A Globo passou no início da madrugada de ontem por um momento tristemente histórico para a TV brasileira, ao ser obrigada a interromper a programação normal para exibir na íntegra um vídeo com um manifesto da facção criminosa do PCC, o Primeiro Comando da Capital. A pena pela não obediência seria, de acordo com a facção, a execução do repórter Guilherme Portanova, sequestrado horas antes pela organização perto da estação.
O vídeo, exibido por ordem dos bandidos num Plantão de Emergência – reservado para grandes catástrofes, morte de estadistas e outras ocasiões excepcionais –, foi para o ar às 00H28 de São Paulo (mais quatro horas em Lisboa) e durou 3,36 minutos. As imagens mostravam um suposto membro do PCC a ler, com voz de quem não está muito em tal exercício, um manifesto no qual o grupo criminoso condena asperamente o sistema penitenciário de São Paulo, exige regalias para os presos e afirma que luta contra a Polícia e o governo e não contra a população. O ponto mais repetido no manifesto é a exigência do fim imediato do Regime Disciplinar Diferenciado, sistema ultra-rigoroso a que estão submetidos os líderes do PCC presos.
O vídeo foi entregue à Globo de São Paulo pelo operador de câmara Alexandre Coelho Calado, que fora sequestrado juntamente com Portanova ao início da manhã de anteontem, quando ambos pararam para beber um café numa pastelaria junto à emissora. Homens armados forçaram-nos a entrar num carro, abandonado e queimado pouco depois, tal como outros utilizados na fuga. Calado e o repórter Guilherme Portanova – ultimamente fizera reportagens sobre o PCC –, ficaram o dia inteiro fechados dentro de um carro, encapuzados e abaixados no banco de trás, segundo relato do operador de câmara. Cerca das 22h30 locais, Portanova deixou o veículo, sendo levado para local desconhecido, enquanto Calado foi deixado junto à Globo, incumbido de entregar o vídeo. Apesar de a TV cumprir a sua parte, até à hora do fecho desta edição Portanova ainda não tinha sido libertado.
PCC, O GRUPO DO TERROR
Fundado no início dos anos 90 no interior das prisões de São Paulo para explorar a venda de drogas e de regalias à população prisional, o PCC apareceu para o grande público em Fevereiro de 2001, quando promoveu um megamotim em 29 penitenciárias ao mesmo tempo, sublevando mais de 35 mil presos e mantendo quase dez mil reféns por mais de 24 horas. A partir daí, o grupo passou a controlar o crime organizado nas ruas.
Desde Maio, a facção, que mata, decapita e incendeia os adversários, voltou à sua sanha violenta contra as forças de segurança e alvos civis, desencadeando, em três ondas de terror no estado paulista, mais de 400 ataques, de que resultaram quase 200 mortos e incalculáveis prejuízos. Depois da morte dos outros fundadores, o PCC é dirigido por Marcos Williams Herbas Camacho, mais conhecido por ‘Marcola’ (ver caixa ao lado), apesar de preso em regime de isolamento na penitenciária mais segura do Brasil.
'MARCOLA' É CRUEL
Líder máximo do PCC, que comanda com poderes absolutos, até de vida e morte dos seus integrantes, ‘Marcola’ é conhecido tanto pela crueldade como pelo estilo provocador. Confiante no poder decorrente dos milhares de homens que, dentro e fora das prisões, seguem cegamente as suas ordens.
GOZÃO
‘Marcola’ mostra-se irónico e desafiante sempre que tem contactos com autoridades. Há dias, a TV exibiu uma gravação de um depoimento de ‘Marcola’ a um juiz e promotores públicos, através de videoconferência, revelando sempre ironia. Negou, sorridente, ter algum tipo de ligação ao PCC e, quando o juiz perguntou aos promotores se concordavam em fazer um intervalo curto para tomar um café, desde a cela, rindo, gritou: “Eu também concordo. Concordo e sem cordo...”
PROVOCADOR
Duas semanas antes, ao ser visitado na sua cela na prisão da cidade de Presidente Bernardes, por uma comissão do Congresso brasileiro que investiga o crime organizado, ‘Marcola’ irritou-se com um deputado que o acusou de comandar um grupo de ladrões e ripostou: “Nem o sr. nem nenhum político brasileiro tem moral para me chamar ladrão. No Brasil, ninguém rouba mais do que vocês.”
E COMEÇOU AOS 13 ANOS
A crueldade e o prazer de se mostrar poderoso parecem divertir ‘Marcola’ desde a infância. Na escola, já era considerado violento e impunha-se pelo medo. Nascido numa família bem estruturada e sem problemas financeiros, começou a assaltar e a cometer crimes, antes dos 14 anos, por puro prazer. Na escola, gabava-se dos crimes que cometia e com cuja fama acabava por conseguir a atenção de muitas adolescentes e mulheres feitas, e a idolatria de muitos colegas, que, ao mesmo tempo, o temiam e invejavam.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.