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“É a segunda vez que estou a bater lá em cima” (COM VÍDEO)

Regressou à TV após anos de ausência. Confessa que prefere a rádio, mas ‘A Tua Cara...’ é já um momento alto da sua carreira

25 de maio de 2012 às 15:00

Que balanço faz de ‘A Tua Cara Não me É Estranha’?

Já não fazia TV há quase uma década e voltar com um programa destes, que é um fenómeno de uma década, na linha do ‘Zip Zip’, do ‘1,2,3’ ou de ‘A Visita da Cornélia’, é fantástico.

Sente-se confortável?

Sim, estou à vontade, sou eu próprio e posso improvisar.

Há pessoas que dizem que vocês são pouco críticos…

Fazer uma imitação na primeira gala foi sensacional porque nos deu a dimensão do quão difícil é imitar seja o que for. E refreou a análise que fazemos. Percebemos que não é uma coisa fácil.

Como classifica este júri?

É civilizado, tem respeito por aquilo que as pessoas estão a fazer e não tenciona meter uma espada em cima de ninguém.

Isso acontece em outros programas, nomeadamente no ‘Ídolos’ [SIC]?

As coisas podem ser ditas de maneira diferente. Evidentemente que há formatos em que os jurados compõem bonecos: o mau da fita, a contemplativa… Não há é necessidade de sermos estúpidos com as pessoas.

Recordo-me de uma edição de ‘A Tua Cara…’ em que lançou algumas críticas ao Manuel Moura dos Santos…

Essa guerra não me pertence (risos). É entre dois homens que sabem de música, já foram família e hoje não se dão…

Mas apoiou Luís Jardim nas críticas a Moura dos Santos sobre Luciana Abreu…

Sim, não estive nada de acordo com o Manuel em relação à avaliação que fez. Há maneiras diferentes de dizer que não. Esta não é uma palavra que tenha de ser dita aos gritos ou aos murros. Não contem comigo para esse peditório.

Qual é a voz que mais se destaca entre todos os concorrentes?

O que vai mais longe é o FF. Tem uma voz invulgar. É um miúdo fabuloso em qualquer parte do Mundo.

Estava à espera do sucesso que ‘A Tua Cara…’ atingiu?

Não. Estava à espera que fosse um êxito, mas mentia se dissesse que estava à espera disto.

Podemos esperar uma nova temporada?

Estou convencido que sim. Seria um disparate não aproveitar este sucesso. Não duvido que vai haver uma nova edição.

Faz ideia de quando será?

Não.

Tem sentido que seja já agora, colada a esta edição?

Talvez. Se não houvesse a crise que há por aí diria que não se devia fazer já a seguir porque começa o Verão e as pessoas ausentam-se. Mas mais de metade dos portugueses vai gozar férias em casa e o consumo não vai baixar muito.

Este programa foi uma das coisas que mais prazer lhe deu fazer em televisão?

Foi. O programa que mais gozo me deu foi o ‘Palavra Puxa Palavra’ [RTP, 1990], o meu primeiro êxito televisivo. Gostei também de substituir o Carlos Cruz no ‘1,2,3’ [RTP, 1993], e depois este, indiscutivelmente. ‘A Tua Cara...’ tem uma coisa fantástica: é transversal. Havia uma geração que não me conhecia, hoje vou na rua e dizem: ‘Olha, é o Sala de ‘A Tua Cara…’’

Em algum momento teve a notoriedade que tem hoje?

A nível televisivo, não. Mas a nível de nome e de voz, tive. Se recuarmos 15 ou 20 anos, a notoriedade que tinha por causa do programa da manhã [‘Despertar’, Renascença] era igual ou superior à que tenho hoje. Acho que é a segunda vez que estou a bater lá em cima.

O que prefere? A notoriedade da rádio ou da TV?

As duas. A rádio é uma coisa muito intimista e afectiva... Costumava dizer que as pessoas na rádio conheciam a minha alma. A TV faz-nos conhecer a cara.

Que recorda do seu primeiro trabalho, na Rádio Ribatejo?

Dos meus sonhos, de querer ser locutor conhecido, de querer fazer programas desportivos – que não tenho jeito nenhum, nunca tive. No fundo, recordo--me de fazer as coisas mediante as influências de outros profissionais que gostava.

Quem foram as suas maiores referências?

O Artur Agostinho foi o mais marcante, a pessoa que mais queria imitar. Mas gostava também do Fernando Correia e do Pedro Moutinho.

Era uma rádio diferente?

Completamente. Uma rádio de autor, em que cada programa que uma pessoa fazia era um retracto de si própria. Hoje está muito padronizada. A rádio que gosto de fazer, hoje em dia, já não se faz.

É crítico da rádio que se faz?

