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Correio da Manhã

Tv Media
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EIS PORTUGAL!

Primeiro Henrique Mendes, agora Fialho Gouveia. Portugal perde dois exemplos de dignidade...
9 de Outubro de 2004 às 00:00
1. No espaço de três meses, Portugal perdeu dois pioneiros da televisão. Em Julho, no dia 8, Henrique Mendes despediu--se de forma súbita, cortante. Agora, a 2 de Outubro, o coração de José Fialho Gouveia colocou fim a uma lenta agonia e sofrimento que se prolongavam desde 24 de Agosto último. É triste e doloroso ver partir Homens assim. Verticais e íntegros. Dedicados e empenhados. Verdadeiros profissionais que não vergam os seus princípios à sede de aparecer, que não vendem a sua alma perante a importância das amizades. Henrique Mendes e Fialho Gouveia partem antes do tempo. Que é sempre o que pensamos quando vemos partir quem gostamos. Mas têm algo mais em comum: partem tristes, desencantados com a televisão que ajudaram a fundar. Na época da TV ‘fast--food’, era bom que parássemos todos para pensar por que razão andamos a fazer dos competentes uma espécie de Chiclete. Mastiga-deita-fora. Nesta edição da Correio TV, recordamos Fialho Gouveia, pela mão de um dos homens que mais de perto com ele privou. Luiz Andrade, actual director de programas da RTP, o realizador do mítico ‘Zip Zip’ assina, em exclusivo para a nossa revista, uma prosa emocionada sobre Fialho. É a nossa homenagem ao Homem, é o nosso abraço à família.
2. Marcelo Rebelo de Sousa vai deixar a TVI. A notícia surgiu, num ‘take’ da Agência Lusa na quarta-feira à tarde, quando fechávamos esta edição. O assunto é realmente importante, por isso merece referência nestas linhas. E recordando o contexto em que tal acontece, é bom lembrar o incómodo crescente com que o governo de coligação PSD-CDS reagia aos comentários dominicais de Marcelo. Não resisto a transcrever o parágrafo da Lusa em que Marcelo, em discurso directo, justifica a saída repentina. “Na sequência de conversa da iniciativa do presidente da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, decidi cessar, de imediato, a colaboração na TVI, a qual sempre pude livremente conceber e executar durante quatro anos e meio.” Ou seja, Marcelo não invoca “razões pessoais”, é bem claro nas justificações. Para já, ninguém sai bem desta fotografia: nem quem pressionou, nem quem se permitiu pressionar. Os próximos dias serão certamente reveladores do que esteve na origem de tão inopinada decisão.
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