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Atriz revela estar apaixonada pela sua personagem de 'Bem-Vindos a Beirais'.
Estreou-se enquanto atriz, em 1995, na peça ‘A Disputa’, no Teatro de Trindade, sob a direcção de João Perry. Que recordações guarda dessa altura?
Tenho muito boas recordações. O João Perry conseguiu reunir uma equipa fantástica. Ele foi à procura na altura de atores bastante jovens para fazer os protagonistas do espectáculo, onde me integrei, com outros colegas como a Rita Durão e o José Airosa.
Foi um trabalho muito bonito porque o João teve a clarividência, quanto a mim, que sendo nós atores tão jovens, de reunir uma equipa de profissionais que nos acompanhou ao longo do espectáculo. Nomeadamente a Madalena Vitorino que é coreografa, que nos ajudou na parte corporal, e o Luis Madureira na Voz. A maria João Brilhante fez-nos a tradução do texto, e a contextualização da época.
As memórias que eu guardo são uma mistura de emoções muito fortes, porque de facto estava-me a estrear no palco nobre da Trindade, pela mão de um grande encenador e de um grande ator. Eu na altura não poderia desejar mais…criámos laços muito fortes de amizade, foi de facto uma experiencia muito rica e muito intensa
Em relação a ‘Bem vindos a Beirais, como descreve a sua personagem?
A Marina é uma mulher simples que cresceu em beirais.Trabalha na sociedade criativa, e é muito ligada à terra, é uma espécie de anfitriã. Depois, ela tem um outro lado, com os seus três homens: o avô, o filho e o recente marido. Portanto, ela tem um lado mais duro e outro maternal para que aquilo tudo funcione.
Esse é o maior desafio?
Sim, conseguir esse equilíbrio entre o lado da Marina que trabalha, e o lado da Marina mulher, mãe e neta, acho que é um desafio justamente porque no dia a dia as pessoas têm posturas muito diferentes em casa e no trabalho. Num dos lados são muito comunicativas, e depois no outro sentem que já deram tanto de si que se tornam intolerantes com determinadas coisas.
Em 2010 foi convidada para ser directora de atores para a novela Laços de Sangue, da SIC. Como foi essa experiencia?
Outra intensidade, porque gravar durante um ano num papel que pela primeira vez estava a desempenhar, foi muito gratificante.
Estava a trabalhar com um elenco fantástico e muito disponível. Esse, aliás, foi um dos meus receios. Como é que eles iam receber as direcções de uma pessoa que estava a fazer isso pela primeira vez. Mas de facto, os atores gostam de ser dirigidos, e gostam de ter um feedback daquilo que fazem.
Na televisão é tudo muito rápido e às vezes não temos consciência de tudo aquilo que estamos a fazer, e este papel de director de atores também funciona um bocadinho como um espelho para nos ir orientando, para sabermos se o caminho que estamos a percorrer é o mais certo para o resultado final.
Qual é a sua opinião sobre a ficção nacional. O que é que poderia ser melhorado?
Eu acho que a ficção nacional cresceu bastante nestes últimos anos. Há um grande investimento por parte das televisões em ter constantemente produtos nacionais e isso é muito gratificante para nós atores do ponto de vista do trabalho.
Penso que a nível de qualidade também crescemos imenso, e podemos constatar isso no tipo de imagem, no tipo de historias que são contadas. As próprias personagens estão muito mais enriquecidas.
Acho, sim, que podia haver mais espaço para outro tipo de ficção. Uma ficção mais alternativa, dedicada às obras portuguesas, ou à história de Portugal , como já tivemos em tempos. Mas nunca é de mais, porque de facto a televisão pode ter essa função de criar memórias. De reflectirmos sobre as nossas histórias. Trabalhos mais lúdicos, e nós, enquanto espectadores, podemos aprender um pouco mais sobre quem somos , e sobre a nossa identidade.
Existe algum personagem que a tenha marcado, por algum motivo em especial?
Todos os personagens são trabalhos que no momento em que os estamos a interpretar, vivemo-los com muita intensidade.
Esta Marina inevitavelmente vai ficar-me marcada. Este era um projecto que estava previsto para três meses, e é, agora, um projecto de quase dois anos. É provável que fique sedimentada por muito tempo.
Mas no teatro posso falar de um personagem que me tocou particularmente, sobre a história da gaivota que ensinou o gato a voar. Um texto do Sepúlveda, que foi encenado pelo Miguel seabra e pela Natália luisa no Teatro Nacional, onde eu fazia o gato que aprendia a viver no mundo das gaivotas. Um desafio muito diferente daquilo que os atores estão habituados a interpretar. Mais naturalista, e muito desafiante.
E se lhe dessem a oportunidade de escolher um personagem para interpretar?
Se calhar porque estou influenciada um bocado pela Marina, e pegando no cariz histórico, gostava de ser a padeira de Aljubarrota. Para dar umas cacetadas a uns espanhóis quaisquer.
Tem projectos paralelos a 'Bem -Vindos a Beirais'?
Sim, neste momento estou a dar aulas no Colégio Pedro Arrupe. Um colégio de cariz iniciático, que tem uma tradição religiosa, mas com uma perspectiva muito virada para as artes, e para o desporto. A par disso, estou a fazer locuções de publicidade para várias marcas.
E tem algum projecto em mente para o futuro?
Agora estou em 'Bem-Vindos a Beirais'. Para já temos um prazo que é junho de 2015, mas ainda não sabemos mais do que isso. Portanto, qualquer projecto que possa aparecer é sempre na ótica de conseguir conciliá-lo com a série.
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