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Correio da Manhã

Tv Media
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Difícil foi fazer cenas dramáticas

Aos 14 anos já fazia produções de moda, catálogos, desfiles e publicidade. Nove anos depois, a manequim quis ousar novas experiências. Tentou a representação. E acaba de se estrear com ‘O Crime do Padre Amaro’, uma aposta da SIC na ficção.
4 de Novembro de 2005 às 00:00
Difícil foi fazer cenas dramáticas
Difícil foi fazer cenas dramáticas FOTO: Jorge Paula
No filme que estreou há dias, e na versão televisiva que chega aos ecrãs no início de 2006, Soraia vive uma tórrida relação proibida com um padre.
Que balanço faz da sua estreia no ecrã?
Muito positivo. Tento transformar todas as experiências que tenho em aprendizagem. E esta foi especialmente positiva porque descobri uma área que me era desconhecida. Se eu, na altura, tinha curiosidade em conhecê-la, agora tenho mais. Ainda há tanta coisa por descobrir e para aprender depois deste projecto fantástico.
As cenas com Jorge Corrula e que exigiram maior intimidade foram difíceis de fazer?
Essas cenas exigiram de facto grande concentração e eu tentei abstrair-me da Soraia e passei a ser a Amélia [a protagonista, que é seduzida pelo padre].
Mas disse que as cenas de sexo não foram as mais difíceis. Quais foram então?
Mais difíceis ainda foram as cenas dramáticas. E a personagem tem uma carga dramática muito forte, há uma série de episódios complicados na vida da personagem e que exigiram muito mais de mim a nível emocional.
Recorde a cena mais complexa...
A Amélia tem um percurso dramático e certas cenas foram emocionalmente muito sentidas.
Ia para casa estudar a personagem?
Ia. Mas a composição da minha personagem foi feita antes da rodagem. Quando esta começou eu já conhecia a minha personagem. Descobri, na altura, que o importante neste trabalho é conhecer muito bem a personagem para proceder à sua construção e interpretá-la.
Quem a ajudou nessa fase?
Tive a sorte de trabalhar com o João Canijo, que é realizador e também faz direcção de actores. Foi ele que me deu aulas e todas as dicas para trabalhar a personagem. Essa ajuda foi fundamental.
A Soraia já tinha lido o romance do Eça de Queiroz?
Não, mas sabia que era uma das melhores obras da literatura portuguesa e tinha visto a adaptação mexicana. Mas li o livro assim que comecei a fazer os castings. Li-o num instante, porque é fabuloso.
Como acha que irão os portugueses aceitar as cenas mais ousadas?
Acho que estão preparados. Hoje em dia, isso está banalizado. Não será chocante, pode é criar curiosidade nas pessoas e acho que isso já está a acontecer.
Esteve atenta aos resultados da bilheteira no dia da estreia?
Estive, porque é importante para um actor ver como é que o público reage ao trabalho final. A representação é feita para o público. No dia da estreia o resultado da bilheteira foi fantástico!
Como foi a sua reacção quando se viu e ouviu pela primeira vez no ecrã?
Foi muito estranho. Tão estranho que, confesso, só vi defeitos na minha representação. Mas também sou muito crítica e exigente comigo mesma e com o meu trabalho. E não estava habituada. Foi um choque. Mas todos os meus erros serão corrigidos para conseguir mais e melhor no futuro.
Não se deixou intimidar pela presença dos grandes actores do elenco?
Não quis deixar intimidar-me, porque isso poderia prejudicar o meu desempenho. Mas é óbvio que há alturas em que sentimos quase uma espécie de constrangimento, porque eu nunca imaginei estrear-me na representação logo rodeada destes colegas. É com orgulho que digo ter trabalhado com o Nicolau Breyner.
A Soraia já se considera uma actriz?
Tive uma experiência como actriz. Para me considerar actriz teria de fazer da representação a minha profissão e isso exigiria outras experiências, outra formação e aprendizagem. Neste momento digo apenas que fiz um trabalho como actriz.
Descobriu já alguns prós e contras do trabalho de actriz?
O desgaste emocional a que o trabalho nos pode obrigar. O trabalho obriga-nos a entregar muito de nós. Esta é a parte difícil.
E a parte mais fácil? A vantajosa?
É poder fazer parte de projectos artísticos como este.
Como acha que a série vai ser recebida na televisão?
Com muito interesse. Até porque a série contém quase o dobro das cenas do filme! Ainda que algumas cenas lhe tenham sido retiradas para a versão cinematográfica. Outras foram reduzidas a metade. Há muito para ver ainda. A versão cinema tem 90 minutos e a série vai ter mais de três horas.
A Soraia vê muita televisão?
Não, não vejo.
Há algum programa, alguma série televisiva que a tenha marcado mais?
Não. Em termos de representação, as minhas referências estão no cinema.
Vive sozinha ou com a família?
A minha profissão exige uma independência muito grande, porque andamos sempre de um lado para o outro. Mas ainda não tenho casa própria e vivo com os meus pais.
PROGRESSÃO DE CARREIRA
EXPORAR A REPRESENTAÇÃO
“Nesta altura queria conciliar a moda com a representação. Estou há muitos anos na moda e agora fiquei com vontade de aprender mais na área da representação.”
ENCARAR A POPULARIDADE
“Nunca fui figura pública. E não sei bem o que vai acontecer, mas tenho a certeza de que vou continuar a agir com a naturalidade com que sempre agi na minha vida.”
EM QUATRO DIAS MAIS DE 300 MIL ESPECTADORES VIRAM O FILME
1- “Temas como sexo, hipocrisia da igreja e aborto podem chocar, mas abanam mentalidades.”
2- “A dificuldade maior foi tornar reais as cenas, interiorizar sentimentos e emoções.”
3- “Nas cenas que exigiram maior intimidade, a equipa técnica foi reduzida ao mínimo.”
4- “As cenas de sexo foram as mais constrangedoras, mas não as mais difíceis.”
OPINIÃO DE JORGE CORRULA
"UMA EVOLUÇÃO NOTÓRIA"
Coube a Jorge Corrula, de 27 anos e oito de carreira, protagonizar o papel do Padre Amaro por quem se apaixonou Amélia. Questionado sobre a prestação da jovem manequim de 23 anos, Jorge Corrula foi peremptório: “Uma vez que a Soraia não tinha tido qualquer experiência na área da representação, fiquei muito surpreendido com o resultado final e com o desempenho dela. Do começo da rodagem até meio ela deu um grande salto. A sua evolução foi notória”.
No universo da moda, Soraia Chaves distinguiu-se ao vencer o concurso ‘Elite Model Look’ em 1997, e ao conquistar o prémio de melhor manequim comercial no ‘Fashion TV Awards’, em 2003.
'O CRIME DO PADRE AMARO'
Baseada no romance homónimo de Eça de Queiroz, a série vai ter três horas de duração.
Formato: série.
Estreia: 2006.
Canal: SIC.
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