Há rádios que defendo que devem ser diferentes, sim. Mas temos excepções: o programa da manhã da Comercial é muito o retracto das pessoas que o fazem [Pedro Ribeiro, Vanda Miranda, Vasco Palmeirim, Nuno Markl e Ricardo Araújo Pereira], e isso é bom. É o único programa onde acho que hoje me encaixava. Eles conseguem uma coisa bestial: surpreender.

Porque é que fez pouca TV?

Poderia ter feito mais mas a minha vida não dava para isso, mas sempre gostei mais de rádio do que de televisão.

Gostava de ter feito mais?

Sim. Gostava de ter um programa de conversa, com gente conhecida e desconhecida.

E esse programa não se vai concretizar?

Da minha parte há abertura para isso. Se surgir um convite simpático, talvez.

Falou-se recentemente na possibilidade de ter um programa na TVI…

Não será já, mas talvez…

Então para quando?

Não sei. Vamos lá ver se 2013 traz uma surpresa televisiva.

No tipo de formato de que estava a falar?

Sim.

Na TVI…

Não sei. Mas estou na TVI e gosto de cá estar.

Para a TVI 24?

É um programa que se enquadrava bem na TVI 24. Até porque as pessoas me identificam muito nesta altura com a TVI.

Até aceitar o convite de ‘A Tua Cara…’ passou vários anos afastado da TV. Porquê?

Tive convites, mas foi uma opção pessoal. Não me agradaram. Também estive para não aceitar este por causa do perfil de programa que a TVI tinha neste horário [‘Casa dos Segredos’]. Mas depois vi a versão espanhola e fiquei encantado.

E que convites recebeu?

De todos os canais. Para concursos. Mas já não me apetecia fazer esse tipo de programas.

Porquê?

Já fiz muitos. Um concurso obrigava-me a estar muito amarrado às regras. Queria uma coisa onde pudesse improvisar e falar à vontade, como agora.

Como é que olha para o panorama televisivo actual?

Grande parte da rádio que se fazia mudou-se para a TV. Os programas da manhã e da tarde são o que se fazia nas rádios há uns anos. Portanto, as televisões estão superpovoadas de um público de rádio. Tirando isso, a televisão vive essencialmente da ficção, onde se está a fazer um bom trabalho, do entretenimento e da informação. Há, no entanto, uma lacuna: faz falta um programa em horário nobre onde possamos ver os artistas que gostamos de ouvir cantar. Tenho saudades de um grande espectáculo de sábado à noite… Um formato que em toda a parte existe, menos cá.

Via-se a apresentar um programa assim?

Sem falsas modéstias, via. Como via muitos nomes. Como eu há mais 10 ou 15 que podiam fazer isso.

Nomeadamente?

Não vou falar de nenhum...

Mas quem são hoje os grandes comunicadores da TV?

Não são tantos como isso, e toda a gente sabe quem são.

Recentemente teve um problema grave de saúde…

Já está ultrapassado, graças a Deus. Voltarei a fazer exames em Julho, mas para já os valores estão todos bem. É só mesmo rotina.

‘A Tua Cara…’ ajudou no processo de recuperação?

Foi, de facto, um estímulo para mim. Deu-me pressa em recuperar. Tinha duas metas: ficar bem e voltar a uma coisa que estava a gostar muito de fazer. Mas quando soube, ao terceiro programa, que tinha de me despedir, foi um baque grande.

Também o José Carlos Pereira, seu colega no júri, tem tido alguns problemas…

(pausa) É complicado… O José Carlos tem 33 anos, é uma estrela, é primeira figura de uma telenovela [‘Louco Amor’], é jurado num programa que é o maior êxito nesta altura, portanto, é muito apetecível. Se fosse casado e tivesse um filho ia tudo normal. Só que é solteiro, tem amigas, vai a discotecas e teve um problema relacionado com o álcool. É verdade que, às vezes, pode pôr-se a jeito, mas acho que existe algum exagero...

Mas recentemente ele teve um problema durante um directo de ‘A Tua Cara…’

Isso preocupou-me mas talvez não pelas razões que preocuparam os media. O José Carlos tinha estado num espectáculo em Évora no dia anterior, saiu de lá e foi para uma discoteca em Coimbra trabalhar. No outro dia regressou e à tarde estava completamente desfeito. Antes do programa tomou uma bebida energética e um café. Ora bem, fez asneira. Ficámos preocupados porque vimos que não estava bem, tanto que mediu a tensão e estava muito alta. O que lhe aconteceu poderia acontecer a qualquer um de nós.

Como gostava de ser recordado?

Como um tipo porreiro (risos). Um bom comunicador e um tipo porreiro. E, já agora, um bom pai.

PERFIL

Nascido em Vilar de Andorinho em 1949, António Sala estreou-se na rádio em 1966. Passou pela Rádio Ribatejo, Antena 1 e Renascença. Em 1972 estreia-se na TV com ‘Música Maestro’. Apresentou vários concursos na RTP e actualmente é jurado de ‘A Tua Cara Não me É Estranha’ (TVI).

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