é correcto", acrescenta.

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