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Correio da Manhã

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Gastronomia perde rebelde estrela da TV

Anthony Bourdain tinha tanto prazer em comer num restaurante Michelin como num tasco manhoso num bairro de lata.
Edgardo Pacheco 9 de Junho de 2018 às 10:20
Anthony Bourdain
Anthony Bourdain e Asia Argento
Anthony Bourdain e Barack Obama
Anthony Bourdain e José Meirelles
Anthony Bourdain em Lisboa
Anthony Bourdain
Anthony Bourdain e Asia Argento
Anthony Bourdain e Barack Obama
Anthony Bourdain e José Meirelles
Anthony Bourdain em Lisboa
Anthony Bourdain
Anthony Bourdain e Asia Argento
Anthony Bourdain e Barack Obama
Anthony Bourdain e José Meirelles
Anthony Bourdain em Lisboa
O homem que defendia que a felicidade está na forma como nos relacionamos com a comida, que viveu entre chefs estrelados e cozinheiros de tascos imundos e que bebeu - sempre à grande - o que de melhor se fazia em adegas, destilarias e casas cervejeiras, suicidou-se, esta sexta-feira, aos 61 anos, num quarto de hotel em França, onde estava a gravar um episódio da série 'Parts Unknown'.

Anthony Bourdain viveu no fio da navalha, mergulhou bem no mundo da droga, mas reabilitou-se para se transformar numa estrela de televisão na divulgação das gastronomias mundiais. Poucas horas após o anúncio da sua morte, o astronauta Scott Kelly revelou: "quando estava no espaço via os seus programas porque me faziam sentir ligado ao planeta, às suas gentes e às suas culturas, transformando o meu tempo em algo mais saboroso".

Foi chef de cozinha em vários restaurantes ("um chef mediano", nas suas próprias palavras), mas ficará conhecido como o entertainer desbragado, que tanto se passeava por salas com estrelas Michelin como se deleitava a chupar cabeças de camarão - um dos seus petiscos preferidos - num qualquer tasco imundo, sempre com um chorrilho de palavrões pelo meio. Também não dizia que não a uns testículos de carneiro preparados em Marrocos.

Nas séries televisivas 'Cooks Tour', 'No Reservations', ou 'Parts Unknown' nunca teve filtros para dizer o que pensava e nunca prestou vassalagem a estrelas da cozinha (até porque ele é que era a estrela). Famosa ficou a sua frase sobre um hambúrguer de frango de uma cadeia famosa: "é o que mais se parece com o ânus de um javali sujo".

Através da comida, Bourdain revelava histórias desconhecidas de terras famosas ou recônditas e fazia sonhar quem só viaja por causa da gastronomia. Morreu ontem. E com ele desaparece um estilo inimitável.

Comeu 'buncha' e bebeu cerveja com Obama no Vietname
Em 2016, numa visita à Ásia, o presidente dos EUA Barack Obama encontrou-se com Bourdain no Vietname. Na sua capital, Hanói, jantaram por seis dólares (5 euros). Comeram 'bun cha' (prato de porco grelhado) e beberam cerveja local.

Namorada ficou "mais do que devastada"
"Ele era o meu amor, o meu rochedo, o meu protetor", escreveu Asia Argento, de 42 anos, a namorada de Bourdain. Na mensagem revela que ficou "mais do que devastada". "Anthony deu tudo de si em tudo o que fez. O seu espírito brilhante, destemido tocou e inspirou muita gente", sublinhou.

Uma paixão por Portugal
Foi no restaurante Les Halles, em Nova Iorque, que começou a ligação de Anthony Bourdain a Portugal. José Meirelles era o chef e dono do restaurante quando, no final do século passado, contratou Bourdain. Em 2002, Meirelles traz o chef a Portugal. No Porto e Celorico de Basto grava 'A Cook's Tour'.

Em 2009, o apresentador leva o seu 'No Reservations' aos Açores, onde prova o famoso Cozido das Furnas. Lisboa recebeu o cozinheiro em 2012, para um episódio do mesmo programa. Aqui come bifanas e bebe uma ginginha. A sua última visita voltou a ser ao Porto, ao lado de José Meirelles. Em 'Parts Unknown' provou, e aprovou, a tradicional francesinha.

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