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Correio da Manhã

Tv Media
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Gays batidos por Ninguém como Tu

A estreia de ‘Esquadrão G’, anteontem, não foi o suficiente para a SIC ultrapassar a TVI na tabela de audiências. Numa luta contínua em que o canal de Carnaxide tem saído, quase sempre, numa posição desfavorecida, a nova aposta de Manuel Fonseca, director de programas da SIC, chegou ao terceiro lugar do ‘ranking’ dos formatos mais vistos de domingo, mas não conseguiu bater a líder (quase) incontestável ‘Ninguém como Tu, da Quatro, que concorria no mesmo horário.
13 de Setembro de 2005 às 00:00
Os cinco magníficos operaram uma grande transformação no Rui, o primeiro concorrente
Os cinco magníficos operaram uma grande transformação no Rui, o primeiro concorrente FOTO: Natália Ferraz
A estreia da SIC era há muito esperada, sobretudo depois de várias acções promocionais por parte do canal. Ainda anteontem, após quase 50 minutos de alterações ao visual ‘motard’ de Rui, o primeiro concorrente do ‘Esquadrão’, os cinco apresentadores do ‘reality show’ foram convidados do ‘Herman SIC’.
O arranque do ‘Esquadrão’ foi anteontem seguido por cerca de um milhão de telespectadores (1068 mil), sagrando-se em terceiro lugar no ‘top’ (ver quadro). A curiosidade dos telespectadores foi batida pela fidelização contínua à novela ‘Ninguém como Tu’, protagonizada por Alexandra Lencastre. A trama, que neste momento dedica bastante tempo de antena às dúvidas sexuais do personagem ‘João’, tem-se mantido na liderança e raros são os dias em que perde para algum formato concorrente. Também ‘Os Serranos’, da Quatro, ‘superaram os ‘gays’ do canal de Carnaxide.
Mas se os telespectadores não resistiram ao arranque do ‘Esquadrão’, já a Juventude Nacionalista continua firme nos seus objectivos de abolir o formato da televisão, tendo colocado um abaixo-assinado a circular contra o programa. Segundo o presidente Filipe Batista e Silva, a petição angariou já perto de mil assinaturas, terminando sábado, na manifestação contra o ‘lobby gay’ do Partido Nacional Renovador. “Com mil assinaturas não será possível cancelar o programa, mas já conseguimos reacções”, disse ao CM Filipe Batista e Silva. As assinaturas seguem para a Alta Autoridade para a Comunicação Social, Instituto da Comunicação Social e Parlamento.
DEPOIMENTOS
Emídio Rangel, ex-director-geral da SIC, sublinha não ter “nada contra a comunidade ‘gay’. Começa o preconceito a virar ao contrário, na medida em que o programa tenta passar a ideia errada, como se neles [’gays’] residissem o bom gosto, a cultura, o saber comer à mesa, o que é falso”. Adianta que o formato não é inovador.
Eduardo Cintra Torres considerou este “programa de realidade melhor do que esperava”, sobretudo porque “a principal característica do formato, afinal, não é a exuberância homossexual dos apresentadores.” Ainda assim, o crítico de televisão não acredita que este formato venha a ‘roubar’ audiência à novela da TVI.
António Serzedelo, da Opus Gay, sublinha que os cinco rapazes estiveram “mais naturais” no ‘Herman SIC’ do que no ‘Esquadrão G’. “Deram respostas inteligentes sem estarem aos saltinhos”, diz, salientando ainda que o quinteto deve pôr de lado as expressões em francês e inglês, que são “de um snobismo atroz”.
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