Elísio de Oliveira, conselheiro da RTP, ouvido nesta quinta-feira à tarde pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social ERC, confirma ao 'CM' que a reunião do dia 11 de Janeiro de 2012 do grupo de trabalho da rádio decorreu no “meu gabinete e nela ficou determinado acabar com o programa ‘Este Tempo’ [do qual fazia parte a crónica de Pedro Rosa Mendes], bem como com outros programas”.<br/>
O conselheiro disse ainda que um dos motivos evocados para o fim do referido programa se deveu ao facto de o mesmo “não estar a cumprir os objectivos para que foi criado”, além de que “o contrato terminava a 31 de Janeiro”, e havia que “cortar nas despesas”.
Além de Elísio de Oliveira, ex-vice-presidente da entidade reguladora, foi também ouvido Carlos Gomes, um dos membros do grupo de trabalho da rádio com responsabilidades da área técnica, criada para “repensar os custos à luz das novas exigências orçamentais”.
O engenheiro da RTP confessa que a sua preocupação se “focou naquilo que tinha de cortar na minha área”. E, nem sequer, tem memória de se ter falado no referido programa. “Entendo a importância do assunto, mas eu não estou no grupo a olhar para programas, eu preocupo-me em dar apoio às várias antenas de rádio. O programa para mim não é relevante”, diz.
E acrescenta: “Nós temos que poupar dinheiro. Tenho contratos na minha área e vou pedir para reduzirem 20 por cento. Se eu conseguir negociar com os meus fornecedores esses 20 por cento, então consigo reduzir mais dinheiro. Vamos ter menos dinheiro e temos de reduzir custos num esforço colectivo.”
A acção do grupo de trabalho da rádio, coordenado por Luís Marinho, director-geral, e composto pelo referido engenheiro e pelas direcções de programas e de informação, já entregou um relatório ao conselho de administração da RTP que o deverá agora validar. “A nossa proposta está entregue, agora veremos se é aprovada ou não, se nos vão pedir para reduzir ainda mais”, conclui Carlos Gomes.
Para o engenheiro, o ideal “dada a situação do País”, era ter-se “poupado dinheiro há dois anos”.
Carlos Magno, presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, disse ao CM que as audições “estão a decorrer com tranquilidade” e, à partida, não serão ouvidas mais personalidades no âmbito do ‘caso Pedro Rosa Mendes’.
Recorde-se que o jornalista e colaborador Pedro Rosa Mendes assinava uma crónica semanal no programa ‘Este Tempo’, da Antena 1, a qual terminou dias depois de ter ido para o ar a sua crónica a criticar o programa ‘Reencontro’ da RTP1 em Angola.
O director-geral da RTP reconheceu na comissão parlamentar de Ética que o teor da crónica não foi do seu agrado, contudo, referiu que tanto aquele, como outros programas, tinham os dias contados devido aos cortes nos orçamentos da empresa pública.
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