Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
9

Espanha é o mercado alvo da NBP

O Administrador da NBP, Bernardo Bairrão, explica à Correio TV que o futuro da produtora passa pela aposta no mercado espanhol. A série policial ‘Inspector Max’ abre caminho à internacionalização de formatos próprios. O original foi vendido a uma televisão do país vizinho, que o vai adaptar com a ajuda dos portugueses, e já chegou, também, à Polónia. Na vertente exportação, em que a empresa aposta desde 2000, e entre séries e novelas, 24 países adquiriram já produtos da marca NBP. ‘Ilha dos Amores’ também está à venda.
23 de Março de 2007 às 00:00
Espanha é o mercado alvo da NBP
Espanha é o mercado alvo da NBP FOTO: Montagem CM
- Em que situação está a NBP agora que comemora 15 anos de existência e lança a novela ‘Iha dos Amores’?
- A NBP esgotou a sua capacidade produtiva e precisou de expandir-se. Para fazer esta novela foi preciso construir, de raiz, um estúdio e comprar equipamentos novos. A novela ‘Ilha dos Amores’ tem os seus exteriores a serem gravados em alta definição e com equipamento totalmente novo. O estúdio em Vialonga, perto das instalações onde a NBP já tem a EMAV (Empresa de Meios IMAV) e da EPC (Empresa Portuguesa de Cenários), foi estreado para esta novela e teve um investimento considerável. O grande projecto da NBP, que é a unificação num só local de todos os seus estúdios, está neste momento em pré-projecto de arquitectura para, face ao levantamento das necessidades, seleccionarmos um terreno.
- Há já algum terreno em vista?
- Neste momento temos três terrenos grandes, com 40 hectares, já identificados. É o que queremos, porque não é fácil encontrá-los à volta de Lisboa, num raio de 50 quilómetros. Estamos na fase de pré-projecto de arquitectura para depois finalizarmos as coisas no terreno.
- Onde se localizam esses terrenos?
- Ainda estamos a negociar as condições de aquisição, por isso, não posso adiantar pormenores.
- ‘Ilha dos Amores’ foi anunciada como a novela mais cara da TVI. Quão mais cara é esta produção e que factores a encareceram?
- Os equipamentos de alta definição oneraram esta produção, porque custam 50 por cento mais do que o digital normal. Em segundo lugar, o grande investimento que foi feito em ‘Ilha dos Amores’ foi a formação de técnicos, de forma a poderem operar em alta definição, que é uma tecnologia mais exigente do que o digital normal.
- A NBP não tinha recursos humanos habilitados para lidar com a alta definição?
- Nós não tínhamos experiência. Por isso, fomos buscar alguns técnicos com essa experiência e tudo o resto foi formação interna. Foram meses de treino com equipamentos de alta definição para poder iniciar ‘Ilha dos Amores’ e começar depois a gravar ao ritmo da produção normal. Esta formação absorveu o grande volume de investimento, além dos equipamentos, que, como já disse, são também mais caros. Mas acreditamos que, se queremos ser uma empresa virada para o exterior, os produtos com a qualidade da NBP terão de estar disponibilizados em alta definição. E nós esperamos que com a TV Digital Terrestre em Portugal surja a possibilidade de emitir em alta definição, porque a qualidade da imagem é impressionante, parece película. Acreditamos que quando as pessoas virem a alta definição não vão querer ver a ‘preto e branco’. É o salto qualitativo que vai acontecer na NBP e na TVI. Depois de termos equipado o novo estúdio da NBP, em Vialonga, com câmaras de alta definição, entendemos que é inevitável caminhar por aí.
- As próximas novelas serão todas em alta definição?
- A partir de ‘Ilha dos Amores’, as novelas de ‘prime time’ da TVI serão em alta definição, que é uma técnica muito mais exigente, porque não permite erros de caracterização, por exemplo. Além do mais, o nosso público exige mais qualidade e não podemos continuar a acreditar que Portugal, tendo uma indústria tão forte em ficção, possa estar alheado do que são as melhores práticas internacionais. Demos um passo em frente, se calhar com algum risco, dado que não existe horizonte para podermos vir a distribuir em alta definição em Portugal. Todavia, se queremos ser uma empresa internacional tínhamos de o poder fazer.
- Quais os mercados internacionais na mira da NBP?
- O primeiro mercado que queremos atacar é o espanhol. É para aí que canalizamos todo o nosso esforço. Neste momento, estamos com a capacidade produtiva esgotada em Portugal, mas acreditamos que – e temos tido contactos com várias empresas espanholas – a NBP tem uma grande experiência e pode fazer ficção de altíssima qualidade, mesmo para os padrões de Espanha. Este é o mercado alvo da NBP.
- Quer dizer que a NBP fará formatos originais encomendados por Espanha?
