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Correio da Manhã

Tv Media
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CULTURA PARA NOCTÍVAGOS

Apesar da hora tardia a que são transmitidos, os programas de informação cultural conseguem ter um número considerável de ‘clientes habituais’. Um serviço público imprescindível para quem não dispensa as artes…
28 de Agosto de 2004 às 00:00
Na televisão portuguesa, a cultura é servida ao fim da noite. Diariamente na 2:, semanalmente na SIC e na TVI. O serviço público prestado pela estações privadas foi, aliás, negociado entre os três operadores de televisão no final do Verão passado, sob a égide do ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento.
Um ano depois do fim do mais antigo ‘telejornal’ cultural da Europa, o ‘Acontece’ de Carlos Pinto Coelho, que balanço há a fazer da oferta televisiva neste segmento? Foi o que a Correio TV procurou saber.
Apresentado por Anabela Mota Ribeiro, o ‘Magazine’ é o único transmitido diariamente nos canais abertos, já que os da SIC e da TVI vão para o ar uma vez por semana. Manuel Falcão, director de programas da 2:, não quer fazer comparações com o extinto ‘Acontece’. “É outro programa, com um carácter mais utilitário. Não é um programa de autor, é um programa para pessoas que se interessem pelos temas culturais”, afirma à Correio TV.
O ‘Magazine’ vai para o ar de segunda a sexta-feira, às 23 e 30. Mesmo assim é o programa do género transmitido mais cedo, já que, tanto na SIC como na TVI, os seus congéneres vão para o ar depois da uma e meia da madrugada.
“Encontrámos o horário ideal ao fim de sete meses de transmissão Quando o programa arrancou às nove horas verificámos que, tendo em conta o público a que se destina, era muito cedo. Fizemos algumas experiências e acabámos por concluir que às 23h30 era a melhor hora. Temos obtido muito bom resultado com este horário”, diz Manuel Falcão.
“É uma hora em que as pessoas que normalmente se interessam por este tipo de programa já estão disponíveis e não é tão tarde que impeça quem tem de se levantar cedo no dia seguinte de ver”, acrescenta. Para o responsável do canal, que nunca morreu de amores pelo ‘Acontece’ de Carlos Pinto Coelho, o objectivo “era tornar o programa bastante abrangente em termos culturais e essa foi uma aposta conseguida”. “Conseguimos fidelizar espectadores”, garante.
Na SIC, a aposta é outra, todas as quintas-feiras ao início da madrugada. “No ‘Cartaz Cultural’ procuramos dar conhecimento do que se passa na área da cultura, sobretudo em Lisboa e no Porto, mas também fora das grandes cidades. Naturalmente, damos prioridade às novidades culturais. Tudo isto em meia hora, num registo semanal”, diz a apresentadora Sofia Cerveira.
No que diz respeito à hora de transmissão, o rosto do programa sublinha que “não há uma regra para definir um horário de serviço público”. “Claro que um programa que passe da madrugada dificilmente atingirá um grande número de pessoas. Mas, e no que ao ‘Cartaz Cultural’ diz respeito, estamos no limite. À hora a que emitimos (01h30) muito do nosso público-alvo está ainda a chegar a casa”, assegura.
A mesma opinião tem António Lopes da Silva, editor do ‘Cartaz das Artes’, o programa cultural que a TVI exibe à quinta-feira à 01h45, o “horário adequado para o público a que se destina”. “Temos à volta de 100 mil espectadores por programa em média, que é um número bastante significativo, mesmo sendo àquela hora. Superou bastante as expectativas que tinham sido criadas em relação ao programa. Temos um ‘share’ médio de 29 por cento e já tivemos picos de 45 por cento”, revela à Correio TV.
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