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Estava a ficar com ciúmes

Depois de ataques a dois colegas meus do conselho, confesso que já estava a ficar com ciúmes de não ser alvo também de um”, disse ao CM Azeredo Lopes, presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC).
21 de Janeiro de 2007 às 00:00
Azeredo Lopes preside ao órgão regulador da comunicação social
Azeredo Lopes preside ao órgão regulador da comunicação social FOTO: Natália Ferraz
Esta declaração prende-se com a notícia divulgada ontem pelo ‘Expresso’ sob o título de ‘Presidente ‘itenerante’ da ERC com subsídios a dobrar’, na qual se lê que Azeredo Lopes reside no Porto e vem a Lisboa, em média, dois dias por semana, e que, apesar de ter carro da ERC, “cobra os quilómetros que faz pelas suas deslocações” à capital. Além disso, adianta o jornal, “recebe subvenção de residência, mas permanece apenas dois dias num hotel de Lisboa”. Ainda segundo aquele semanário, Azeredo Lopes aufere “a título de subsídio de residência uma verba que ronda os 1000 euros”.
“O montante referido [1000 euros] não é exacto e, ainda por cima, está sujeito a imposto [IRS]. A notícia é suficientemente ambígua para falar em dois dias de hotel ou dois dias em Lisboa, quando estou, normalmente, de terça a quinta-feira em Lisboa, e isso dá, de facto, dois dias de hotel mais três de trabalho na ERC”, esclarece Azeredo Lopes.
O presidente da entidade reguladora diz que querem denegrir a imagem dos membros da ERC. “Começaram por atacar o meu vice-presidente, dr. Elísio Cabral de Oliveira, e depois passaram à dr.ª Estrela Serrano. Já estava com ciúmes por ninguém se lembrar de mim”, lançou, irónico, ao CM.
Azeredo Lopes desvaloriza a notícia do ‘Expresso’ porque “vale o que vale”. A notícia do semanário baseia-se no despacho conjunto dos ministros de Estado e das Finanças e dos Assuntos Parlamentares, segundo o qual o presidente da ERC passou a receber, desde 17 de Fevereiro de 2006, um subsídio de residência, pelo facto de viver a mais de 100 km de Lisboa, cidade onde exerça as funções de regulador. Além disso, é ressarcido dos gasto de gasolina das suas viagens entre o Porto, onde reside, e a capital.
CASOS MAIS MEDIÁTICOS
A Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), desde que foi criada em Fevereiro de 2006 já teve de tomar decisões que não agradaram a ‘gregos e troianos’. Um dos casos mais mediáticos prendeu-se com uma crítica de Cintra Torres, publicada no ‘Público’, e as acusações de Agostinho Branquinho à RTP por não dar o devido relevo aos fogos que lavravam em Portugal, alegadamente por intromissão de um assessor do Governo. A ERC chegou à conclusão de que não tinha havido ingerência no canal estatal.
Outro caso igualmente polémico foi as promoções da novela ‘Jura’ durante o dia que levaram à aplicação de uma multa ao canal de Carnaxide. A SIC acusou a ERC de abuso de poder e tentativa de interferência na sua programação, o que considerou violar “frontalmente o princípio da independência da programação consagrado na Constituição”.
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