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Correio da Manhã

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EMOÇÕES EM DIRECTO

Curiosa por natureza, gosta de conhecer os sentimentos das pessoas, reparando no olhar e na maneira como falam. Apesar de ser apresentadora, Teresa Guilherme não liga nada à roupa e odeia maquilhar-se. No próximo ano, espera voltar às “Cantigas da Rua”.
4 de Julho de 2002 às 19:19
Teresa diverte-se a apresentar programas
Teresa diverte-se a apresentar programas FOTO: Jorge Cruz
É curiosa por natureza, tentando perscrutar em especial os sentimentos das pessoas. Para conhecer bem os seus convidados em “As Manhãs da TVI” e os concorrentes de “Academia de Estrelas” e “Gala das Estrelas”, Teresa Guilherme dedica toda a atenção ao estudo dos pormenores — o olhar, a maneira como falam, respiram e constróem as frases, se estão nervosos ou emocionados, se estão tristes ou alegres. Crê que, se se tiver interesse pelas pessoas, “as emoções são fáceis de ler”.

O recurso à psicologia para levar as pessoas a contarem-lhe o que sentem deve-se, segundo Teresa, à experiência por si vivida durante alguns anos, de auto-análise para se descobrir a si própria. Essa prática ajudou-a a conhecer melhor os outros e a perceber que “por vezes, as pessoas querem dizer uma coisa e estão a dizer outra.”

A apresentadora está a programar férias para Agosto. Para ela, mais de 20 dias é um enorme exagero. “São as saudades de casa. Aliás, há duas coisas óptimas em viajar: é ir, mas, essencialmente, voltar”, explica.

Antes das férias Teresa Guilherme vai apresentar o grande final, no próximo dia 21, de “Academia de Estrelas”, programa cujos directos continua a apresentar todas as terças--feiras. Está convicta de que o reality show poderia ter sido melhor, embora sustente que se conclui sempre isso quando qualquer programa está a chegar ao fim. “A minha ideia era que este ia ser mais grandioso, não a nível humano, mas do espectáculo em si”, afirma. E sublinha o facto de que “a TVI está interessada em ajudar aqueles que querem ser actores a entrarem, por exemplo, em telenovelas.”

Sobre “As Manhãs da TVI”, Teresa Guilherme confirma que o programa pára em Agosto e retomará em Setembro, já sem ela como apresentadora, até porque, nessa altura, deverá estar ocupada com o “Big Brother 4” (ver caixa). “Foi por um programa de entrevistas que comecei há 11 anos atrás, o ‘Eterno Feminino’, no canal 2”, recorda. E afirma que está “à procura desse registo outra vez, obviamente, com muitos mais anos de experiência.” Confessa: “O nervoso era imenso naquela altura, agora não tenho nervoso nenhum. O que tenho de fazer é refrear-me.”

Para trás, nesta temporada, já ficou o problema ocorrido há meses com o programa matinal da TVI. A companhia de Rita Salema em “As Manhãs da TVI” potencializa “a brincadeira, o divertirmo-nos juntas e alguma irreverência”, afirma a apresentadora (ver página 10). Quanto à retirada súbita de Sofia Alves, Teresa Guilherme lamenta o que diz ter sido “a burrice do escusado”, uma vez que “o José Eduardo Moniz é uma pessoa aberta e tinha-se encontrado uma solução, sem qualquer crise e sem escândalos.”

Como produtora, Teresa Guilherme começou a trabalhar no programa de Raul Durão “Vozes e Nozes” da RDP, tinha então 22 ou 23 anos de idade. “Sempre fui produtora de programas e vou continuar a ser. Desde o ‘Big Brother’, estou a passar por uma fase em que gosto mais da apresentação. Diverte-me”, diz. Revela, contudo, que no próximo ano deverá produzir um novo “Cantigas da Rua”.

Quem cuida do guarda-roupa de Teresa Guilherme é Ana Torres. A apresentadora confessa: “Eu não ligo nada à roupa. Também odeio ter de me maquilhar e só vou ao cabeleireiro uma vez por semana.”

Nos tempos livres, lê e vê filmes em DVD, vai ao cinema ou ao teatro. “Tiro duas noites, pelo menos, para sair. Mas não sou nada noctívaga. Gosto de me levantar cedo e de viver de dia. Saio à minha mãe”, conclui.


