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Correio da Manhã

Tv Media
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Concurso sem nada de novo

O novo concurso ‘O Cubo’ diz-se inovador ao apostar fortemente na tecnologia, mas o conteúdo não difere substancialmente de uma série de outras propostas de entretenimento já vistas, revistas e aumentadas.
16 de Abril de 2010 às 00:00
Concurso sem nada de novo
Concurso sem nada de novo

O mundo dos concursos é um quebra-cabeças, tal como continua a ser o célebre Cubo Mágico de Rubik que levou tantas pessoas ao desespero. Compreende-se que o mundo dos concursos seja uma dor de cabeça para a RTP: o serviço público vive deles como espinha dorsal da sua programação. Se não existissem concursos o que seria a programação do chamado serviço público da actualidade? Não admira por isso que, habituados a baralhar e a dar sempre as mesmas cartas, os responsáveis da RTP tenham ido repescar um dos seus apresentadores que servem para tudo para apresentar um novo jogo. Chama-se ‘O Cubo’ e é a adaptação (como não poderia deixar de ser) de um concurso britânico.

Apresentado como ‘inovador’, fica-se com a dúvida se a inovação não se restringe ao cubo onde estão os concorrentes ser transparente (dentro de uma lógica subliminar de ‘reality show’, onde todos podemos estar a espreitar pela janela, pela fechadura ou pela câmara de televisão) e à parafernália tecnológica utilizada. De resto o concurso joga com a ansiedade dos concorrentes, receosos de perder vidas, e com a bisbilhotice dos espectadores. Não há ali nada de empolgante e que, para lá dos efeitos especiais tecnológicos, traga algo de inovador à televisão. É bem produzido e tecnologicamente impoluto, mas essa é a sua única virtualidade.

‘O Cubo’ é uma versão inocente do ‘Big Brother’: fechados numa caixa, vigiados por todos os lados, os concorrentes têm de controlar os nervos espicaçados até ao limite. E têm de perceber que as ‘ajudas’ são formas de os condicionar ainda mais a cometer erros sucessivos. Depois há Jorge Gabriel, que mantém sempre o mesmo registo, esteja a apresentar concursos ou a entrevistar um qualquer convidado num programa matinal. Já não surpreende. ‘O Cubo’ acaba por ser apenas mais um jogo no canal dos concursos. Vê-se, o público fica entretido, e espera que surja no futuro outra coisa com que ocupar o tempo. Mas chamá-lo ‘inovador’ é apenas areia para os olhos.

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