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Correio da Manhã

Tv Media
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Estive o tempo que Balsemão permitiu

Afastado da Direcção de Programas, depois de ter deixado cair a SIC para o terceiro lugar nas audiências, Francisco Penim, 39 anos, sai da Impresa, onde também dirigiu a SIC Radical e a SIC Multimédia.
9 de Janeiro de 2008 às 00:00
Correio da Manhã – Que balanço faz da sua direcção de programas na SIC?
Francisco Penim – Estive dez anos e quatro meses na SIC. Foi a empresa onde estive mais tempo e foram anos extraordinários. Aprendi imenso com os erros e com as coisas boas, porque estive também à frente da SIC Radical e da SIC Multimédia.
– Se tivesse conseguido melhores audiências ainda lá estava?
– Numa televisão há dois factores fundamentais, as audiências e a rentabilidade. Este ano foi o mais rentável de sempre da SIC, se o tivesse sido também nas audiências imagine o que não seria.
– Dois anos foi o suficiente para mostrar trabalho?
– Estive 26 meses à frente da SIC. Se foi pouco tempo? Estive o tempo que o dr. Balsemão permitiu. A partir do momento em que fui convidado para a Direcção de Programas sabia que chegaria um dia em que ele me diria ‘Francisco, muito obrigado, mas já não dá mais’. Estive à espera que este momento chegasse, na primeira semana ou dez anos depois. Não ansiei por este momento. Mas estou a lidar muito bem com isso. Claro que havia mais trabalho para desenvolver. Eu preferia estar lá.
– E a escolha de Nuno Santos?
– A SIC é uma instituição e haverá sempre um legado do meu trabalho e da minha equipa, tal como as direcções de Emídio Rangel e de Manuel da Fonseca foram muito importantes para construir o que a SIC é hoje.
– Hoje, o que mudava?
– Hoje tenho uma perspectiva dos enganos e dos erros e sei que deveria ter tomado outras decisões. Não poria o wrestling em canal aberto de certeza absoluta.
– Também perdeu os Gato Fedorento e não segurou a Luciana Abreu...
– Quem perdeu os Gato foi a anterior direcção [de Manuel Fonseca]. Eu lancei-os na SIC Radical e reconheço que há algum sentimento de posse. Claro que preferia que os Gato não tivessem ido embora, mas na altura não era sequer a minha prerrogativa fazer com que isso não acontecesse.
– Vai ficar ligado à televisão?
– O meu futuro vai ser decidido dentro deste mês. Para ser franco, os meus horizontes têm de ser os mais abertos possível. Felizmente, a minha estadia na SIC deu-me traquejo e possibilidade de fazer canais temáticos, generalistas, de estar à frente de vários negócios multimédia. Isso abre-me uma panóplia de projectos onde possa estar envolvido e também me deixa muito seguro quanto ao meu futuro.
"UM ESTILO DE FICÇÃO"
CM – Deixa algum legado?
FP – Tenho muito orgulho por ter lançado, com a Teresa Guilherme, um estilo de ficção para a SIC. Fizemos isso em ano e meio, foi um verdadeiro milagre. A Teresa bateu-se com unhas e dentes para fazer uma ficção diferente e isso deixa-me com algum sentimento de missão cumprida. Infelizmente, nem tudo correu bem. Quem me dera que todas as novelas tivessem tido o sucesso de ‘Floribella 1’, ‘Jura’ e ‘Vingança’. Mas isso vai dar frutos.
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