A menos de duas semanas da inauguração da nova sede da RTP, na zona oriental de Lisboa, está quase tudo pronto. Mobília e equipamentos técnicos têm vindo a ser instalados nos últimos dias e, à porta das instalações, é visível a azáfama de operários. Apesar do mistério que a empresa tem feito em redor da nova sede, o Correio TV descobriu como vão ficar alojados os 2.300 trabalhadores da RTP e RDP na sua nova casa…
Um estúdio de informação com dimensões principescas é o cartão de visita da nova RTP. A partir de dia 31, quando a televisão pública estiver totalmente instalada no novo edifício de Cabo Ruivo, o ‘Telejornal’ vai ser emitido de um espaço decorado em tons de azul, com um imenso pé direito – equivalente a três andares - e um varandim aberto num quadrado, o que permite a realização de entrevistas e debates em directo no espaço do noticiário. Só para ter uma ideia, em noite de eleições toda a emissão poderá será feita no mesmo local, refere ao Correio TV uma fonte da empresa.
A opção de construir um estúdio de tão grandes dimensões foi forçada pelos responsáveis da estação, que entendem ser as “notícias e os debates” os pratos fortes da casa. “É grandioso”, dizem os jornalistas. “É um dos melhores da Europa”, garante José Rodrigues dos Santos, director de Informação.
Remodelado de alto a baixo, o edifício da Avenida Marechal Gomes da Costa, que vai albergar a RTP e a RDP, já recebeu a Dialap, antiga fábrica de delapidação de diamantes, e o comissariado da Expo 98, nos anos que antecederam a Exposição Mundial de Lisboa. Agora, aquele espaço com vista frontal para o rio, tem uma nova arrumação interna, em ‘open space’, conduzida pelo arquitecto Augusto Mouta (da RTP).
Dos seis pisos – dos quais dois são no subsolo -, a cave, rés-do–chão e primeiro andar ficam por conta da RTP, o segundo e terceiro são ocupados pela RDP, e o quarto é reservado para a administração e secretaria-geral, com as áreas mais vastas a serem dadas à Informação e à cantina – significativamente maior que a das antigas instalações.
O Correio TV apurou ainda que o espaço foi “racionalizado ao milímetro”. Isto porque o novo edifício tem uma área útil global de cerca de 18 mil metros, contra os cerca de 25 mil metros do prédio da Avenida 5 de Outubro. De fora fica o canal Memória, que vai funcionar no Prior Velho, onde está instalado o arquivo da RTP.
As obras têm decorrido a bom ritmo, apesar dos atrasos, por parte da Câmara Municipal de Lisboa, na obtenção do licenciamento para a construção do edifício anexo. Um contratempo que deverá obrigar a empresa a adiar a inauguração desse espaço, o que não invalida a abertura da nova sede, como previsto, no dia 31.
Segundo informação do gabinete de gestão urbanística da Câmara Municipal de Lisboa, o edifício-sede da Marechal Gomes da Costa “tem valor patrimonial e faz parte do inventário municipal”. Mas as alterações feitas pela estação pública no edifício principal “são consideradas mínimas, pelo que não necessitam de aprovação do núcleo de património”.
Até ao final do mês, quando arranca oficialmente a nova imagem, a azáfama é grande com carrinhas de mudanças a transportar material da antiga sede e dos estúdios do Lumiar para a próxima casa, onde tudo é “novinho em folha”, garante fonte ligada à estação. De fora, já se pode apreciar a fachada, pintada em tons de amarelo torrado e azulejos azuis - a cor predominante também no interior -, árvores frondosas, bandeirinhas coloridas e candeeiros de rua estilizados.
VENHAM ELES!
Se a vontade da administração for avante, todo o movimento de entrada e saída para a nova RTP será feito pela porta traseira. A que dá para a Rua Conselheiro Emídio Navarro, que passa entre Chelas e a Bela Vista, e oferece uma vista soberba sobre o rio Tejo. É o lado mais urbano do edifício, com o cruzamento das estradas que vêm de Chelas e das Olaias, e por onde circulam também os estudantes do ISEL – Instituto Superior de Engenharia.
Ainda assim, é notória a resistência que se vive na televisão, com muitos funcionários a fincarem pé à mudança. Funcionários da empresa, que preferiram o anonimato, apontam como razões a “má qualidade do ar no interior do prédio” e “medo de assaltos”, algo que, curiosamente, se vive no dia-a-dia da 5 de Outubro. Mais confiantes, moradores e comerciantes da zona esperam, de braços abertos, a chegada da estação de serviço público.
Com casa aberta mesmo à saída da estação de metro de Chelas, Virgínia Silva, 49 anos bem conservados, está ansiosa com a chegada da RTP ao bairro. “Eles que venham, que vai ser muito bom. É preciso movimento, quanto mais melhor”, refere a proprietária de um restaurante/pastelaria localizado perto das traseiras do novo edifício da televisão estatal.
Também do outro lado da passagem pedonal que atravessa a Marechal Gomes da Costa, os habitantes da “praceta maior”, no bairro de Olivais, estão preparados para receber os novos vizinhos.
Vítor Manuel Simas, reformado de 74 anos, entende que a mudança “está muito bem”. “A zona é central e, para a RTP, as condições são de certeza mais agradáveis do que as antigas. Há bons transportes, espaços verdes … Para nós vai ser óptimo, traz animação, o que é sempre agradável”, garante este antigo mecânico do Estado, espectador assíduo da SIC e da TV pública e morador no bairro desde sempre.
À porta da taberna que dirige há quase uma década, na Rua Cidade da Praia, Fernando Melo, 48 anos e pai de três filhos, está pronto para a “multidão” de 2.345 pessoas (entre funcionários da RTP e RDP). “Mesmo que tenha de melhorar a ementa vai ser bom para o negócio” diz com o ar sorumbático de quem passa o dia atrás de um balcão.
A mesma opinião é partilhada por Susana Patrícia Ferreira, 25 anos, empregada num supermercado. “Se temo uma invasão de carros? Não!”, responde. E mesmo depois de confrontada com o facto de as novas instalações terem apenas lugar para pouco mais de 500 carros, divididos pela RTP e RDP, com primazia para administração e carros de exteriores, insiste: “Acho que não vai causar nada de mal, antes pelo contrário.”
A gestão do espaço foi uma dor de cabeça na nova sede da RTP, que obriga a arrumar os mesmos serviços em menos área útil. De acordo com a planta das novas instalações, que o Correio TV aqui revela, no piso -1 fica a direcção de Informação, estúdios, armazém de cenografia e direcção de novos projectos e arquivos diários. É também nesse andar que a RTP reúne os serviços sociais da empresa, como a associação de reformados, comissão de trabalhadores, casa de pessoal e restaurante.
O piso térreo (zero), pelo qual se faz a entrada geral para o edifício, recebe as direcções de Informação, de Recursos Humanos e de Marketing, assim como centro de emissão, informática, e supervisão de emissão. No piso 1 fica a direcção e Promoção de Programas, microfilmagem e a direcção de Antenas Internacionais enquanto os funcionários da RDP ficarão nos segundo e terceiro pisos. O conselho de administração, liderado por Almerindo Marques, fica instalado na banda lateral do piso 4.
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