Que casem os outros!


“Acho giro as outras pessoas casarem. Eu não!”, afirma Teresa Guilherme, que é Caranguejo de signo e, como tal, muito afectuosa.

Relativamente a afirmações públicas, feitas anteriormente pela apresentadora, de que se iria casar dentro de dois anos, Teresa Guilherme explica: “A minha mãe diz-me que lhe custa estar a ficar mais velha e não quer imaginar que um dia morre e eu fico sozinha.” E acrescenta: “Eu digo sempre que caso, mas para ela me dar mais dois anos. Só que, há ‘milhões’ de anos que digo isto...” Está, pois, explicada a questão.

E para tirar dúvidas, garante: “Não há ninguém com quem eu me vá casar. Não há nenhuma ‘vítima’, por enquanto!”


Preparada para novo “Big Brother”


Depois do Verão, vai haver na TVI uma 4ª edição do “Big Brother”, de acordo com Teresa Guilherme, que pode voltar a apresentar o conhecido “talk show”. Segundo a própria, “há intenção por parte do José Eduardo Moniz e da Endemol de que se realize uma nova edição.”

O formato é da Endemol, que “terá de decidir se opta por fazer um programa exactamente igual às anteriores edições ou se opta por outro formato”, avançou a apresentadora.

A Teresa Guilherme agrada-lhe voltar a sentir as emoções dos directos do “Big Brother”, que, como frisou, “não deixam de ser entrevistas, mas mais em forma de conversa.”

A noite em que se fazem as ligações directas à casa são divertidas, mas “há ali uma carga emocional muito forte”, reconhece. “Por isso é que, nessas ocasiões, eu ria tanto e chorava tanto...”, conclui.


Rebelde aos 20 anos


A energia, sempre a teve. Na escola, era ela que liderava os grupos, embora sem rebeldia — era “a querida dos professores”, mas também se dava bem com as colegas. “Em criança não tinha vergonha de nada, mas na adolescência era a pessoa mais tímida do mundo”, afirma Teresa Guilherme. Recorda-se de que pelos 17 anos até tinha vergonha de atender o telefone. “Foi já em adulta que me tornei rebelde, pelos 20 anos”, revela.

Nas aulas Teresa sempre foi bem comportada — “uma aluna de 20 e quadro de honra”. Nunca levava reprimendas. Apesar da boa relação com as colegas, era “um bocadinho contracorrente”. “Todas fumavam e se pintavam, aí a partir dos 15, 16 anos. Eu não. Era infantil. Naturalmente infantil”, sublinha Teresa. Depois, a partir dos 17 anos, entrou um homem na sua vida, que a ajudou a modificar-se.

Sempre virada para as Letras, com facilidade para aprender línguas e gosto pela leitura, muito jeito para escrever e uma excelente memória — assim se caracterizou a passagem de Teresa pela escola. Gostaria de ter tirado um curso de História, “uma espécie de uma fofoca, que permite saber a vida dos reis e do mundo”, diz hoje.

“Já com sete anos, nos teatrinhos da escola, era eu que organizava tudo”, salienta. Como ensaiava as colegas, acabava por fazer também a parte delas, distraída. Mas nunca queria ser a protagonista. Ficou-lhe esse “bichinho” e, mais tarde, ainda fez um curso de teatro.

Ligada desde criança ao meio artístico, porque a mãe e o pai eram cantores, Teresa Guilherme admite que o seu interesse pelo espectáculo assente no facto de, desde pequenina, ter andado sempre em bastidores.

O pai, Luís Guilherme, foi cantor e a mãe, Lídia Ribeiro, fadista. Durante dez anos, a mãe viveu com Tony de Matos, na última fase da vida do cantor. Embora já não vivesse com a mãe nessa altura, Teresa não deixa de reconhecer a importância que o conhecido cantor romântico teve na sua vida. “Uma pessoa muito especial”, afirma.

A propósito dos seus ascendentes musicais, Teresa afirma gostar imenso de fado e de música, genericamente. “Canto mal, mas tenho muito bom ouvido”, diz, admitindo ser uma “romântica”.
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