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Correio da Manhã

Tv Media
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EDUCAR O GOSTO

A televisão deve ir ao encontro das expectativas e do gosto dos espectadores ou, pelo contrário, deve ir mais longe, rasgar novos horizontes, promover a cultura? A pergunta foi lançada há muitos anos e repetida, vezes sem conta, ao longo da última década, desde o surgimento da televisão privada em Portugal.
15 de Maio de 2004 às 00:00
Sempre que Emídio Rangel ousava no comando da SIC, transformando um formato polémico num grande sucesso de audiências, a pergunta voltava à boca dos críticos. Para que serve a televisão? Serve para dar o que o povo quer ou para educá-lo? No plano teórico, no idealismo utópico de cada um de nós, a televisão deveria ser, passe a metáfora, a cenoura que motiva o burro: uma espécie de isco, que nos move e faz andar para a frente.
Os mais saudosistas, os que viveram a televisão de outros tempos, das grandes variedades, das peças de teatro, dos concertos, dos bailados, da poesia ao serão, consideram que a televisão já cumpriu esse papel. Eram outros tempos, em que a televisão era uma espécie de pólo aglutinador da inteligência nacional. Era o motor que fazia mexer a máquina. Hoje, porém, a televisão não está isolada. Há actualmente um mundo que nos abre as portas lá fora. Um sem fim de espectáculos de teatro, de cinemas, de exposições e de bailados, de concertos e de livros. A proliferação de títulos de imprensa, dos mais genéricos aos mais especializados, e, sobretudo, a Internet tornaram mais fácil a vida a quem sente necessidade de estar actualizado. Que papel sobra então para a televisão? Fundamental, sem dúvida, mas já não único. Ou seja, a televisão deve continuar a contribuir para a nossa melhoria enquanto cidadãos, mas não é justo obrigá-la a suportar sozinha esse fardo sobre os ombros.
Aos operadores televisivos, sobretudo ao público, exige-se mais rigor, mais qualidade, mais bom gosto, como se pode, aliás, perceber da leitura atenta da interessante entrevista concedida à Correio TV pela directora-adjunta de programas da RTP, Maria de São José.
Apesar dessas legítimas expectativas, não exageremos: do pequeno ecrã não sairá a salvação do mundo. Porque a televisão é um negócio. Caro, ainda por cima…
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