Nuno Vasconcellos revelou hoje na comissão de ética que a Ongoing está a ponderar a compra da TVI, após a Prisa ter anunciado a entrada da Liberty no seu capital. “Fiz um acordo com o pressuposto de que a família Polanco tinha a maioria do capital da Prisa”, disse o presidente da Ongoing. “Não gosto que mudem as regras. Nem eu nem ninguém. Portanto estamos em ponderação. É um caso grave e série e merece toda a nossa consideração”, acrescentou.
Na Comissão de Ética Nuno Vasconcellos acrescentou ainda que a Ongoing deve ser o único grupo de media “sem ter conta na Caixa geral de depósitos”. “Fundos nada, subsídios zero, não dependemos de ninguém”, disse quando questionado sobre eventuais ligações ao Governo. “Nunca tive conversas com governo sobre os media, sobre as telecomunicações cheguei a falar com o ministro da tutela”.
O presidente da Ongoing acusou ainda a ERC de ter manipulado o mercado de capitais com a comunicação da decisão da obrigatoriedade de venda da participação da Impresa, de forma a poder entrar na Media Capital. “tinha compradores” até essa data, disse, acrescentando que após a divulgação do parecer da ERC ficou “numa posição muito delicada”.
“GESTÃO DA IMPRENSA NÃO FOI FEITA CRITERIOSAMENTE”
Nuno Vasconcellos criticou Francisco Pinto Balsemão e a sua gestão do grupo de comunicação social dono da SIC e do Expresso.
O presidente da Ongoing adiantou aos deputados que apresentou uma proposta de aumento de capital da Impresa e de partilha de gestão de forma a inverter a tendência do grupo que, segundo Vasconcellos, “em dez anos destruiu 75% do valor dos accionistas”. O presidente da Ongoing afimou que a “Impresa nunca distribuiu dividendos aos accionistas”. Assim, e “como os números não mentem”, diz que “a gestão [da Impresa] não foi feita criteriosamente”.
Vasconcellos disse ainda que foi através dos meios da Impresa que tomou conhecimento que Francisco Pinto Balsemão não aceitaria a proposta de aumento de capital, já que o próprio não responder à suas diligências. A proposta da Ongoing passava pela injecção de setenta milhões no grupo de media, 50 milhões colocados pela Ongoing e 20 pela Impreger (empresa controlada pela família Balsemão), sendo que esse valor seria emprestado pela própria Ongoing.
Nuno Vasconcellos recusou a ideia de que a Ongoing tenha um plano para controlar os media em Portugal, questionando mesmo os deputados presentes na Comissão de Ética. “Se tivéssemos um plano para controlar os media em Portugal porque é que estaríamos a gastar os nossos recursos no Brasil e em Angola? Se fosse para isso teríamos que guardar todo o nosso poder de fogo para Portugal”, afirmou o presidente da Ongoing, que garantiu que vai continuar a investir fora de Portugal.
Na audição, Vasconcellos disse ainda que o grupo já investiu 120 milhões de euros em Portugal, onde criou 105 postos de trabalho.
Sobre a liberdade de expressão, Nuno Vasconcellos considera que “não há nenhum problema” em Portugal. O que “pode haver, eventualmente, são alguns excessos, de desrespeito com a liberdade, com a justiça, não podemos viver numa anarquia”, sublinhou.
Questionado se alguma vez foi pressionado, Nuno Vasconcellos adiantou que “pressões sempre existiram”. “Na comunicação social fazem-se injustiças todos os dias. Isso é normal, é preciso é saber lidar com estas coisas da forma correcta, com ética, sabendo onde esta a fronteira. Pessoalmente já fui pressionado por alguém de algum partido? Não. Mas já tive conversas desagradáveis, com todos os partidos e com alguns empresários. E quando vejo que alguma coisa não está correcta peço para que seja corrigida. Essa é a função da comunicação social. Informar correctamente.”
FRASES SOLTAS:
"Nunca aconteceu”, disse quando questionado se a Ongoing entrou em competição com a Portugal Telecom pela Media Capital
“Tenho sete ou seis vezes mais dinheiro na Portugal Telecom do que aquele que posso pôr na Media Capital”
“Seria falta de inteligência utilizar o meu próprio jornal [Diário Económico]”. “Sou um bocadinho mais inteligente que isso.”
“Decidimos avançar para a compra da Media Capital no jantar em Madrid [23 de Julho de 2009]”.
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