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Correio da Manhã

Tv Media

'Equador' é desafio ganho

Em termos de produção e de imagem, ‘Equador’ ganhou o desafio. Trata-se de uma série que mostra que é possível atingir um patamar acima do que se consegue com as telenovelas. Há mais risco mas por isso o resultado é mais saboroso.
9 de Janeiro de 2009 às 00:00
'Equador' é desafio ganho
'Equador' é desafio ganho

Por estes dias de estreia de ‘Equador’ estive a rever aquela que é, para mim, a mais fabulosa recriação de uma novela sobre um período histórico: ‘A Jóia da Coroa’. Produzida com meios quase ilimitados em 1984 pela Granada TV, era baseada no ‘Raj Quartet’ de Paul Scott, descrição dos últimos dias do Império Britânico na Índia. Há alguns curiosos pontos de contacto com ‘Equador’. A escrita de Paul Scott foi uma dor de cabeça para ser adaptada para televisão, porque a sua forma de escrever (feita a partir de múltiplos pontos de vista) e a elegância da sua prosa requeriam cuidados  especiais. Isso foi feito na perfeição.

A escrita de Miguel Sousa Tavares é bastante diferente mas nem isso torna o seu trabalho mais fácil de adaptar para televisão. E essa é, de resto, a grande intranquilidade de ‘Equador’ como obra televisiva: os diálogos ainda oscilam entre um namoro com o género de telenovela e a tentação de serem discretas. São as imagens que guiam ‘Equador’. São elas o seu coração. Ainda assim estão bem definidos os diferentes pólos de acção, que irão encaminhar-se para S. Tomé.

A grande vitória da TVI nesta adaptação é a qualidade da recriação histórica (algo raro entre nós) e as excelentes produção, imagem (pese o problema do ‘croma’ no primeiro episódio) e realização. O grande trunfo de ‘Equador’ reside aqui, porque é a imagem garantida pela realização que guia o espectador. As personagens só dizem aquilo que têm de dizer. Os actores dão um outro nível de sustentação à série, devido à sua qualidade média. É certo que é impossível comparar ‘Equador’ com a dimensão de ‘A Jóia da Coroa’. Porque são duas escolas diferentes de fazer televisão, com meios completamente díspares. Mas ‘Equador’ é um momento de grande qualidade visual e de produção, prova de que a TVI tem bases para construir um universo ficcional que não se esgote em novelas ou em séries que repitam os seus tiques. É a abertura em grande de novas janelas de ficção televisiva. E, agora, deve apostar seriamente nisso.

CULTO

SEM RASTO

Série já histórica (entra agora na sexta temporada), ‘Sem Rasto’ é uma das mais equilibradas tramas policiais dos  últimos anos. Para isso muito conta a serenidade de Anthony LaPaglia como John Malone, o agente à volta do qual se concentra uma série de outros elementos que    procuram pessoas desaparecidas. O que é de salientar aqui é o agradável equilíbrio conseguido entre os acontecimentos policiais e os problemas pessoais (e, nesse aspecto, Jack é um polícia bastante fragilizado e acossado por tudo o que acontece na sua vida íntima).

Nem sempre é fácil equilibrar, com bom gosto e qualidade, estas duas vertentes, que são sempre exploradas em paralelo nas séries de melhor qualidade. É por isso mesmo que ‘Sem Rasto’ é uma vencedora. Sabe fazê-lo com uma mestria surpreendente e aliciante.

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