Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
8

Elisa entre Os Gran Por e os Ses

Num pujante grito de serviço público, falta apenas limar algumas arestas. Todos anseiam o debate entre Odete Santos e Nogueira Pinto.
19 de Janeiro de 2007 às 00:00
Negro. Da escuridão emergem, um a um, os vultos dos ‘Grandes Portugueses’ e dos seus defensores. Tudo muito sóbrio numa realização limpa e cuidada. Mas em televisão – e onde não é assim, nestes tempos que correm? – conquista-se a razão pela emoção. O programa que Maria Elisa conduz, ainda com algumas hesitações, corre o sério risco de se tornar um vazio de audiências por ausência de confronto entre os defensores das figuras mais fracturantes. Quanto não valeria em ‘share’ um debate entre Odete Santos, na defesa de Cunhal, e Jaime Nogueira Pinto, que hasteia Salazar. Mais resguardados, lá estão Paulo Portas e o seu D. João II, Rosado Fernandes, com Marquês de Pombal, ou Leonor Pinhão, na defesa de D. Afonso Henriques.
O projecto é aliciante mas já perde para qualquer ‘Inspector Max’ que a concorrência lhe ponha em cima. Uma pena.
Se a realização brilha na apresentação dos personagens, o cenário que ladeia Maria Elisa parece não pertencer ao mesmo programa. Dois ecrãs em tons predominantemente verdes passam um movimento sem fim nem sentido e têm inscrito em permanência o título do programa: ‘Os Grandes Portugueses’.
Ora Maria Elisa fala e o que se pode ler é ‘Os Gran Por’, ora Maria Elisa se move para outra posição e o que fica por detrás da pivô vai de ‘Ses’ a um mero ‘S’. É um ruído indesejável que pode e deve ser expurgado da comunicação. O plano geral em que Maria Elisa aparece de costas e os protagonistas de frente, sendo polémico face aos cânones clássicos, resulta em cheio. O programa ‘Os Grandes Portugueses’ é das ideias mais interessantes que a televisão portuguesa importou nos últimos anos. Falta limar algumas arestas e deixar rolar o debate. Serviço público, sem dúvida.
À FRENTE DAS CÂMARAS (POSITIVO)
MÁRIO CRESPO, SIC NOTÍCIAS
Numa televisão adulta em que, mesmo nos canais generalistas, os melhores pivôs estão a envelhecer no ecrã, é o mais veterano dos que enfrentam diariamente as câmaras quem maiores elogios merece.
O seu ‘Jornal das Nove’ é um espaço incontornável de debate e entrevista. Crespo apresenta-se no topo da carreira com o ritmo de sempre, mas cada vez mais depurada técnica de apresentação de notícias. E melhor tempo de condução de entrevistas. As palavras de Crespo deviam ser bebidas pelos jovens pivôs do canal para que apreendam alguns conceitos de como dar uma notícia em televisão – neste particular também Rodrigo Guedes de Carvalho é um bom exemplo. Mesmo quando recebe o poder, Crespo faz as perguntas que se impõem a qualquer interlocutor.
À FRENTE DAS CÂMARAS (POSITIVO)
HERNÂNI CARVALHO, TVI
A visão de José Eduardo Moniz evitou que este valor seguro na área da informação sobre segurança emigrasse para Angola. Com a saída de Hernâni, o fim das manhãs da SIC perdeu um dos seus pontos fortes. Vai aparecer em breve, exactamente no mesmo espaço horário, mas na TVI. As audiências, nas privadas, são como o algodão – não mentem.
Em breve veremos o que vale um bom jornalista/ /comunicador que continua sem medo de vestir a mais nobre pele de repórter. Quando os ‘shares’ de Hernâni começarem a consolidar, voltaremos ao assunto e ao desperdício que é menosprezar uma das áreas mais impactantes da informação.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)