- Exacto. Faremos originalmente para Espanha. Podemos ter uma base em Portugal para produzir para Espanha sem qualquer problema. Estamos à distância de Madrid, a que esta está de Barcelona. A ideia de fazer uma cidade de ficção passa também por viabilizá-la com projectos internacionais. Portugal tem condições naturais muito boas para a produção de ficção. Àqueles projectos de que se fala há muitos anos faltou-lhes a sustentabilidade que a NBP pode dar ao ter um cliente fixo como a TVI, que lhe permite ter uma estrutura de base e ir mais longe, ambicionar mais. E acho que, neste momento e com os contactos que já fizemos internacionalmente, não saíremos envergonhados, antes pelo contrário.
- Como está a nossa novela em termos de exportação?
- Vendemos muito bem a mercados de Leste, à América do Norte (Estados Unidos e Canadá) e aos mercados asiáticos, que também procuram bastante. Estes países têm interesse pelas novelas produzidas, mas também pelos formatos. No final de 2006, vendemos o formato do ‘Inspector Max’ para a Polónia, para eles fazerem uma adaptação local da série. É uma outra forma de abordar o mercado e que para nós também é muito interessante e nos permite começar a entrar nesses mercados, fazendo a consultoria e indo depois acompanhando a produção. Vamos começar a exportar o nosso ‘know-how’.
- A que estação de televisão espanhola venderam o formato do ‘Inspector Max’?
- Ainda não é possível divulgar essa informação até porque esta não vai ser uma venda isolada...
- Em que passo está esse formato em Espanha?
- O ‘Inspector Max’ é um formato nosso que vai ser adaptado em Espanha por nós, pela NBP, em conjunto com uma produtora espanhola.
- Neste momento, o trabalho está a ser desenvolvido em Portugal ou em Espanha?
- A primeira fase, a de trabalho dos textos, está a desenrolar-se em Portugal. Os autores espanhóis, que vão adaptar o texto, vieram a Lisboa e nós estivemos a explicar--lhes o formato, a mostrar-lhes cenários... Estamos na fase de pré-produção. A série será depois gravada em Espanha com cenários reais, com actores espanhóis e, certamente, com alguns técnicos portugueses.
- Se a NBP tivesse já o seu mega-estúdio montado, o formato vendido a Espanha poderia ser gravado em Portugal?
- Acredito que sim. Poderá ser um sonho meu, mas acho que é possível. Para eles, que estão em Madrid, vir gravar a Lisboa ou Barcelona, é a mesma coisa porque a distância é igual. Temos condições tão boas ou melhores do que Espanha e algumas até mais vantajosas.
- Há outros formatos em negociação?
- Estamos em conversações para outros formatos. Este é apenas o primeiro passo, mas estamos muito entusiasmados.
BERNARDO BAIRRÃO: PERFIL
Licenciado em Gestão pela Universidade Católica, Bernardo Bairrão, de 40 anos, desenvolveu projectos de família e actividade na Banca de Investimentos até entrar na Administração da TVI, em Dezembro de 1998. Presidente da Confederação Portuguesa dos Meios de Comunicação Social, cargo que assumiu em Março de 2006, Bernardo Bairrão é também Administrador Delegado (CEO) da NBP.
'INSPECTOR MAX': ESPANHA ADAPTA POLICIAL
Autores espanhóis vieram a Portugal conhecer a série que será gravada no seu país. ‘Inspector Max’ estreou em 2004, na TVI, e logo se tornou um êxito. Passados três anos, a série sobre as investigações do inspector Jorge Mendes (Fernando Luís) e do pastor alemão Max ainda lidera. No dia 18 de Fevereiro, conquistou 13,5% de audiência e 45,7% de share.
'ILHA DOS AMORES': 350 MIL EUROS
É o valor do apoio prestado pelo Governo Regional a esta novela que vai ajudar a promover os Açores durante os próximos meses, na TVI. Gravada em alta definição, esta produção vai ficar 50% mais cara do que o digital normal. Sofia Alves, Joana Solnado, António Capelo, Pedro Lima e Marco d’Almeida integram elenco.
MEGA-ESTÚDIO NBP EM LISBOA: 1,6 MILHÕES DE EUROS INVESTIDOS A EQUIPAR OS 5 ESTÚDIOS
Agora, a empresa procura um terreno na periferia de Lisboa para construir um mega-estúdio, à semelhança do Projac da Rede Globo. A NBP iniciou a sua actividade em 1992 com a novela ‘Cinzas’. O estúdio tinha 800 metros quadrados. Em 15 anos, a empresa, que juntamente com a TVI pertence ao Grupo Media Capital – entretanto adquirido pelos espanhóis da Prisa – , cresceu e a produção de novelas tornou-se uma indústria. Nos últimos anos, a média de crescimento da facturação rondou os 15%.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)