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Correio da Manhã

Tv Media
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Futebol garante audiências

O caso de um penálti mal assinalado, numa competição menor de futebol, tornou-se um drama televisivo. Afinal o futebol traz audiências e garante-as sem muito esforço de criatividade. A SIC descobriu-o com a final da Taça da Liga.
3 de Abril de 2009 às 00:00
Futebol garante audiências
Futebol garante audiências

Conta-se a história que o antigo treinador Malcolm Allison foi, um dia, despedido do clube que treinava porque se tinha deixado dormir, no banco de suplentes, durante um jogo da sua equipa. Allison, conhecido pelo seu humor, argumentou depois que o jogo estava a ser tão chato que ele não podia fazer mais nada senão dormir. Em Portugal é impossível dormir por causa do futebol.

Não porque os jogos sejam chatos (que o são, na maioria), mas porque as televisões conseguiram convencer-nos que um jogo nunca acaba nos 90 minutos em que decorre. Durante dias os diferentes canais (generalistas e por cabo) oferecem-nos dezenas de horas de debates, de opiniões e de repetições. E tudo porquê? Porque o futebol garante audiências. A SIC que o diga: o jogo da final da Taça da Liga entre Sporting e Benfica garantiu-lhe o regresso aos primeiros lugares das audiências. O que todo o tipo de programas não consegue, o futebol permite facilmente.

A questão, no entanto, nem é essa. O caso do penálti que não existiu e que deu o empate ao Benfica transformou-se no mais importante acontecimento nacional das últimas semanas. Os telejornais encontraram nas palavras dos dirigentes do Sporting e do Benfica e do árbitro matéria suficiente para um arraial à volta de um erro. Como se o futuro do País dependesse do facto. Mas este caso mostra o peso do futebol na televisão nacional. Todos os canais têm programas de debate (alguns passaram para os canais de cabo) com a presença sistemática de representantes dos ‘três grandes’ (porque, como se sabe, só esses garantem audiências), onde não se discute futebol, mas onde o importante é a gritaria.

O programa que tem os resumos do futebol, o ‘Domingo Desportivo’, trata o futebol como uma imensa conversa. Há comentadores de futebol a todas as horas nos diferentes canais. Mas se perguntarmos quantos comentadores há de saúde, de educação ou de cultura, eles pouco mais são do que zero. A Liga de futebol, e também uma competição menor, como a Taça da Liga, dão para tudo. O País respira futebol. As televisões também. Mas há limites, não?

CULTO

‘JOGO DE AUDAZES’

Ter ou não ter: essa é a questão colocada por ‘Jogo de Audazes’ (‘Leverage’ no original). Afinal ‘Leverage’ é uma palavra que tem a ver com a estrutura de custos de uma empresa e isso tem tudo a ver com a vida de Nate Ford: durante anos trabalhou para uma companhia de seguros, mas quando o seu filho precisa de um tratamento, ela esquiva-se a pagar.

Revoltado e desempregado, Nate tenta fazer de ‘Robin dos Bosques’ da actualidade, contratando um grupo de vigaristas para roubar todos os que enriquecem através de truques sujos. No fundo, esta é uma série que trata de temas actuais, no momento em que tanto se discute a ganância de muitos gestores. Contando com um bom grupo de actores, onde se destacam Timothy Hutton e Gina Bellman, ‘Jogo de Audazes’ é uma divertida série sobre o mundo da actualidade.

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