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Correio da Manhã

Tv Media
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Em busca de um sonho

Glória Perez e Jayme Monjardim, respectivamente autora e realizador, apresentaram anteontem ‘América’, a mais recente produção da Globo, que estreia no próximo dia 14 no Brasil e que em breve irá para o ar na SIC.
3 de Março de 2005 às 00:00
A seu lado estiveram os representantes dos quatro temas principais da história: a imigração ilegal nos Estados Unidos; o universo rural dos rodeos; as dificuldados com que se debatem, no dia-a-dia, os deficientes visuais – tema que marca a campanha social da novela – e a vida após a morte. Mas a novela trata ainda de temas prementes como a cleptomania e a homossexualidade.
“Esta novela fala de sonhos e do que as pessoas seriam capazes de fazer pelos seus sonhos. Fala também das pessoas que querem ir para fora do Brasil para terem uma vida melhor. A ‘Sol’ (Deborah Secco) vai para a América para subir socialmente enquanto os mais ricos – representados por ‘Glauco’ (Edson Celulari) –, vão à procura de segurança e estabilidade”, acrescenta Glória Perez, que se inspirou na história de uma camareira mexicana que preferia estar a arrumar quartos nos EUA a ser jornalista no seu país.
“Vamos falar de sonhos, do desejo de realizá-los, das frustrações, enfim, dos conflitos humanos. A Glória sabe fazer isso muito bem. Ela consegue uma harmonia entre temas aparentemente distintos e acaba por apresentar ao público um grande leque social”, adianta Monjardim.
Em ‘América’, ‘Sol’ aventura-se na perigosa travessia da fronteira entre o México e os EUA em busca de uma vida mais feliz. Por sua vez, o peão ‘Tião’ (Murilo Benício) arrisca a vida a montar touros porque quer ser o campeão dos rodeos. E os dois vão viver um grande amor.
Após a apresentação, viajou-se até aos cenários da produção, nos estúdios do Projac. Construídos em mais de 17 mil metros quadrados de área – a maior até agora ocupada por uma novela –, vários edifícios característicos do Sul dos EUA e de um dos bairros típicos do Rio de Janeiro foram ganhando forma em pasta de papel. E apenas uma porta estreita separa Vila Isabel de um dos bairros de Miami ‘ocupados’ pela comunidade brasileira.
DEBORAH, A EMPREGADA DE LIMPEZA
Deborah Secco decidiu ir até Miami, Estados Unidos, para fazer uma pesquisa sobre a vida dos emigrantes brasileiros que foram até lá na demanda de um sonho. A actriz ficou na casa de amigos que, também eles, partiram um dia em busca de uma vida melhor. Decidida a percorrer o caminho dos seus compatriotas em terras do Tio Sam, Deborah foi trabalhar para a cadeia de restaurantes McDonald’s onde esteve apenas um dia. Começou na caixa do restaurante e, quatro horas depois, devido a vários protestos dos seus colegas de trabalho e como não dominava o inglês, Deborah foi despromovida e entregaram- -lhe um balde e um pano. “Como tinha que lavar o chão por trás do balcão, obrigaram-me a lavar de joelhos para que os clientes não me vissem”, recorda. A actriz que portugueses e brasileiros tanto prezam foi para o Mcdonald’s ganhar 70 dólares (cerca de 53 euros), mas acabou por sair de lá com apenas 40, já que não completou o dia de trabalho. “É uma exploração”, remata.
ATAQUE À MEMÓRIA DE DANIELA PEREZ
Um dos temas que ‘América’ aborda é o dos rodeos, o que tem provocado grandes dores de cabeça a Glória Perez. Algumas associações de protecção dos animais, que não vêem com bons olhos a mediatização do que consideram um acto de selvajaria, atacaram a memória da filha da autora, a actriz Daniela Perez, brutalmente assassinada por um companheiro de trabalho. O ataque levou Glória a apresentar queixa.
“(...) Uma das campanhas de ‘América’ é a de bons tratos aos animais. Em razão disso, como é de praxe em todos os meus trabalhos, entrei em contacto com homens do campo, tratadores, peões, donos de boiada, organizadores de rodeo, donos de animais domésticos e militantes da causa da protecção dos animais, com o intuito de fazer com que o país debatesse a questão de como enxergamos e de como nos relacionamos com os animais”, lê-se no comunicado.
Porém, houve organizações que reagiram com uma surpreendente agressividade. “Não quero generalizar, mas o que se me apresentou foi uma legião de psicopatas, que respondeu à convocação para participar na novela com um ataque violento à memória da minha filha Daniela, proferindo injúrias graves e fazendo escancarada apologia do crime, ao aplaudir a figura e o feito do seu assassino”, acrescenta. Os defensores dos animais chegaram a enviar-lhe e-mails, “a maior parte deles ilustrados com imagem do corpo sem vida de Daniela. Este acontecimento determinou algumas alterações na novela, mas a campanha pelos bons tratos vai continuar”.
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