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Correio da Manhã

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Eu não quero a faca

Jill Carroll, a jornalista ‘freelancer’ que a 7 de Janeiro foi sequestrada por um grupo de resistentes iraquianos, resolveu contar tudo sobre os 28 dias em que permaneceu refém. A história é narrada em onze partes, através do ‘site’ da ‘The Christian Science Monitor’.
16 de Agosto de 2006 às 00:00
O primeiro segmento foi publicado no domingo. Num dos momentos mais desesperantes do período em que permaneceu refém dos guerrilheiros iraquianos, a jornalista, temendo estar prestes a ser assassinada, implorou por uma morte rápida com pistola gritando: “Não quero a faca!” Os raptores, contudo, pareceram confusos perante tal pedido e explicaram que não pretendiam matá-la.
São pormenores como este que os leitores poderão conhecer através do relato da jornalista que, até domingo, nunca se referira publicamente à situação. No primeiro de onze segmentos, Carroll descreve o terror que sentiu, mesmo em situações onde os raptores se revelaram amigáveis em relação à sua pessoa.
De acordo com a sua descrição, nas horas seguintes ao rapto, a jornalista foi conduzida a duas casas, onde lhe trocaram a roupa, a alimentaram com frango e arroz e a convidaram a ver televisão com a família de um dos raptores. “Eles pareciam preocupados em que eu pensasse que eles eram bons ou, pelo menos, que me tratavam bem”, escreve Carroll.
A repórter assume, no seu texto, que a descrição possa soar “hospitaleira”, mas explica que, na sua “mente, cada segundo era um teste – a escolha da comida, a televisão, tudo – e eles iriam matar--me se eu desse a resposta errada”.
O objectivo dos iraquianos passava pela libertação de todas as mulheres detidas no Iraque. No vídeo de cerca de 20 segundos que foi então enviado às estações de televisão, ameaçavam matar a norte-americana caso o pedido não fosse satisfeito.
O ‘site’ da ‘The Christian Science Monitor’ também contém vídeos onde a jornalista descreve o rapto, detenção e sobrevivência.
PERFIL
Jill Carroll nasceu em 1977 nos Estados Unidos da América, mais concretamente em Ann Arbot, pequena localidade do estado do Michigan. Jornalista ‘freelancer’, Carroll celebrizou-se depois de ter sido raptada, a 7 de Janeiro, em Bagdad, por um grupo de resistentes iraquianos. A repórter deslocara-se ao Iraque em trabalho para a ‘The Christian Science Monitor’, publicação sediada em Boston, e encontrava-se naquele país desde Outubro de 2003. Anteriormente, a norte-americana, que em 1999 finalizou um bacharelato em jornalismo na Universidade de Massachusetts Amherst, passara pelo canal de televisão MSNBC e pelo ‘Wall Street Journal’.
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